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Vinhos em tempo de quarentena

Publicado em: 6/05/2020

Arthur Azevedo

 

Em tempos difíceis, o vinho pode ser um valioso auxiliar para aliviar a tensão…

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Vivemos tempos difíceis, de incertezas, de angústia, de medo e de isolamento. Não estávamos preparados para essa abrupta interrupção em nossas vidas, em nossos planos, em nosso trabalho. Tudo isso, e mais o bombardeio de notícias e pronunciamentos, muitas vezes desencontrados, é campo fértil para a depressão, o desânimo, o desalento.
Como sair dessa situação, com alguma dignidade e sem grandes traumas?
Sabemos que para a maioria da população não será fácil, mas para quem aprecia vinhos e teve condições de guardar boas garrafas para o futuro, pode ser um bom momento para consumí-las e ainda aumentar seu conhecimento.
Vamos começar com a parte teórica. Tão logo ficou claro que esse período de isolamento não seria tão curto, de especialmente para os chamados grupos de risco, a internet se tornou um valioso auxiliar nos estudos sobre vinho, com dezenas de cursos gratuitos, palestras, degustações comentadas, bate-papos ao vivo e muito mais.
Nas redes sociais da Associação Brasileira de Sommeliers, de São Paulo, de Campinas e de outros locais do Brasil há farto material como o descrito. Outras escolas de vinho seguiram o mesmo caminho e uma rápida busca na internet será suficiente para encontrar esses cursos e degustações.
Complementando esses conhecimentos, há ótimos livros sobre vinhos disponíveis em e-book, especialmente na Kindle Store, loja virtual da Amazon.
O melhor da festa é a parte prática e nesse sentido, quem não tem um bom estoque de vinhos não ficará de fora, pois as lojas e importadoras rapidamente se organizaram e montaram um eficiente serviço de compras on line, com entregas rápidas, de praticamente todos os tipos de vinho. Certamente não será difícil encontrar quem oferece esse serviço pela internet.
Será que há vinhos-coringa, indicados por estarem sempre prontos para consumo, sem grandes preocupações e que seriam ideais para esses momentos mais tensos. Há, e estes vinhos são os fortificados, doces ou não.
Qual seria a razão? Simples, os vinhos fortificados permitem ser tomados em doses, não se estragando com facilidade. Hoje existe o recurso de um instrumento chamado Coravin, que permite consumir qualquer vinho em doses fracionadas, mas isso é assunto para outro momento.
Entre os fortificados mais disponíveis em nosso mercado, destacam-se os produzidos em Portugal e Espanha, tais como: Porto, Madeira, Moscatel de Setúbal e Jerez.
Falando de Porto, os mais indicados para serem consumidos aos poucos e depois guardados em pé, na adega ou na porta da geladeira, são os de estilo Tawny, naturalmente mais oxidados, especialmente os de idade indicada, podendo ser 10, 20, 30 ou 40 anos. São deliciosos, doces e complexos, prontos para beber e que nos dão enorme satisfação.
Os subestimados vinhos doces da Ilha da Madeira, ou simplesmente Vinho da Madeira vão na mesma linha, prontos para beber, complexos e deliciosos. Já o Moscatel de Setubal é um patrimônio de Portugal e se alinha entre os melhores vinhos fortificados doces do planeta. Aromáticos, sedosos e complexos, existem em diferentes versões, facilmente encontrados no Brasil.
Na Espanha, os milenares vinhos de Jerez reinam absolutos na área dos fortificados, tanto na versão seco, quanto na versão doce. Entre os secos, para o que se propõe – beber aos poucos ao longo do tempo, as opções são os Olorosos, Palo Cortado e Amontillado, ricos, complexos e elegantes e na ala dos doces, o luxuriante Pedro Ximénez, que com sua textura quase viscosa e nada menos que 450 gramas por litro de açúcar, é um ótimo companheiro para momentos difíceis.
De resto, é desejar que nossos amigos leitores estejam bem e em segurança, e torcer para esses tempos difíceis terminarem logo.
Arthur Piccolomini de Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommelier-SP, educador em vinho, consultor, palestrante e jornalista especializado em vinhos.

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