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Os artesãos de Champagne

Publicado em: 26/05/2021

Arthur Azevedo

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Champagne é sinônimo de vinho espumante de elite, a mais perfeita expressão que um vinho desse estilo pode apresentar. Conhecida internacionalmente pela altíssima qualidade de seus vinhos, Champagne é uma região única, onde a soma de um solo constituído por elevadas proporções de calcário, com um clima único, frio e úmido, resulta em condições altamente favoráveis para o cultivo de uvas extremamente adequadas para a produção de vinhos espumantes.

O método utilizado em Champagne é o champenoise, com duas fermentações alcoólicas, sendo que a segunda delas, a que gera o gás carbônico que dá origem às famosas e cobiçadas bolhinhas, ocorre dentro da própria garrafa em que o vinho será comercializado. Também são muito famosas na região as grandes maisons, muito conhecidas e responsáveis por abastecer o mundo com o precioso líquido. Até aqui, nenhuma novidade.

No entanto, de alguns anos para cá, há uma nova e interessante tendência na região, representada por pequenos produtores, os chamados Artesãos de Champagne, que possuem identidade própria e elaboram seus vinhos de forma muito exclusiva e, em alguns casos, absolutamente inusitada. Para ilustrar esse fato, escolhemos quatro produtores artesanais de alto nível. Mas antes, vamos analisar as características comuns a estes artífices dos espumantes.

O segredo dos artesãos

Ao contrário das grandes maisons, os artesãos de Champagne escolheram caminhos bastante inovadores para a produção, muito limitada diga-se de passagem, de seus preciosos vinhos. Seus bem guardados segredos só recentemente vêm sendo, pouco a pouco desvendados.
De modo geral, poderíamos dizer que os princípios comuns a estes produtores se resumem a uma série de práticas e de vinificação, que resultam em champanhes de grande personalidade e muito caráter.

De início, os artesão usam vinhos de vinhedos próprios, o que lhes permite exercer absoluto controle sobre todas as operações do vinhedo, incluindo o controle do rendimento, mantido sempre em níveis muito baixos, o que melhora significativamente a qualidade do vinho-base, resultando numa evidente melhoria do produto final, após a segunda fermentação.

Além disso, na vinificação dos vinhos-base se usa cada vez mais a barrica de carvalho, tanto para a fermentação dos vinhos como para seu amadurecimento, atitudes raramente vistas em Champagne.

Outra característica marcante é o uso cada vez menor de açúcar no licor de dosagem, resultando em champanhes com acidez mais marcante e mais secos, rotulados como Extra- Brut ou Nature. Isso exige uma perfeita elaboração do champanhe, pois qualquer deslize pode resultar em vinhos desequilibrados e desagradáveis.

Por fim, uma surpresa: estes champanhes têm efervescência abaixo da média, ou seja, têm menor pressão de gás carbônico, o que acaba ressaltando a verdadeira expressão do vinho, o que, mesmo que pareça uma heresia, para estes artesãos, é absolutamente essencial.

Arthur Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-Sao Paulo, jornalista, palestrante e Membro da “Ordre de Coteaux Champenoise”

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