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Verão, época onde os vinhos brancos brilham

Publicado em: 24/02/2020

Arthur Azevedo

Vinhos brancos são excelentes no verão. Essa frase você certamente já ouviu inúmeras vezes. Na verdade vinhos brancos são ótimos o ano todo. Que tal conhecer algumas uvas brancas “novas”?

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Sempre que a temperatura aumenta, cresce a procura de vinhos brancos e espumantes. É quase um reflexo condicionado. Basta esfriar um pouco e os vinhos tintos assumem o protagonismo. É aquilo que se chama de consumo sazonal de vinhos.
E quando se fala em vinhos brancos no Brasil, as uvas francesas são sempre as primeiras, para não dizer as únicas, a serem lembradas. Só para refrescar a memória, estamos falando das duas queridinhas do mercado, a inevitável Chardonnay e a personalíssima Sauvignon Blanc.
Nesse artigo vamos alargar os horizontes e apresentar ao nosso leitor excelentes uvas brancas, de diferentes países, que dão origem a vinhos espetaculares, e melhor, disponíveis no Brasil.
Começaremos por Portugal, país irmão, cujos vinhos brancos vêm surpreendendo público e crítica nos últimos anos, por sua qualidade e originalidade. De Norte a Sul, Portugal trabalha com rara maestria suas uvas autóctones, ou seja, uvas originárias em seu território, ou numa área denominada Península Ibérica, o que inclui a Espanha.
Estrela de primeira grandeza, nos dois citados países, a Alvarinho/Albariño é uma das mais interessantes uvas brancas do mundo, demonstrando grande caráter e personalidade e que dá origem a vinhos de extremo frescor, luminosos, com fruta puríssima, ótima estrutura, destacado equilíbrio e que é companhia perfeita para peixes e frutos do mar.
Em Portugal é encontrada na região dos Vinhos Verdes, mais precisamente em Melgaço e Monção e na Espanha, na Galícia, especialmente na Denominação de Origem Rías Baixas.
Outras uvas brancas portuguesas de interesse são a Antão Vaz, a Encruzado, a Loureiro, a Fernão Pires e as uvas tradicionais do Douro, que hoje estão em alta entre os conhecedores dos bons vinhos da terrinha.
Voltando à Espanha, outras ótimas uvas brancas merecem citação, entre elas a Verdejo, a Xarel-lo e a Macabeu.
Indo para a Itália, a surpresa aumenta ainda mais. Geralmente lembrada pela alta qualidade de seus tintos, os brancos italianos vêm melhorando a cada dia, alcançamos níveis muito altos de qualidade.
No Norte da Itália, mais precisamente no Piemonte, três uvas são sempre lembradas: Moscatel, que dá ótimos vinhos doces, e as quase desconhecidas Arneis e Cortese , respectivamente em Roero e Gavi, dão vinhos delicados, frescos, aromáticos e originais
Já no Vêneto, a uva branca por excelência é a inigualável Garganega, que tem entre seus fãs ninguém menos que Jancis Robinson, a mais aclamada crítica de vinhos do mundo.
Indo rumo Sul, na ensolarada Campania, encontramos duas ótimas uvas brancas, a Greco em Greco di Tufo e a Fiano, em Fiano di Avelino. São muito diferentes, com aromas sutis e delicado frescor.
Nas ilhas, o destaque vai para a Inzolia na Sicília e para a Vermentino na Sardegna.
Claro que deixei para o final a melhor uva branca do mundo, a Riesling, mas isso é assunto para um artigo inteiro. Aguardem.

Arthur Piccolomini de Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor do website Artwine (artwine.com.br), consultor, educador em vinhos e palestrante.

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