educação

Porque você precisa de inteligência emocional para ser bem sucedido na escola

Publicado em: 6/08/2020

Carolyn MacCann Ph.D. – Psychology Today – EUA

Compreender e gerenciar emoções oferece vantagens aos estudantes

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Pais, professores e alunos querem saber quais qualidades pessoais ajudarão os estudantes a ter um bom desempenho em seus estudos. Embora a qualidade do ensino, os recursos e outros fatores ambientais os ajudem a alcançar o melhor de si, suas qualidades pessoais podem lhes dar uma vantagem sobre os colegas.

Pesquisas anteriores descobriram duas qualidades pessoais que são importantes para o sucesso do aluno. A primeira qualidade é inteligência. Ser inteligente o suficiente para dominar álgebra e programação é sem dúvida importante para o sucesso. A segunda qualidade é a consciência. Ser organizado o suficiente para se lembrar de sua lição de casa e organizar suas anotações é outra vantagem clara.

Não é difícil entender por que ser inteligente e trabalhar duro ajudaria os alunos a obterem notas melhores e mais altas nas provas. As pontuações de QI dos alunos explicam cerca de 15% das diferenças de desempenho. A consciência explica cerca de 5% dessas diferenças.

Mas pesquisas mostram que a inteligência emocional também pode dar aos alunos uma vantagem crítica.

Inteligência emocional é a capacidade de perceber, usar, entender e gerenciar emoções.

Alguns testes de inteligência emocional usam escalas de classificação. Por exemplo, os participantes do teste podem avaliar se concordam com declarações do tipo “Estou ciente das mensagens não verbais que outras pessoas enviam.” Outros testes de inteligência emocional medem diretamente as habilidades emocionais a partir de tarefas baseadas em habilidades. Por exemplo, os participantes do teste precisariam identificar qual emoção é expressa em um rosto.

Nossa nova pesquisa mostrou que estudantes emocionalmente inteligentes obtêm melhores resultados nos exames e notas melhores. Essa metanálise resumiu 1246 resultados de pesquisas sobre a ligação entre inteligência emocional e desempenho acadêmico. Embora essas descobertas não possam mostrar diretamente uma relação de causa e efeito entre características relacionadas à emoção e ao desempenho, elas revelam associações notáveis entre elas. No geral, descobrimos que as diferenças na inteligência emocional dos alunos podem ser responsáveis por cerca de 4% das diferenças nos resultados.

Mas alguns tipos de inteligência emocional estavam mais fortemente relacionados à alcançar alguns objetivos do que outros. As tarefas de inteligência emocional baseadas em habilidades representaram 6% das diferenças no desempenho acadêmico, enquanto as autoavaliações das habilidades emocionais representaram 1% das diferenças.

Mas também alguns tipos de habilidades pareciam ser especialmente significativos – incluindo o entendimento de emoções e seu gerenciamento.

Entendendo como emoções se combinam. Fonte: Carolyn MacCann

Entendendo como emoções se combinam.
Fonte: Carolyn MacCann

Os alunos que conseguem entender emoções podem rotular com precisão suas próprias e as de outras pessoas. Eles sabem o que causa emoções, como mudam e como se combinam. Aqueles que conseguem gerenciá-las sabem como as regular em situações estressantes. Eles sabem o que fazer para manter boas relações sociais com os outros.

A capacidade de gerenciar emoções representou 7% das diferenças no desempenho acadêmico. Já as habilidades de compreensão emocional representaram 12%. Ou seja, as medidas das habilidades de compreensão das emoções parecem explicar o sucesso do aluno em maior medida do que as medidas de consciência (5%) e quase o mesmo que as pontuações de QI (15%).

Por que a inteligência emocional seria importante para o sucesso na educação?

Existem três razões prováveis pelas quais a inteligência emocional se relaciona com um desempenho acadêmico mais alto.
Primeiro, a inteligência emocional ajuda os alunos a lidarem com as emoções no ambiente acadêmico. Eles podem se sentir ansiosos com os exames, desapontados com resultados ruins, frustrados quando se esforçam muito, mas não conseguem o que desejam, ou entediados quando o assunto não é interessante. Ser capaz de regular essas emoções para que elas não interfiram no aprendizado os ajuda alcançar o bom desempenho.

Segundo, a inteligência emocional pode ajuda-los a manter um relacionamento com professores, outros alunos e familiares. Manter relacionamentos pessoais íntimos significa que eles podem buscar a ajuda de amigos e professores quando estão em uma situação desafiadora, podem aprender com os outros no trabalho em grupo ou podem pedir apoio emocional.

