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Hormônio reverte o declínio da memória

Publicado em: 11/09/2017

Um novo estudo publicado pelo The Journal of Experimental Medicine
mostra que o aumento da quantidade de um hormônio produzido nos ossos pode prevenir o declínio cognitivo em adultos mais velhos

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Ana Sandoiu  – Medical News today –  EUA

Trata-se da osteocalcina, um hormônio produzido por células ósseas que diminui à medida que envelhecemos, começando com 30 anos em mulheres e 50 em homens. Nos estudos constatouse que com doses diárias deste hormônio ósseo, a perda de memória é restaurada, trazendo-a de volta aos níveis de quando eram jovens. Por ser uma substância naturalmente produzida pelo organismo, a sua injeção seria segura.

A nova pesquisa realizada em ratos foi elaborada por cientistas comandados pelo Dr. Gerard Karsenty, professor e presidente do Department of Genetics & Development da Columbia University Medical Center, em Nova York.

O professor Gerard Karsenty, disse: “Em estudos anteriores, descobrimos que a osteocalina desempenha múltiplos papéis no corpo, incluindo um papel na memória.”

“Observamos também que o hormônio declina precipitadamente em seres humanos durante o início da idade adulta”.

“Isso levantou uma questão importante: a perda de memória pode ser revertida ao restaurar este hormônio de volta aos níveis juvenis?”

“A resposta, pelo menos em ratos, é sim, sugerindo que abrimos uma nova avenida de pesquisa sobre a regulação do comportamento por hormônios periféricos”.

Como a pesquisa foi realizada

Os ratos mais velhos receberam infusões contínuas de osteocalcina durante um período de dois meses.

Verificou-se que isso melhorou muito o seu desempenho em dois testes de memória diferentes, onde os ratos idosos atingiram níveis vistos apenas em ratos jovens.

As mesmas melhorias foram observadas quando o plasma sanguíneo de ratos jovens, que é rico em osteocalcina, foi injetado em ratos idosos. Em contraste, não houve melhora da memória quando o plasma de jovens ratos com deficiência de osteocalcina foi administrado a ratos idosos. Mas a adição de osteocalcina a este plasma antes de injetá-lo nos ratos idosos resultou em melhora da memória.

Os pesquisadores também injetaram anticorpos em ratos jovens para esgotar este hormônio do plasma, resultando na redução do seu desempenho em testes de memória.

Sem efeitos colaterais tóxicos

A equipe também diz que descobriram o modo como isso funciona.

Eles descobriram que o hormônio se liga a um receptor no cérebro chamado Gpr158 no hipocampo, conhecido como o “centro da memória”.

Isso foi confirmado pela inativação desses receptores em um grupo de camundongos e, em seguida, deu a esse grupo infusões de osteocalcina. Ou seja apenas a infusão do hormônio sem os receptores ativados não conseguiram melhorar seu desempenho em testes de memória.

Este achado prepara o caminho para uma abordagem inovadora para tratar o declínio cognitivo relacionado à idade de forma segura, dizem os cientistas.

O professor Karsenty disse que não houve efeitos colaterais tóxicos e acrescentou: “É uma parte natural do nosso corpo, por isso deve ser seguro”.

“Mas é claro, precisamos de mais pesquisas para traduzir nossos achados em uso clínico para humanos”.

Rejuvenesce músculos, atua na diabetes e até na fertilidade

Pesquisas dos últimos dez anos descobriram que o esqueleto faz parte do sistema endócrino (o que coleta hormônios produzidos pelas glândulas).

O trabalho anterior do especialista em genética descobriu ainda que doses do hormônio também rejuvenescia os músculos de ratos mais velhos, permitindo que eles equiparassem as suas velocidades de corrida e as distâncias percorridas com as dos ratos mais jovens.

O professor Gerard Karsenty produziu pesquisas que mostraram que a proteína óssea chamada osteocalcina regula também o equilíbrio de insulina e glicose.

Os estudos sugerem que a osteocalcina pode ser promissora na luta contra a epidemia global de diabetes tipo 2.

Evidências de estudos anteriores da equipe de Karsenty mostraram relação entre o osso e o hormônio leptina gordo. Os adultos obesos são significativamente menos propensos a desenvolver osteoporose.

Seus testes revelaram seu papel na influência, além do desenvolvimento cerebral e cognição, e na função muscular durante o exercício e até na fertilidade. Todas essas descobertas, ainda insipientes prenunciam que novos estudos poderão trazer amplas possibilidades e resultados extraordinários para a medicina.

 

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