educação

7 pensamentos que fazem com que crianças e adolescentes se sintam mal

Publicado em: 26/09/2020

Jeffrey Bernstein, Ph.D. – Psychology Today – EUA

 

Ajudando crianças e adolescentes a se manterem emocionalmente saudáveis quando retornarem às escolas.

young boy frustrated over homework, writing at home. Boy studying at table. Kid drawing with a pencil

Estamos no auge de uma pandemia mundial. Para complicar, em breve as crianças voltarão às escolas. Para que elas permaneçam bem nesses tempos assustadores, precisam ser resilientes para lidar com o estresse. Como pais, terapeutas, educadores e orientadores, precisamos ajudar crianças e adolescentes a aprenderem como controlar a ansiedade, a tristeza, a raiva e outras emoções desafiadoras.

Como descrevo em meu novo livro, crianças e adolescentes muitas vezes experimentam suas emoções de forma perturbadoramente combinada ou uma de cada vez, mesmo que isso não pareça evidente. No entanto, seja qual for a combinação, são os padrões de pensamentos negativos, ocultos e subjacentes que impulsionam conflitos emocionais!

O processo de identificar, reavaliar e desafiar pensamentos problemáticos – a essência da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) – é algumas vezes chamado de reestruturação cognitiva. Quando você discute o gerenciamento de pensamentos preocupantes com crianças e adolescentes, o termo pensamentos negativos automáticos (automatic negative thoughts, ANTS, no original) pode soar melhor para eles. Quaisquer que sejam as palavras utilizadas, devemos ensinar e incentivar as crianças a identificarem e aprenderem a lidar com os alguns padrões perturbadores de pensamento. Esses pensamentos autossabotadores não apenas levam ao estresse escolar, mas também a conflitos entre colegas e familiares, bem como a problemas de imagem corporal.

Aqui estão sete padrões de pensamento distorcidos que pesam muito em crianças e adolescentes:

1. Pensamento do tudo ou nada. Também conhecido como pensamento polarizado, esse tipo de distorção cognitiva entra em cena quando pensamos que as coisas em nossas vidas precisam ser perfeitas ou então somos apenas um fracasso. Por exemplo, se uma criança não recebe uma nota 10 em uma prova, ela se vê injustamente como uma falha total.

2. Saltando para conclusões. Isso ocorre quando nos enganamos pensando que podemos ler a mente dos outros. Como exemplo, uma criança pode pensar que será vista de maneira negativa aos olhos dos colegas antes mesmo de vê-los.

3. Filtragem negativa. Isso ocorre quando nos concentramos nos aspectos negativos de uma situação e os exageramos ou ampliamos enquanto não conseguimos ver quaisquer aspectos positivos. Por exemplo, o professor de uma criança diz que ela fez um bom trabalho em uma apresentação, mas também forneceu um feedback construtivo com a sugestão de diminuir o ritmo de fala. A criança ou adolescente então descarta o quão bem foi na tarefa quando na verdade o professor apenas queria ouvir o que ela tinha a dizer.

4. Criar catástrofes. Isso também é conhecido como ampliação ou minimização. A “catastrofização” ocorre quando dizemos coisas para nós mesmos como “E se” e esperamos que as piores coisas aconteçam. Por exemplo, a criança ou adolescente pode dizer: “E se eu não participar do time de futebol e as crianças me importunarem com isso pelo resto do ano?”.

5. Deveria pensar (“Dever”). Com esse padrão de pensamento problemático, você tem uma lista de regras rígidas sobre como você e outras pessoas devem se comportar. Digamos que uma criança ou adolescente esteja frustrado com o tempo que leva para resolver um único problema de matemática. Eles podem pensar problematicamente: “O que há de errado comigo? Esse problema de matemática não deve ser tão difícil de resolver”. Às vezes, os adolescentes e até os adultos pensam que insistir em um problema deve fazê-los sentir ou parecer nobres. A realidade é que isso leva à vergonha. E a vergonha pode leva-los a se sentirem deprimidos e destruir suas motivações para fazer as coisas e alcançar seus objetivos.

6. Rotulagem negativa. Você coloca um rótulo negativo em si mesmo. Muitas crianças, quando se trata de trabalhos escolares, frequentemente assumem para si mesmas rótulos injustos como “preguiçoso” ou “estúpido”. Rótulos negativos são um fardo real, porque uma vez que você se rotula, ainda que falso, tende a cumpri-lo.

7. Comparações negativas. Isso ocorre quando você se compara desfavoravelmente aos outros. Por exemplo, as crianças podem pensar: “Ela é mais magra e mais bonita, então quem se importa se eu tiver um cabelo mais bonito?” Ou: “Ele é um atleta importante e garotas bonitas gostam dele; quem se importa se as pessoas pensam que eu sou inteligente?”.

A abordagem completa para o gerenciamento de pensamentos perturbadores que eu defendo envolve o uso de uma combinação de habilidades de atenção plena (para acalmar a mente), TCC (para desafiar pensamentos perturbadores) e psicologia positiva (para infundir otimismo e coragem no futuro). Os exemplos abaixo, que se concentram em ajudar crianças e adolescentes a identificar e reformular pensamentos negativos, são fornecidos como exemplos de frases de impacto para capacitá-los a identificar, desafiar e conquistar pensamentos de ansiedade, tristeza e raiva que atrapalham.

Respondendo a pensamentos inúteis e contraproducentes

Peça às crianças e aos adolescentes que pensem em como alguns de seus pensamentos negativos e contraproducentes, sobre apresentações e demandas de trabalhos de casa, desencadeiam certas preocupações. Gentilmente, ajude-os a ver como esses pensamentos perturbadores atrapalharem essas demandas acadêmicas. Compartilhe os exemplos a seguir para ajudá-los a compreender que, embora a parte reativa do cérebro os leve a duvidar de suas habilidades acadêmicas, isso não significa que eles tenham que aceitar esses pensamentos ansiosos.
Você pode usar as seguintes frases de impacto ou extrapolá-las para ajudar seu filho ou adolescente:

• Quando uma criança expressa um pensamento contraproducente do tipo tudo ou nada, como “Eu nunca vou entender essa lição de casa”, você pode reformulá-la com um pensamento útil, como “Sim, essa tarefa é difícil, mas eu a realizei anteriormente utilizando recursos mais difíceis”.

• Se um adolescente descrever uma rotulagem negativa com o seguinte pensamento: “Não fui bem na prova de ciências, por isso sou estúpido”, você pode treiná-los para substituí-lo por um pensamento mais positivo, como “Não me saí bem nessa prova, mas isso não significa que sou estúpido. Minhas notas são melhores quando estudo mais”.

• Quando as crianças lidam com pensamentos de “dever”, como: “Eu deveria ter estudado mais para a prova de matemática amanhã”, você pode incentivar um pensamento alternativo mais realista e razoável, como: “Essa prova de matemática está difícil, mas devo a mim mesmo meu melhor esforço”.

• Para uma criança ou adolescente que expresse um pensamento de comparação negativa, como “Por que recebi uma nota baixa nessa tarefa de laboratório quando meu parceiro recebeu uma nota alta?”, Você pode sugerir que eles se sentirão muito melhor pensando: “Eu fiz meu melhor e até melhorei da última vez”.

Dizer às crianças e aos adolescentes para relaxar e não ficarem tão estressados não os ajudará a melhorar se eles não tiverem ferramentas para usar. Mas o treinamento construtivo, usando exemplos como os descritos acima, ajudará a aprender o que considero as duas habilidades mais cruciais para a vida: acalmar-se e resolver problemas.

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