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VERÃO: A HORA E A VEZ DOS ESPUMANTES

Publicado em: 22/03/2019

O verão de 2019 promete ser o mais quente de todos os tempos. É nessa hora que os espumantes, servidos bem gelados, mostram sua versatilidade e adequação à estação mais ensolarada do ano.

por Arthur Azevedo

 

champagne

 

Quando chega o verão fica difícil pensar em beber um vinho tinto encorpado, daqueles que só de pensar já dá calor na alma. Claro que para espantar o calor nada melhor do que vinhos que se possam beber bem gelados, como os espumantes, brancos e rosados, mas deixaremos esses dois últimos para outra oportunidade.

Abordaremos agora os espumantes, que são vinhos que têm gás carbônico dissolvido no líquido e podem ser produzidos de inúmeras maneiras. Falando das técnicas mais utilizadas para adicionar o gás carbônico no vinho, a chamada carbonatação, vamos nos ater aos dois métodos mais usados para a produção de espumantes: o Champenoise (nome reservado aos vinhos produzidos na região de Champagne e que em outras regiões do mundo é chamado de Tradicional ou Clássico) e o Charmat.

Ambos se utilizam de duas fermentações: a primeira onde se produz um vinho tranquilo ou não efervescente) e a segunda onde se adiciona açúcar e leveduras ao vinho tranquilo e se aprisiona o gás carbônico. No caso do método Champenoise a segunda fermentação se dá na garrafa e no do método Charmat, em tanques pressurizados.

Os bons espumantes feitos pelo método Champenoise costumam ser mais sérios, com aromas e sabores que remetem a brioche, frutas secas, amanteigado e tostado, o que os tornam mais apropriados para ocasiões mais formais e para harmonizações enogastronômicas. Claro que num momento ostentação nada impede de se beber champanhe na praia ou no iate, mas isso é para poucos.

Já os produzidos pelo método Charmat costumam ser mais frutados e festivos, com mais frescor e boa expressão varietal. São muito adequados para a praia, para se combinar com peixes fritos e petiscos de toda ordem e excelentes para os dias encalorados da maioria das cidades brasileiras.

Ainda deve-se destacar que os espumantes feitos pelo método Charmat são mais acessíveis que os produzidos pelo método Champenoise, uma vez que os custos de produção são consideravelmente menores, além de demandar muito menos mão-de-obra.

Exemplos dos dois estilos não faltam, pois os espumantes hoje entraram definitivamente na vida dos brasileiros, sendo amplamente disponíveis e de preços que certamente se encaixarão em qualquer orçamento.

No grupo do Charmat podemos citar como exemplo o Prosecco, que é um espumante produzido na região do Veneto na Itália e muito apreciado por aqui. Além deste, nesta categoria brilham muitos espumantes brasileiros, que tem a vantagem de não serem submetidos aos transtornos das viagens de navio e ao calor dos portos.

Segundo importantes enólogos brasileiros, o Charmat é o método ideal para a produção de espumantes no Brasil, e o que se observa na prática é que eles têm razão, pois os espumantes resultam frutados, frescos e muito agradáveis.

No grupo do Champenoise estão importantes membros dessa categoria de vinhos, como o Champanhe, a Cava (espumantes espanhóis), os Franciacorta italianos, os portugueses da Bairrada, Távora-Varosa e Alentejo, e alguns brasileiros de respeito.

Como se viu, razões não faltam para se beber um bom espumante nessa época do ano. Esta sim é uma boa maneira de se começar o ano.

 

Arthur Piccolomini de Azevedo é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo e editor do website Artwine (www.artwine.com.br)

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