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PESQUISA: COMPROMETIMENTO DA EDUCAÇÃO? dispositivos eletrônicos Afetam entendimento de ideias complexas

Publicado em: 19/09/2019

Maria Cohut – MNT – Medical News Today – Inglaterra – Checagem de conteúdo por Carolyn Robertson

No mundo de hoje, parece que todo mundo usa smartphones e tablets diariamente. Mas nossos cérebros podem não nos agradecer por isso, pois novas pesquisas mostram que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos está correlacionado com uma compreensão mais pobre de textos científicos complexos.

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Os dispositivos eletrônicos se tornaram parte integrante na vida das pessoas no século XXI. Agora, nós buscamos nossos smartphones para verificar os emails, ler as últimas notícias e postar atualizações sobre nossas vidas nas redes sociais.
Ainda que isso signifique que podemos ter todas as informações que desejamos ao alcance de nossas mãos, “treinar” constantemente nossos cérebros para processar informações vindas dos dispositivos eletrônicos pode ter consequências indesejadas para nossa capacidade de acompanhar e processar ideias complexas.
Isso, pelo menos, é o que cientistas afiliados à Pennsylvania State University sugerem em um estudo que publicaram recentemente na Scientific Reports.
Em seu artigo, os cientistas explicaram que os textos expositivos, como artigos científicos, têm uma estrutura de conhecimento particularmente complexa.
Isso significa que eles usam informações cruzadas interligadas que os leitores encontram em diferentes partes do texto. Para compreendê-lo, o leitor deve ser capaz de identificar as informações nessas várias seções do texto e, em seguida, estabelecer uma conexão entre as ideias.
No entanto, no estudo, os pesquisadores descobriram que os indivíduos que relataram usar constantemente dispositivos eletrônicos tiveram uma compreensão mais pobre dos textos científicos do que pessoas que usaram seus dispositivos com mais moderação.
“Usar dispositivos eletrônicos diariamente em excesso pode prejudicar a capacidade das pessoas de adquirir uma ordem hierárquica – ou estrutura – de conceitos científicos”, explica o coautor do estudo, Ping Li.
Se você não consegue adquirir – ou entender – essa hierarquia, então você não está obtendo a essência dos conceitos. Compreender a ciência não é colocar as sentenças aleatoriamente juntas; é colocar os conceitos-chave dessas frases juntos em uma estrutura hierárquica – que é algo com o qual muitos alunos estão tendo problemas hoje em dia ”. Ping Li

Uso excessivo de dispositivos associados a mudança na atividade cerebral

A equipe de pesquisa trabalhou com 51 voluntários de 18 a 40 anos de idade, todos destros. Os voluntários realizaram ressonâncias magnéticas funcionais de suas atividades cerebrais enquanto liam cinco artigos científicos sobre tópicos, incluindo matemática, o planeta Marte, circuitos elétricos, GPS ou o meio ambiente.
A equipe de pesquisa também acompanhou os movimentos dos olhos dos participantes para descobrir como eles seguiam um texto enquanto o liam.
Independentemente de qual texto científico os voluntários estavam lendo em qualquer momento, os resultados foram consistentes.
As pessoas que relataram usar dispositivos eletrônicos de forma constante ao longo do dia tiveram uma menor atividade nas áreas do cérebro – a ínsula esquerda e o giro frontal inferior – ligadas ao processamento de informações complexas, compreensão da linguagem e atenção.“Sabemos que o giro frontal inferior é muito importante para a compreensão da linguagem, para entender a semântica ou o significado das palavras e da gramática, e vemos que essa área se torna menos ativa entre as pessoas que usam mais dispositivos eletrônicos”. Observa Li.
Além disso, continua Li, “a ínsula é uma área envolvida em tarefas cognitivas como a troca da atenção. Então, digamos que você esteja sonhando acordada enquanto está lendo um texto e então um professor de repente lhe diz para prestar atenção em uma certa parte do texto, é quando você está trocando a atenção “.
Embora as descobertas atuais indiquem apenas uma correlação entre o uso excessivo de dispositivos eletrônicos e a redução da atividade nessas áreas do cérebro, os pesquisadores alertam que confiar demais em nossos smartphones e tablets pode mudar a forma como nossos cérebros processam informações.
Por exemplo, Li sugere que os dispositivos eletrônicos podem estimular certas partes do nosso cérebro, já em outras não há estimulo, enfraquecendo, assim, o desempenho dessas regiões.
“Nosso trabalho pode ter implicações para a educação”, acrescenta Li. “Nosso objetivo era buscar uma base neural para a compreensão da leitura. O ensino médio, por exemplo, é uma época em que as crianças estão começando a ler sobre ciência – informações muito básicas nos campos STEM [ciência, tecnologia, engenharia e matemática]. “
“Neste momento, temos muito pouco conhecimento sobre como o cérebro de um estudante do ensino médio responde quando eles tentam entender esses conceitos científicos básicos”, diz o pesquisador, indicando que esta é uma área de investigação que as futuras pesquisas devem abordar.

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