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ÚLTIMA PESQUISAS INTERNACIONAIS SOBRE NUTRIÇÃO X SAÚDE

Publicado em: 26/04/2019

Maria Cohut – MNT – Medical News Today – Inglaterra / Checagem de conteúdo por Gianna D’Emilio

 

Os hábitos alimentares desempenham um papel importante na formação de nossa saúde e bem-estar, mas ainda há muitas incógnitas sobre o impacto definitivo da dieta em relação a pequenos mecanismos biológicos. Neste artigo, daremos uma visão geral de algumas das melhores pesquisas nutricionais publicadas em fevereiro de 2019.

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O que a pesquisa nutricional mais recente diz sobre nossas escolhas alimentares?

No mês de fevereiro, no Medical News Today, cobrimos numerosos estudos revisados por pares, preocupados com questões de nutrição.
Cada um perguntou e respondeu perguntas sobre como nossas práticas alimentares afetam nosso bem-estar.
E vocês, nossos leitores, mostraram um interesse particular em quais dietas são as melhores para a saúde, assim como quais alimentos podem ter efeitos negativos inesperados.
Não há dúvidas quanto a isso e não se pode negar: o que comemos está no âmago de nossa existência cotidiana. A comida é uma necessidade para a vida, e comer bem nos ajuda a nos sentir bem, a ter mais energia e a nos tornar mais produtivos.
No ensaio “A Room of Own’s Own”, a escritora Virgínia Woolf comenta com vigor: “Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, se alguém não jantou bem”.
Mas o que significa comer bem? O que você deve comer, o que deve evitar e quais padrões dietéticos deve escolher?
Os pesquisadores estão constantemente trabalhando duro para entender melhor essas questões e oferecer sugestões para melhores práticas alimentares.
Neste artigo, observamos algumas das descobertas mais importantes em pesquisa nutricional publicadas em fevereiro.

 

Melhores hábitos alimentares para a saúde

Tomar café da manhã diariamente provavelmente não ajudará nos esforços de perda de peso.

Tomar café da manhã diariamente provavelmente não ajudará nos esforços de perda de peso.

Estudos sugeriram que o jejum intermitente – em que uma pessoa jejua por um determinado número de horas por dia, mas come livremente nas horas restantes – pode ajudar a perder peso e pode proporcionar outros benefícios à saúde, incluindo prolongar a vida e reduzir inflamação prejudicial nas pessoas.
Sobretudo, o jejum provoca mudanças no corpo – como estimular a perda de peso – ao agir nos processos metabólicos.
Normalmente, nossos corpos dependem de carboidratos para produzir energia, mas quando uma pessoa jejua e os carboidratos não estão mais disponíveis, o corpo começa a procurar e utilizar outros recursos.
Um estudo publicado na revista Scientific Reports no início do mês passado identificou algumas alterações metabólicas desencadeadas pelo jejum que os pesquisadores não tinham conhecimento prévio.
Especificamente, os autores do estudo – que são baseados Okinawa Institute of Science and Technology Graduate University no Japão – descobriram que o jejum aumenta os níveis de purina e pirimidina, dois compostos orgânicos que atuam na expressão gênica e na síntese proteica em nível celular.
“Essas substâncias são metabólitos muito importantes para a manutenção da atividade muscular e antioxidante”, explica o autor do estudo Dr. Takayuki Teruya. Isso significa que, aumentando os níveis de purina e pirimidina, o jejum pode estimular os processos de rejuvenescimento, possivelmente mantendo o corpo mais jovem por mais tempo.
Outra pesquisa publicada no mês passado procurou desmentir mitos antigos sobre as melhores práticas alimentares. Um dos quais sugere que comer café da manhã é importante quando se trata de perder peso.
Alguns acreditam que comer uma refeição matinal ajuda a estimular o metabolismo, de modo que mais calorias queimam mais rápido. Além disso, alguns estudos encontraram uma correlação entre a obesidade e a tendência a pular o café da manhã.
No entanto, isso não foi o que um estudo recente publicado no BMJ encontrou. Os pesquisadores trabalharam com alguns participantes que relataram geralmente tomar café da manhã e outros que, na maioria das vezes, preferiam deixar de tomá-lo.
As descobertas da equipe contradizem as noções existentes sobre o café da manhã e a perda de peso, pois indicam que a ingestão diária total de energia (calorias) tende a ser maior em pessoas que tomam café da manhã regularmente.
Além disso, os pesquisadores descobriram que os indivíduos que costumavam pular o café da manhã diariamente tinham, em média, menos peso corporal do que aqueles que o tomavam.
Em seu estudo, os autores chegaram a ponto de alertar que “é necessário cautela ao recomendar o café da manhã para perda de peso em adultos, pois isso pode ter o efeito oposto”.

