Entrevista Exclusiva

Bruna Hamú diz que ‘mães precisam parar de se julgar e andar de mãos dadas; se unir!’

Publicado em: 3/05/2018

A atriz brilhava interpretando Camila da novela das 21h, “A Lei do Amor”, quando foi surpreendida por uma gravidez não planejada. Agora que o filho acaba de completar 1 aninho, ela se abre para a Residenciais e conta tudo sobre a experiência de ser mãe pela primeira vez

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Por Isadora Gimenes

O rosto angelical da atriz Bruna Hamú ganhou enorme notoriedade nacional quando ela viveu a personagem Bianca, protagonista de Malhação em 2014. Com a personagem que tornou-se a queridinha do público, ela somou milhões de fãs nas redes sociais. Muito antes disso, trabalhava como modelo fora do Brasil e já havia interpretado a Karol em Sangue Bom. A carreira crescia à medida que a carismática artista conquistava espaço nas telonas do cinema com Shaolin do Sertão e também nos palcos do teatro musical com a obra Cinco Júlias. Mas o maior baque da vida de Bruna viria, mesmo, é da vida pessoal. Enquanto ela interpretava Camila, na novela das 21h “A Lei do Amor”, descobriu estar grávida do primeiro filho – mesmo tomando anticoncepcional. Devido à gravidez, a personagem precisou ser afastada da trama na reta final, mas fez uma aparição no último capítulo, já grávida e casada com o par romântico interpretado por Gabriel Chadan. Bruna precisou dar uma pausa na carreira após o nascimento do bebê. Mas agora que o pequeno Júlio (nome que homenageia o avô paterno) completou o 1o ano no finalzinho de abril, ela está pronta para voltar aos palcos e telinhas e também dividir com o público a experiência de ser mãe de primeira viagem. Confira abaixo nosso bate-papo exclusivo com a atriz.

Residenciais: Bruna, a sociedade glamoriza bastante a experiência da gravidez. Como foi isso para você?
Bruna Hamú: Tanto glamoriza que para mim, foi um baque! Eu nunca tive muito contato com mães e bebes, então não entendia muito desse universo. Quando fiquei grávida foi que busquei saber. Fui ouvindo pessoas, lendo (sobre o assunto)… Muita gente só falava o quão maravilhoso é o pós-parto, o parto em si e toda a experiência dessa fase. Mas ninguém comentava as dificuldades que vêm com ela, também! Ninguém me contou sobre os hormônios que estão a mil em nosso corpo, sobre o quão frágil ficamos, sobre a experiência do parto que, pelo menos para mim, não foi uma sensação maravilhosa… É mágico é, claro. Você ver seu filho nascendo de dentro de você, aquele pedacinho seu, sendo gerado dentro de você, e foi tão esperado ver o rostinho, é muito mágico. Mas a cesárea é uma cirurgia, ou seja, com ela vem junto tudo o que uma cirurgia implica. Cada pessoa, claro, tem uma experiência, umas tem mais dificuldade no pós-parto, outras durante a gravidez, outras no parto em si… Cada uma tem uma sensação no purpúreo; tem gente que ama amamentar, outras não. Então varia muito! Ouvi uma vez uma frase que gostei muito: “maternidade não é fácil, mas também não é difícil. Maternidade dói, mas também cura.”

E como tem sido a maternidade para você?
Para mim, a maternidade ensinou muito e ensina todos os dias muita coisa. Passei momentos difíceis, de muita insegurança, de muito medo e fragilidade… Mas hoje, me sinto muito mais forte e preparada. A maternidade nos coloca frente a frente com nossas fortalezas e fraquezas e isso dói, mas é lindo e extremamente poderoso. Nos faz mulheres muitos melhores.

Quais dicas você daria a jovens mães de primeira viagem, como você?
Paciência, porque isso vai passar… E você consegue! Sim, você também nasceu para isso. E tenha segurança na mãe que você é, olhe para dentro de você.

