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ESFORÇOS PARA EMAGRECER SÃO CONTAGIOSOS

Publicado em: 22/03/2019

Muitos de nós tomamos certas medidas para perder uns quilinhos extras porque queremos ter uma vida mais saudável ou voltar a caber na nossa roupa favorita. Mas e se nossos esforços pudessem também trazer benefícios para a saúde de nossos entes queridos?

Maria Cohut – MNT – Medical News Today – Inglaterra – Checagem de conteúdo por Jasmim
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Se inscrever em um programa de emagrecimento ou adotar uma dieta mais balanceada é algo que podemos querer fazer não apenas para o nosso próprio bem, mas também para o benefício de nossos parceiros.

E não, não é só porque sua cara-metade vai preferir estar com alguém mais em forma.

Acontece que podemos ser influenciadores naturais, pelo menos quando se trata das pessoas com as quais compartilhamos nossas vidas, de modo que ao fazermos escolhas mais saudáveis, nossos parceiros provavelmente se sintam compelidos a seguir nossos passos.

Foi isso que a professora Amy Gorin e seus colegas da University of Connecticut em Mansfield  observaram após um estudo realizado recentemente com vários casais em que um dos parceiros teve a iniciativa de se comprometer em perder peso.

“Quando uma pessoa muda seu comportamento, as pessoas ao seu redor mudam também”, observa a profª Gorin, qualificando essa tendência como “efeito cascata”.

Ela acrescenta: “Se o paciente trabalha com o próprio médico e adere a um programa de estilo de vida dentro da comunidade, como Vigilantes do Peso, ou tenta perder peso por conta própria, seus novos comportamentos saudáveis podem beneficiar os outros em suas vidas”.

As descobertas da profª Gorin e sua equipe foram publicadas recentemente na revista acadêmica Obesity, sendo o primeiro ensaio controlado randomizado para investigar a influência mútua dos casais quanto ao emagrecimento.

“Efeito cascata” é causado por uma escolha

Os pesquisadores acompanharam 130 casais – que se classificaram como parceiros vivendo juntos – por 6 meses, durante os quais uma pessoa em cada relacionamento seguiu um regime para emagrecer. Os parceiros foram avaliados detalhadamente duas vezes ao longo desse período: uma vez aos 3 meses e outra

ao final do 6º mês.

A profª Gorin e seus colegas dividiram os casais em dois grupos. No primeiro grupo, um parceiro de cada casal se juntou a um programa de perda de peso organizado, com acesso a consultoria particular e ferramentas on-line exclusivas.

No outro grupo, um parceiro de cada casal recebeu um folheto com conselhos sobre dietas saudáveis, exercícios e algumas estratégias para o controle de peso, como evitar alimentos ricos em calorias e comer porções menores de comida. Este “grupo autoguiado” não recebeu nenhuma outra orientação.

Foi descoberto que os parceiros que não participaram diretamente do programa de emagrecimento, nem receberam os folhetos de controle de peso, também haviam emagrecido juntamente com seus companheiros.

Esta tendência foi observada de forma consistente, nos check-ins de 3 e 6 meses. Além disso, a profª Gorin e a equipe notaram que os parceiros tendiam a perder peso na mesma proporção, e que, se um deles lutasse na jornada rumo a perda de peso, o mesmo aconteceria com o outro.

As descobertas do estudo – financiado pela Weight Watchers International, uma iniciativa popular para o controle de peso – sugerem, portanto, que há mais razões para a escolha de emagrecer do que apenas o desejo de ter um corpo mais saudável.

A profª Gorin espera que este conhecimento impulsione os programas nacionais de emagrecimento e profissionais da área de saúde a levar em conta o “efeito cascata” criado pela iniciativa de uma única pessoa.

“A mudança de nossos hábitos alimentares e de exercícios físicos pode afetar os outros tanto de maneira positiva quanto negativa. Pelo lado positivo, os cônjuges podem imitar os comportamentos de seus parceiros e se juntar a eles contando calorias, se pesando mais e comendo alimentos com pouca gordura” – Profª. Amy Gorin

Ainda não está claro, porém, se a iniciativa de emagrecimento de uma pessoa pode causar também um impacto maior ao influenciar outros membros da família, como filhos, irmãos ou pais. A profª Gorin e sua equipe pretendem abordar essa questão em um estudo futuro.

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