saúde

Pesquisa reverta os malefícios das redes sociais para os adolescentes

Publicado em: 13/01/2020

Terri Apter Ph.D.  – PSYCHOLOGY TODAY – EUA

Uma intervenção simples que mudará a maneira como os jovens veem seus feeds.

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As mídias sociais estão incorporadas na vida dos adolescentes: 95% olham regularmente para as mídias sociais. Pais, professores e formuladores de políticas se preocupam com os efeitos negativos sobre os jovens, principalmente as adolescentes, acreditando que a auto-estima destes podem estar em risco. As palavras que as meninas usam nas mídias sociais e os perfis que seguem – 68% se concentram em beleza, moda e estrelas de reality show, – são mais como uma dieta restrita de junk food em comparação com o uso das palavras nas redes sociais e os interesses dos meninos, que, em média, seguem alguma besteira, mas uma média de 12 tem interesses bem variados.
Pais e professores geralmente tentam moderar o impacto das mídias sociais ao restringir o tempo de exibição. Este é um grande problema para as adolescentes que acreditam que sem as mídias sociais não conseguirão aproveitar a vida ou estar por dentro das coisas.Ao trabalhar ao lado da instituição de caridade educacional The Female Lead, descobri algo que abriu caminho para uma intervenção simples e factível que percebemos ser notavelmente eficaz.
A Female Lead teve acesso a um grande conjunto de dados (da empresa de ciência de dados Starcount) que mostrou uma correlação entre o uso de palavras restritas e prejudiciais nas redes sociais das meninas e o número de celebridades masculinas ou femininas que elas seguiram. A análise das contas de 34.500 meninas mostrou que entre as 50 principais celebridades que seguiam, 72% eram do sexo masculino. Mas cerca de 10% das meninas (3.057) foram encontradas usando palavras que sinalizavam seus interesses, paixões e objetivos. Isso incluía palavras como jornalista, tecnologia, caridade, CEO, mulher, feminista, fundadora, livro, notícias e prêmios. E entre essas 3.057 meninas, 80% das 50 celebridades que elas seguiram eram mulheres e pelo menos duas eram mulheres bem-sucedidas.
Com o intuito de tornar mais saudável o uso das mídias sociais para as meninas, foi proposto para que seguissem pelo menos quatro mulheres bem-sucedidas cujos interesses correspondiam aos delas. Evidentemente era possível que as meninas que seguiam mulheres bem-sucedidas já fossem diferentes das 90% que seguiram tantas celebridades masculinas. Mas a correlação revelada pelos dados foi tão surpreendente que estávamos dispostos a tentar. Na pior das hipóteses, teríamos perdido algum tempo de pesquisa. Mas, na melhor das hipóteses, teríamos descoberto uma maneira de melhorar o uso das mídias sociais pelas garotas – algo que ninguém mais parece ter conseguido fazer.
Na primeira entrevista com 28 meninas entre 14 e 17 anos de cinco escolas diferentes e de contextos altamente diversos, avaliamos seus interesses. Em seguida, adaptamos uma lista de mulheres bem-sucedidas para cada garota e pedimos para que acompanhassem quatro delas nas mídias sociais. As meninas não precisaram mudar mais nada em suas práticas na mídia social. Tudo o que pedimos foi que incluíssem as quatro das mulheres da lista entre as pessoas que seguiam. Voltamos a entrevistar cada adolescente depois de nove meses e ficamos surpresos com o que descobrimos.
Primeiro, as meninas disseram que sua ideia de mídia social havia sido transformada. “Ela me deu uma visão completamente diferente, porque não se trata… – obviamente, é social, mas não é sobre o lado materialista disso”, disse uma delas. “É sobre outras pessoas fazerem coisas realmente boas, e
vira tipo uma forma de educação e aprendizado. É realmente interessante e eu não sabia que as mídias sociais poderiam ser usadas para isso…”. Várias meninas disseram que o exercício transformou suas visões de mídias sociais e lhes deu uma” visão completamente diferente”.
Segundo, o exercício mudou o uso das mídias sociais de muitas meninas. Ao invés de usá-la para acompanhar os amigos, as notícias ou o entretenimento, elas perceberam que poderiam obter orientação e visão. Uma das garotas disse: “Normalmente, você tem apenas pessoas que conhece ou gosta, mal conhece, e de repente surge outra pessoa e você fica tipo ‘Uau!’. Eu sigo muito mais esquiadores, poetas e artistas agora…”
Terceiro, o exercício transformou seus feeds de mídia social. Como uma garota disse, ao seguir as mulheres sugeridas por The Female Lead, “outras coisas surgiram e daí procurei as que eram ligadas aos meus interesses.” Uma descoberta comum foi a seguinte: seguindo os perfis sugeridos por The Female Lead, outras pessoas e organizações foram recomendadas por suas plataformas. Uma garota que seguia um astronauta agora também segue a NASA; em seguida, encontrou a seção “explorar” (“Agora são muitas coisas de física. É bem engraçado”). Outra garota começou a seguir mais relatos políticos e ativistas (e, como resultado, ingressou a Marcha das Mulheres) e outros seguiam escritores e atores adicionais. Uma menina de 15 anos seguiu uma pianista que faz concertos e ficou impressionada com o que ela aprendeu: “era sobre as competições que elas foram… e eu nunca saberia sobre isso se eu não as tivesse seguido, eu nem teria ideia”.
Esta é uma intervenção simples, barata e viável que melhora a saúde das meninas em relação ás mídias sociais. Que isso seja incorporado ao currículo pastoral das escolas e utilizado pelos pais (que poderão então ficar aliviados quanto a tarefa quase impossível de barrar as mídias sociais).

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