Terceiro, os assuntos da área das Humanidades (como Literatura ou História) requerem algum nível de conhecimento emocional e social. Por exemplo, os temas universais e o desenvolvimento do caráter na literatura exigem a compreensão das motivações e emoções humanas.

O que os alunos emocionalmente inteligentes fazem de maneira diferente que lhes permite ter sucesso na escola?

Os alunos emocionalmente inteligentes sabem mais sobre emoções, o que facilita o estudo de assuntos de Artes ou Humanidades. Mas o que eles fazem de diferente é principalmente como regulam suas próprias emoções. Existem três maneiras pelas quais a regulação emocional seria diferente para alunos com inteligência emocional alta e estudantes com pouca inteligência emocional.

Primeiro, estudantes emocionalmente inteligentes usam processos melhores para regular suas emoções. Sabemos que alguns processos são mais eficazes que outros. Por exemplo, concentrar-se em emoções negativas (ruminação) está associado a piores resultados, enquanto olhar para o lado positivo (reavaliação positiva) está associado a melhores resultados. Sabemos que pessoas emocionalmente inteligentes geralmente relatam usar mais dos melhores processos (como reavaliação positiva) e menos dos piores processos (como ruminação).

Segundo, os alunos emocionalmente inteligentes podem escolher estratégias mais apropriadas ou eficazes para a situação em que se encontram. Ou seja, podem ser mais sensíveis aos principais detalhes da situação e, portanto, mais flexíveis em suas respostas. Sabemos que a reavaliação positiva está ligada ao bem-estar em situações incontroláveis (onde nada pode ser feito sobre o estresse), mas não em situações controláveis (onde talvez seja melhor mudar a situação do que mudar sua maneira de pensar). Talvez as pessoas emocionalmente inteligentes sejam mais sensíveis ao fato de as situações estarem sob seu controle ou não, e escolham suas estratégias em de acordo com o contexto.

Terceiro, estudantes emocionalmente inteligentes podem implementar melhor algumas estratégias. Por exemplo, ao usar a “reavaliação positiva”, um aluno emocionalmente inteligente pode pensar em um aspecto positivo factível ou pelo lado bom de uma determinada situação. Por outro lado, um aluno com baixa IE pode apenas pensar a partir de uma visão positiva vaga ou irrealista das coisas, o que seria menos eficaz para o fazer se sentir melhor.

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Como isso aconteceu nos dias de um estudante?

Considere Cooper, uma estudante hipotética, que tem bom desempenho em Matemática e Ciências, mas poucas habilidades de inteligência emocional. Ela tem dificuldade em ver quando os outros estão irritados, preocupados ou tristes. Não sabe como as emoções das pessoas podem causar comportamento futuro. Não sabe o que fazer para regular seus próprios sentimentos. Um dia típico de escola para Cooper mostra como sua baixa inteligência emocional pode interferir na capacidade de o aluno de ser bem sucedido na escola.

Cooper chega à escola. Sua melhor amiga Alice está olhando para o chão com os braços cruzados. Seus olhos estão um pouco vermelhos e inchados. Cooper conta a ela sobre um programa de TV legal que assistiu ontem à noite. Alice, a amiga, não parece interessada, então Cooper fala com outra pessoa. Como Cooper tem pouca capacidade de perceber as emoções de Alice, ela não percebeu que algo está errado. Alice, enquanto isso, fica chateada com o fato de que Cooper não demonstrou nenhuma simpatia por ela. No fim, Alice diz a Cooper que ela não é uma boa amiga.

Cooper vai para a aula. A turma tem como objetivo analisar as motivações e emoções dos personagens do livro que estão lendo. Cooper acha isso muito difícil: ela não é capaz de responder a muitas das perguntas. Às vezes Alice ajuda Cooper com essas tarefas, mas hoje ela está brava com Cooper e se recusa a ajudar. Alice revira os olhos e diz que as perguntas são fáceis.

Cooper sente vergonha de não poder fazer o trabalho que outros alunos parecem achar fácil. Ela também está chateada por Alice estar brava com ela. Ela não consegue se livrar desses sentimentos e não consegue se concentrar nos exercícios de Matemática na próxima aula. Por causa de sua baixa capacidade de gerenciamento de emoções, Cooper não pode se recuperar de suas emoções negativas.

Este exemplo mostra como prestar atenção na construção da inteligência emocional de um aluno pode ajudá-lo a aprender, alcançar bom desempenho e ter sucesso na escola.

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