bem estar

QUANTO TEMPO SEU AMOR VAI DURAR?

Publicado em: 1/12/2017

Uma só pergunta pode responder esta questão:
O que motiva o seu relacionamento?

Amor

 

Suzie Pileggi Pawelski, MAPP & James Pawelski, Ph.D.

Dê uma olhada em seu relacionamento e faça a seguinte pergunta: O seu relacionamento é baseado no seu ganho pessoal, no seu prazer ou nas virtudes que você vê no outro? (Se você não está atualmente em um relacionamento, pense no seu relacionamento antigo ou no seu futuro relacionamento).
É importante, é claro, responder esta pergunta honestamente, não da maneira que você imagina que deveria ser, mas sim o que seu relacionamento realmente é. Também é importante observar que o que inicialmente o atraiu em seu parceiro pode não ser necessariamente o que atualmente o mantém comprometido com ele. Nossos relacionamentos e os nossos motivos para estar neles evoluem naturalmente ao longo do tempo.
Enfim, por que alguns relacionamentos evoluem enquanto outros acabam?
Embora não tenhamos uma resposta definitiva sobre o que prevê a longevidade conjugal, escutar um sábio filósofo, que estudou bem o tema sobre o bem-estar, pode ajudar com algumas dicas úteis.
Em A Ética a Nicômaco, o livro clássico sobre o que constitui uma vida boa, o célebre Aristóteles diz que tendemos a amar três tipos diferentes de coisas: as que são úteis, as que são agradáveis ​​e as que são boas. E ele afirma que existe um tipo de amizade que corresponde a cada uma dessas três categorias.
O primeiro tipo de amizade é entre duas pessoas que se acham úteis. Elas podem ver seu relacionamento como uma oportunidade para algum tipo de ganho, talvez um lucro financeiro. Podem ser dois anos investindo em uma start-up juntos para ganhar dinheiro. Um segundo nível de amizade é entre duas pessoas que acham prazeroso estar juntos. Por exemplo, dois jovens de vinte e um anos que gostam de noites divertidas na cidade. Aristóteles diz que, enquanto nada está errado com esses dois tipos de amizades, eles são auto-orientados e são dependentes do que cada pessoa obtém da amizade – lucro ou prazer. E quando o dinheiro ou a diversão acabam – o que muitas vezes acontece – a amizade também acaba.
Ele diz que o terceiro nível de amizade, baseado na virtude, é a melhor e a ideal. Essas amizades se sustentam ​​porque se baseiam na bondade que vemos um no outro. Embora elas não sejam motivadas pela busca de lucro ou prazer, muitas vezes acabam sendo úteis e prazerosas. Nos referimos a essas amizades como “amizades aristotélicas”.
Acreditamos que as observações de Aristóteles sobre amizades não precisam se limitar a parcerias platônicas. Sua filosofia também pode ser aplicada a relacionamentos românticos. Como em amizades, os casamentos e outros relacionamentos podem possuir um dos três níveis. Algumas relações são baseadas na utilidade ou na segurança financeira que o relacionamento fornece, dando todos os confortos necessários. Historicamente, esses tipos de relacionamentos existiam no tempo dos casamentos arranjados que eram baseados em dotes e propriedades. Para alguns, garantir as necessidades materiais pode ser a principal razão de estar em um relacionamento. Porém, a queda de suas finanças pode fazer a sua relação afundar. Os relacionamentos prazerosos se concentram no prazer que você obtém com ele. Talvez forte atração física, prazer sexual ou a diversão pura de outras atividades juntos (e não apenas sexuais!). E, naturalmente, nas primeiras crises de romance, você ainda pode estar se divertindo. No entanto, à medida que a diversão desaparece, esses relacionamentos muitas vezes acabam.
Como Aristóteles, não encontramos nada de errado com lucro ou prazer como parte de um relacionamento saudável. Na verdade, uma ou ambas as coisas podem ter sido o que inicialmente nos atraiu para o nosso parceiro. No entanto, se o relacionamento é baseado apenas nisso, nós podemos estar com problemas, porque o lucro e o prazer são motivações instáveis que tornam a relação dependente de nossas necessidades.
O terceiro e mais alto nível de relacionamentos é baseado na virtude. É aquele que se importa exclusivamente com o bem-estar do outro, independente dos seus ganhos pessoais.
Essas relações “aristotélicas” são baseadas em encontrar e alimentar a bondade que vemos um no outro. Acreditamos que este tipo de relacionamento se sustenta porque é baseado no caráter. E o bom caráter, ao contrário da utilidade ou prazer que ganhamos em um relacionamento, é mais provável que seja mais estável ao longo do tempo.
Então, quando você pensa sobre seu relacionamento, você pode querer se perguntar se o lucro, o prazer ou o bem estão dirigindo-o.
Referências
Aristotle. (350 BCE; 1934 revised ed.). Nicomachean Ethics, Loeb Classical Library Edition. G. P. Goold (ed.); H. Rackham (trans.). Cambridge, MA: Harvard University Press.
Pileggi Pawelski, S. & Pawelski, J. Happy Together: Using the Science of Positive Psychology to Build Love that Lasts. (2018). TarcherPerigee.
Suzann Pileggi Pawelski, MAPP, é psicóloga e escritora especializada em ciência da felicidade e seus efeitos sobre relacionamentos e saúde. Também é editora colaboradora da revista Norte Americana Live Happy e colunista da National Magazine.
James Pawelski, Ph.D., é diretor do Positive Psychology Center da University of Pennsylvania e diretor fundador executivo da International Positive Psychology Association (IPPA). Premiado pela ONU, palestrante em mais de 20 países.

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