 

Os efeitos protetores dos alimentos comuns

Mirtilos podem competir com medicação especializada na redução do risco cardiovascular

Mirtilos podem competir com medicação especializada na redução do risco cardiovascular

Ao mesmo tempo, os pesquisadores identificaram mais benefícios dos alimentos naturais comuns. Um exemplo é a semente de linhaça, que muitos de nós utilizamos para enriquecer nossos batidos de fruta ou para dar uma crocância extra para biscoitos e barras de granola.
Fibra de linhaça supostamente ajuda a equilibrar os níveis de colesterol e reduzir a pressão arterial, entre outros benefícios.
Agora, um novo estudo publicado no American Journal of Physiology: Endocrinology and Metabolism sugere que a fibra de linhaça também pode reduzir o risco de obesidade.
A linhaça começa a quebrar quando atinge o intestino. A pesquisa, que foi realizada em ratos, mostrou que a fibra produz mudanças na microbiota intestinal que levam a uma população bacteriana mais saudável.
Essas alterações afetam os processos metabólicos, acelerando o consumo de energia e, assim, diminuindo os riscos de obesidade.
Além disso, eles ajudam a aumentar a tolerância à glicose (açúcar), o que sugere que eles têm um efeito protetor contra elementos associados a outras condições metabólicas, como diabetes, que é caracterizada por intolerância à glicose.
De acordo com outra pesquisa publicada no mês passado, a cebola e o alho, dois ingredientes-chave na culinária global, também são aliados importantes quando se trata de proteger nossa saúde.
O alho já tem a reputação de ser um antibiótico natural, pois possui propriedades antibacterianas, e muitas pessoas tradicionalmente o usam para combater a gripe ou tratar picadas de insetos.
Em um artigo publicado no Asia-Pacific Journal of Clinical Oncology no mês passado, pesquisadores do First Hospital of China Medical University relatam que esses dois vegetais têm um efeito anticâncer.
Tanto o alho quanto a cebola pertencem à família dos vegetais allium, que possuem cheiros e sabores pungentes e semelhantes.
O presente estudo analisou 833 indivíduos que foram diagnosticados com câncer colorretal, avaliando quantos alhos eram consumidos regularmente. A equipe então combinou esse grupo com o de um número igual de indivíduos sem câncer.
Os pesquisadores descobriram que os participantes que ingeriram maiores quantidades de alho e cebola tiveram um risco 79% menor de câncer colorretal, em comparação com pessoas que consumiram baixas quantidades de vegetais allium.
Com base nesses resultados, os pesquisadores concluíram que “quanto maior a quantidade de vegetais allium, melhor é a proteção”, nas palavras do pesquisador sênior Dr. Zhi Li.
Outra comida muito apreciada que recebeu atenção positiva em fevereiro é o mirtilo. Mirtilos são muitas vezes considerados como um superalimento, porque eles estão repletos de antioxidantes, substâncias que ajudam a proteger a saúde celular e afastar as doenças.
No mês passado, pesquisadores do King’s College London, no Reino Unido, descobriram que as antocianinas – pigmentos com propriedades antioxidantes – nessas frutas poderiam ajudar a diminuir o risco de problemas cardiovasculares.
Os participantes do estudo que comeram 200 gramas de mirtilo por dia durante um mês perceberam uma diminuição significativa na pressão sanguínea, o que, como os investigadores mesmo observaram, não costuma ocorrer na ausência de medicação.

