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Vin de Constance, um vinho de muita história

Publicado em: 1/12/2017

Patrimônio inestimável da África do Sul, o Vin de Constance é um vinho doce natural cuja longa história começa com as primeiras videiras plantadas no país

Vin de Constance 1

 

Arthur Azevedo

O primeiro navegador a colocar os pés na África do Sul foi o português Bartolomeu Dias, em 1488, numa pequena praia ao lado do famoso Cabo da Boa Esperança, um lugar conhecido pelas correntes marítimas indomáveis e pelas tormentas que fustigavam impiedosamente os navios que por ali passavam. Vasco da Gama também esteve ali, mas, assim como Dias, não se interessou em estabelecer uma colônia portuguesa no local.
Quem primeiro colonizou a África do Sul foram os holandeses da Cia Holandesa das Índias Orientais, com a chegada em 1652 de Jan van Riebeeck, que plantou as primeiras videiras nos jardins da Companhia, na época um verdadeiro paraíso de beleza inigualável.
Segundo anotações do diário de Riebeeck, em dois de fevereiro de 1659 foi produzido o primeiro vinho com uvas plantadas no Cabo, principalmente com uvas moscatel, além de outras uvas brancas.
Em 1685 o décimo comandante do Cabo, Simon Van de Stel, recebeu sua própria fazenda para morar e antes de se estabelecer realizou um profundo estudo do solo da região, buscando o que fosse mais propício para o cultivo de uvas. O local escolhido foi um vale próximo à Baia Falsa (False Bay), cujo solo era constituído de granito decomposto. Esse local foi por ele chamado de Constantia.
Em 1692 se iniciou a produção de vinho em Constantia e desde o início houve um rápido reconhecimento da qualidade do vinho ali produzido e Simon foi fortemente encorajado pelos seus superiores a continuar a produção, o que certamente foi uma decisão muito acertada.
Nascia então o Vin de Constance, um vinho doce baseado na uva Moscatel, que teria uma trajetória de enorme sucesso em todo o mundo.
Após a morte de Van de Stel e uma complexa divisão de seu patrimônio, coube à parte denominada Klein (pequena) Constantia a missão de continuar a produção do Vin de Constance.
Em 1726 aconteceu a primeira exportação do vinho, e por causa de uma fusão, além de Klein Constance, a outra propriedade, Groot (grande) Constantia também passou a produzir o famoso vinho doce, situação que perdurou por mais de 50 anos.
A fama do Vin de Constance rapidamente atravessou fronteiras e em 1777 ele se tornou o favorito das casas reais europeias, incluindo o Imperador da Prussia, Frederick, o Grande. Também na França o sucesso foi enorme e na adega de Luiz XVI e Maria Antonieta, no Palácio de Versailles, havia 2.634 garrafas do chamado Vin du Cap de Constance.
Na América a situação não foi diferente e o Vin de Constance se tornou o favorito de George Washington, e também de John Adams e de Thomas Jeferson, esse último um conhecido apreciador de grandes vinhos.
Várias obras citaram o Vin de Constance, incluindo Razão e Sensibilidade, de Jane Austen, que disse ser o velho vinho do Cabo um excelente remédio para corações desapontados.
Um dos personagens mais importantes da história, Napoleão Bonaparte, em seu exílio na ilha de Santa Helena, bebia uma garrafa do Vin de Constance diariamente e em seu leito de morte pediu um copo do vinho como seu último desejo.
Lamentavelmente, por uma série de razões, desde doenças no vinhedo até a insolvência das propriedades, em 1872, o Vin de Constance deixou de ser produzido e por mais de um século viveu somente na literatura e na poesia. Depois de várias mudanças de proprietários, Klein Constantia voltou a produzir o lendário Vin de Constance em 1986, a partir do mesmo vinhedo original.
Atualmente o Vin de Constance é produzido somente com a uva Muscat de Frontignan, que é colhida em diferentes momentos de sua maturidade, desde madura a supermadura, garantindo o perfeito equilíbrio entre a acidez e a doçura, fator primordial para a excelência de um vinho doce.
O vinho é mantido em barricas de carvalho francês novo (60%), carvalho húngaro e acácia francesa por 3 anos, com posterior estágio em tanques de aço por 6 meses antes do engarrafamento.
O resultado é um vinho doce de excepcional qualidade, com aromas e sabores de frutas cítricas caramelizadas, intensa concentração, equilíbrio perfeito e longa persistência. Um grande vinho, clássico, de grande personalidade e muito elegante.
O Vin de Constance é trazido para o Brasil pela Grand Cru Importadora.

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