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Filipa Pato, a biodinâmica chega à Bairrada

Publicado em: 27/07/2020

Arthur Azevedo

Apostando forte na filosofia biodinâmica, Filipa Pato vem fazendo um excelente trabalho com a uva Baga, varietal que cada vez mais ganha adeptos em todo o mundo

 

Filipa Pato

 

Filipa Pato tem um sobrenome de respeito na Bairrada e no mundo dos vinhos .Ela é filha do inquieto Luís Pato, um produtor que personifica como poucos o espírito desta que é uma das mais instigantes e interessantes regiões vinícolas de Portugal.
Mas, é bom que se diga, desde cedo optou pela carreira solo, que iniciou tão logo concluiu seu curso de engenharia agronômica, com especialização em enologia. Foi uma decisão corajosa, que se mostrou acertada, como se pôde constatar pela evolução de sua notável trajetória de excelentes e inovadores vinhos.
Com uma localização privilegiada, a Bairrada desfruta de um clima fresco, de influência Atlântica, o que permite um lento e gradual amadurecimento das uvas, especialmente da grande estrela da região, a Baga, da qual falaremos oportunamente.
Filipa está utilizando em seus vinhedos a filosofia de cultura biodinâmica, com grande êxito, técnica está que se baseia no respeito absoluto ao terroir, no uso de preparados naturais – abrindo mão do uso de produtos químicos de qualquer natureza no vinhedo, no uso de leveduras autóctones (próprias do local), no uso mínimo de anidrido sulfuroso e de técnicas minimamente intervencionistas na vinificação. Tudo isso requer uma vigilância estrita de todo o processo, uma vez que qualquer desvio ou contaminação poderá ter como resultado a produção de vinhos defeituosos ou com sérios problemas técnicos.
Ela busca produzir vinhos equilibrados e que respeitem não só seu terroir, como também o meio ambiente. Segundo Filipa, as uvas que recebem o manejo biodinâmico são bastante homogêneas e dispensam triagens na vinicola tal seu grau de qualidade, e diz que tem buscado conseguir o ponto exato de extração de taninos na vinificação, uma vez que o uso mínimo do anti-oxidante químico anidrido sulfuroso torna necessária a ação dos taninos, que são substancias naturais da uva que tem forte ação anti-oxidante.
O problema é que uma extração excessiva de taninos, e estamos falando da uva Baga, que é caprichosa e de difícil cultivo, necessitando uma perfeita maturação, levaria a vinhos muito tânicos e portanto, muito duros.
A vigilância tem que ser estrita e cuidadosa. Falando na Baga, Filipa fez questão de pontuar que a Bairrada é a única região de Portugal que tem uma única uva autóctone em que baseia seus vinhos, mas que a Baga tem como característica responder de forma diferente aos diversos terroirs onde é cultivada.
Essa é uma vantagem, mas que exige profundo conhecimento da região e das diferentes características que cada terroir é capaz de conferir à uva.
Filipa, assim como seu pai Luís Pato, consegue entender perfeitamente o valor dessa casta única e de rara qualidade, que cada vez vem ganhando apreciadores em todo o mundo.
Uma descoberta interessante foi a existência de vinhedos pré-filoxéricos na Bairrada, de Baga, de onde Filipa extrai um cuvée raro e exclusivo, o Missão, diretamente do vinhedo homônimo.
Algumas das principais características dos vinhos por ela produzidos são a elegância e o equilíbrio, com graus moderados de álcool, cerca de 13%, e surpreendentemente Filipa diz que o teor alcoólico não é sua preocupação e sim a maturidade dos taninos, o que é aferido exclusivamente por degustação das uvas no vinhedo.
Os vinhos de Filipa Pato são importados e distribuídos no Brasil por Casa Flora/Porto a Porto. Agradecimento especial a Fernanda Fonseca, organizadora da entrevista com Filipa Pato, via internet.
Arthur Piccolomini de Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommelier-SP, editor do website Artwine (www.artwine.com.br), consultor, educador em vinhos, jornalista e palestrante.

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