 

Avisos sobre escolhas alimentares

Refrigerantes de baixa caloria com adoçantes artificiais podem contribuir para o risco de derrame.

Refrigerantes de baixa caloria com adoçantes artificiais podem contribuir para o risco de derrame.

Em fevereiro também houve a publicação de estudos que avisaram que algumas escolhas dietéticas podem estar colocando nossa saúde em risco.
Por exemplo, pesquisas que aparecem no JAMA Internal Medicine advertem, mais uma vez, que comer alimentos ultraprocessados pode ser extremamente prejudicial.
Este estudo foi realizado por especialistas da Sorbonne Université em Paris e do Hôpital Avicenne, ambos na França.

Os pesquisadores explicam que tais alimentos – que incluem refeições prontas e carnes processadas – têm altos teores de gordura, açúcar e sódio (sal), além de serem pobres em fibras naturais.
Isso significa que, apesar de saborosos, eles não são nutritivos e enganam nossos estômagos para que se sintam satisfeitos, enquanto falham em oferecer o sustento real de que precisamos.
Além disso, acrescentam os pesquisadores, os alimentos ultraprocessados frequentemente contêm aditivos artificiais, o que podem aumentar nossa exposição a uma série de doenças.
Embora especialistas já entendam que tais alimentos exacerbam nossa vulnerabilidade a doenças, o efeito sobre o risco geral de mortalidade permanece incerto. No presente estudo, os autores concluíram, talvez pela primeira vez, que apenas um aumento de 10% na quantidade de alimentos ultraprocessados que ingerimos leva a um risco de mortalidade 14% maior.
Outro estudo, publicado na revista acadêmica Stroke, tirou algumas conclusões desanimadoras sobre o consumo de bebidas dietéticas adoçadas artificialmente.
A equipe que realizou esta pesquisa estava especificamente interessada em ver como o consumo de bebidas dietéticas afetou mulheres com mais de 50 anos, de modo que analisaram dados de 81.714 mulheres nessa faixa etária.
A análise revelou uma tendência preocupante: as mulheres que tomavam duas ou mais bebidas dietéticas por dia tinham um risco 23 por cento maior de acidente vascular cerebral e um risco 29 por cento maior de um ataque cardíaco.
Sendo assim, os autores do estudo pedem para reconsiderarmos sempre que nos sentirmos tentados a tomar um refrigerante de baixa caloria e optarmos por uma alternativa.
Finalmente, uma equipe de cientistas da Flinders University, em Adelaide, na Austrália, voltou sua atenção para os danos do álcool, que, de acordo com o novo estudo da equipe – publicado no PLoS ONE – muitas pessoas ainda ignoram.
Os pesquisadores australianos decidiram se concentrar na condição bem conhecida do álcool como um fator de risco para o câncer de mama. Eles se voltaram para mulheres com idade entre 45 e 64 anos, perguntando-lhes qual era frequência e a quantidade do consumo e se estavam cientes dos riscos.
De acordo com a autora principal, Dra. Emma Miller, “há um baixo nível de conscientização sobre a ligação estabelecia entre o álcool e o câncer de mama”, e as mulheres continuam a se colocar em risco.
“É muito importante entender os padrões e os motivadores por trás do comportamento de beber, a fim de desenvolver políticas e intervenções que possam reduzir a crescente carga sobre as mulheres e nosso sistema de saúde”, enfatiza a Dra. Miller.
Uma mensagem surge dos estudos que os principais pesquisadores disponibilizaram em fevereiro: Todos nós precisamos aprender como fazer nossas dietas trabalharem para nós, em vez de contra nós, e fazer escolhas pelas quais nossos corpos serão gratos.

 

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