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Garzón Balasto, um ícone do Uruguai

Publicado em: 29/11/2019

Arthur Azevedo

Um dos grandes vinhos do Uruguai, o Garzón Balasto começa a ser distribuído pelos negociantes de Bordeaux, fato histórico para um vinho daquele país. Para lançar a safra 2017 esteve no Brasil o enólogo Germán Bruzzone, que explicou as razões do sucesso deste ícone

Balasto em degustação vertical

 

Os vinhos uruguaios há muito tempo conquistaram os apreciadores de vinhos do Brasil, incluindo profissionais e crítica especializada. Não é segredo para ninguém que a casta Tannat reina soberana no país e os brasileiros aprenderam a conhecer e gostar dessa difícil e caprichosa uva francesa, originária de Madiran, no sudoeste da França.
Trazida ao Uruguai pelo francês de origem basca Pascal Harriague, a Tannat se adaptou perfeitamente ao clima e solo do país, se tornando rapidamente a uva mais importante e mais plantada em nosso vizinho do sul.
Dentre as excelentes vinícolas do país, destaca-se a Garzón, um projeto ousado do engenheiro Alejandro Bulgheroni, com arquitetura moderna e funcional, equipamentos de última geração e cuidados excepcionais com o vinhedo, situado em Maldonado, próximo à encantadora Punta del Este, destino turístico obrigatório no Uruguai.
Para fazer, nas suas palavras, o melhor vinho do país, Bulgheroni contratou o renomado enólogo italiano Alberto Antonini, que supervisiona toda a produção da vinícola e é o responsável por dar a palavra final sobre todos os vinhos, incluindo o Balasto, o topo de gama da Garzón.
A composição do Balasto é baseada em quatro uvas, a saber – Tannat (sempre majoritária), Cabernet Franc, Merlot e Maselan, esta última um cruzamento de Cabernet Sauvignon e Grenache – com porcentagens que variam em função do clima durante cada ano, plantadas em solo granítico, que é uma exceção no Uruguai, onde os solos são majoritariamente compostos por calcário e argila.
Ícone da Garzón, o Balasto é um vinho de exceção, como pudemos comprovar numa mini-vertical (safras diferentes de um mesmo vinho) das safras 2015. 2016 e 2017, na companhia de Germán Bruzzone, enólogo encarregado das operações e do dia-a-dia vinícola.

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A vantagem de se degustar várias safras de um mesmo vinho é poder avaliar a personalidade do vinho e do enólogo, assim como a expressão do terroir, ou seja, o microclima, de onde as videiras estão plantadas. Ninguém melhor que Alberto Antonini para definir esse terroir privilegiado. “A diversidade, a estrutura do solo e sua composição, as colinas e a exposição que elas proporcionam aos vinhedos, sua proximidade do oceano e a influência de uma brisa fresca, fazem da Garzón um lugar único para a elaboração de vinhos de primeira qualidade”
E o Balasto expressa isso de maneira exemplar. O atributo das três safras que mais nos impressionou foi o frescor dos vinhos, que se mostraram com grande expressão de frutas perfeitamente maduras, equilíbrio perfeito e fina textura.
Outro fato interessante que notamos foi que cada uma das safras tinha personalidade bem definida, com marcada individualidade. O Balasto 2015 impressionou pela opulência, o Balasto 2016 pela elegância e o Balasto 2017. Mesmo ainda muito jovem, já mostra o enorme potencial que tem, sendo uma síntese perfeita de seus irmãos mais novos, exibindo um pouco da opulência do 2015, com a sofisticação do 2016. Uma aula de enologia em apenas três safras…

Os vinhos da Garzón são importados para o Brasil pela World Wine (www.worldwine.com.br)
Arthur Piccolomini de Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, palestrante, jornalista e editor do website Artwine (www.artwine.com.br)

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