Virar mãe mudou de alguma maneira sua relação com a sua própria mãe, avó ou outras mães que conhece em sua vida?
Com certeza. Você começa a enxergar essas pessoas com outros olhos, você entende sua mãe, todos os momentos de briga e cuidado e tantos outros momentos que você não compreendia antes, agora você se vê como ela. Entende o amor que ela sempre teve por você, e também as dificuldades. Fica grata por tudo que ela fez de uma forma diferente. Eu só acho que nós, mulheres, temos que parar de julgar umas às outras. Vejo muitas mães julgando outras mães, no modo de agir, de falar de educar… Temos que nos unir, ser mais empáticas, andar de mãos dadas… Cada uma tem um experiencia e ninguém é igual! A maternidade nos faz morder a língua todos os dias (risos).

Mas em quais pontos a maternidade tem sido diferente do que você imaginava?
Eu acho que nas dificuldades. Mas me surpreendeu muito em termos também do que me tornei como pessoa hoje, em como me sinto. Sou extremamente grata a Deus por ter me dado essa benção que é ser mãe. Me faz querer acordar todos os dias e lutar por um mundo mais justo e melhor de viver, querer ser minha melhor versão todos os dias, mais forte e corajosa, mais valente. Me fez ser alguém muito melhor. Preenche os meus dias. Indiscutivelmente, sou muito mais feliz e completa!

 

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Hoje, é comum o diálogo sobre feminismo e o direito de escolha da mulher com relação à maternidade. Argumenta-se que socialmente, espera-se que mulheres sejam mães, apesar de muitas não têm essa vontade. Sua gravidez foi inesperada, mas você escolheu ser mãe. O que pensa sobre esse debate?
A partir do momento que cada um escolhe ser o que quiser, todos temos esse direito, sim. Livre arbítrio. Você escolhe ser mãe também. Ser mãe é querer. Eu escolhi a maternidade sim, ela só veio um pouco antes do esperado. Ela me escolheu (naquele momento). Mas eu também a escolhi.

Por ser figura pública, muitas jovens e adolescentes se espelham em você. As curiosidades dos fãs se transformaram depois que virou mãe?
Com certeza. Às vezes acho que agora as pessoas me seguem, mas só para ver o Julinho (risos)! Eles querem saber dele , ver vídeos dele… E eu estou achando muito engraçado. Os fãs se transformaram junto comigo. Recebo muitas mensagens particulares no Instagram, de mães falando sobre a maternidade, me perguntando e dividindo experiências, também.
De que forma a Bruna-mãe é diferente da Bruna de antes?
Nossa… Em muitas coisas. Sou muito mais paciente, mais generosa, menos egoísta. Com a maternidade você aprende a dar mais atenção aos detalhes, ao que antes você não dava mais importância; você renasce. Vê o mundo com outros olhos. E sou muito mais corajosa para enfrentar o dia a dia da vida!

Você conquistou milhões de fãs desde 2014, quando deu vida à Bianca em Malhação. Depois, interpretou outras personagens. Como foi dar uma pausa na carreira para cuidar do bebê? Sente saudade do trabalho?
Sinto. Mas hoje entendo que isso foi necessário. A maternidade foi transformadora para mim, me sinto mais madura. Mas também sinto necessidade de ser um pouco como eu era antes… Só que no sentido de me sentir uma mulher independente, trabalhadora.

Como atriz, tem algo que ainda não tenha feito, mas que tem o sonho de fazer?
Muita coisa! Ainda estou começando minha carreira… Quero poder viver os mais diferentes personagens, não só viver como também aprender com cada um deles. Quero poder fazer mais teatro também, que foi uma das experiências, além da maternidade, que mais me transformou como pessoa. (Bruna participou do musical ‘Cinco Júlias’ em 2016).

Quem você considera referência em termos de dramaturgia?
A Meryl Streep . Pela atriz e pessoa que ela é, aversatilidade que ela tem nos personagens que interpreta e a verdade que ela transmite. Também pela pessoa e posição que ela tem na sociedade, extremamente generosa, sem deslumbres… Ela tem o pé no chão; doando o espaço dela para causas relevantes.

Queremos saber: o que não quer deixar de fazer de jeito nenhum antes que 2018 termine?
Trabalhar!

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