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Crianças x segurança no trânsito

Publicado em: 12/09/2017

Estudo científico revela: o maior risco no trânsito é o atropelamento de crianças. A melhor solução é um amplo trabalho em conjunto dentro dos “Condomínios Fechados”

 

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No mundo inteiro, o trânsito ocasiona anualmente mais de dois milhões de mortes e incapacitantes permanentes. Em 2020, deverá ocupar, no panorama mundial, o terceiro lugar no ranking das principais causas de morte. Os países avançados derrubam cada vez mais suas estatísticas, mas no restante do mundo, em geral, elas não diminuem e até aumentam. O Brasil está entre os campeões, com a marca de 40 mil mortos anuais, uma decepção para os investimentos rigorosos recentes na legislação. Nessa triste estatística, os adolescentes e as crianças são os que mais sofrem. As pesquisas globais também mostram que 50% das mortes se devem aos atropelamentos.

Dentro dos condomínios fechados o problema também existe apesar de ter uma forma peculiar. Recebemos solicitações de administradores de condomínios para abordarmos esse tema em nossa seção. A ASCONHSP deve se preocupar também com esse assunto, o qual faz parte da qualidade de vida do nosso modelo residencial.

Para tratar da questão de forma criteriosa, selecionamos algumas orientações sobre segurança no trânsito voltado para crianças e adolescentes extraídas de um artigo científico redigido pela Pediatra Regina M. B. K. Pirito, especialista em medicina de tráfego e membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, e pela Doutora Renata D. Waksman, médica do Departamento de Pediatria do Hospital Israelita Albert Einstein e presidente do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria. Esse estudo utilizou como fontes mais de 300 pesquisas e artigos científicos.

Estatística

• Acidente mais comum no trânsito: atropelamento

• Maior vítima: crianças

• Os que mais sofrem com atropelamentos são meninos na faixa etária dos três aos 12 anos de idade

• Menores de cinco anos são atingidos por veículos que dão ré em vias de circulação

• Os de seis anos correm maiores riscos no meio dos quarterões

• Os de dez anos, nos cruzamentos

• Atropelamentos de crianças geralmente são causados por motoristas do sexo masculino e com menos de 40 anos

• Apesar da pesquisa abordar vários estudos em diferentes países, foram encontradas evidências da efetividade da educação para segurança da criança como pedestre

• Nos EUA, por exemplo, crianças com um ano de vida são mortas por atropelamento duas vezes mais do que as com faixa etária entre um a quatro anos de idade. Isso prova a deficiência da prevenção de acidente por atropelamento na faixa do primeiro ano de vida

Fundamental: pedestre consciente

Para que o pedestre circule pelas ruas com maior segurança, deve andar na calçada, sempre longe do meio-fio, em filas únicas, em sentido contrário ao dos veículos, quando não houver calçadas. Ao cruzar a via pública, deve usar apenas a faixa própria de pedestres, obedecendo à sinalização e, quando não houver faixa, é importante atravessar perpendicularmente às calçadas.

Antes de atravessar as ruas, deve ficar longe do meio-fio, em local visível, prestar atenção em carros parados ou outros objetos que possam estar bloqueando a visão, olhar para ambos os lados e estabelecer contato visual com o motorista, para se assegurar de que está sendo visto, e sempre obedecer e respeitar a sinalização de trânsito.

Acidentes também ocorrem em locais tranquilos

Atropelamentos e colisões podem ocorrer mesmo em condições ótimas de luminosidade, ruas e pistas secas em dias de climas favoráveis. Zonas residenciais com muitas crianças moradoras, que possuem desconhecimento e falta de maturidade para atravessar ruas, levam a esses acidentes (típico caso de moradores de loteamentos fechados). Por isso, os esforços devem se concentrar em locais seguros para as crianças brincarem, com supervisão, além de poderem atravessar as ruas somente após aprender as regras do trânsito.

Pais: melhores educadores do trânsito

Os programas educativos que envolvem os pais têm maior potencial de sucesso, pois possuem maiores modelos de bom comportamento através do exemplo e transmissão de conhecimento. Os Programas de conscientização e capacitação realizados pelos pais revelam resultados tão positivos quanto aqueles treinamentos formais realizados pela escola.

Campanhas NOS “condomínios fechados”

Intervenções educativas junto aos motoristas poderiam integrar uma abordagem mais abrangente junto à comunidade, principalmente visando aumentar a atenção dos condutores de veículos em áreas residenciais e nos períodos de maiores riscos.

Os programas também devem ser sensíveis do ponto de vista cultural e linguístico, sendo elaborados para que todos possam entendê-los. Por terem finalidade educativa, devem utilizar a linguagem empregada na comunidade e focar nas famílias que se mudaram recentemente, para que elas conheçam as ruas e seus perigos, além de tornar a vizinhança mais amigável e segura. Uma vez instituídas essas medidas, dependerão menos dos comportamentos individuais.

Iniciativas que promovem caminhadas e passeios de ciclistas fazem parte das medidas efetivas e deveriam ser prioridade em locais residenciais.

Outros planos como a formação de grupos de jovens moradores para auxiliar no controle de fluxo de automóveis nos locais e horários críticos têm se mostrado altamente produtivo no controle em curto prazo dos atropelamentos e na conscientização de todos em relação à segurança no trânsito.

Sinalização para um trânsito calmo

Medidas de melhorias do trânsito, que combinam modificações da engenharia do tráfego, sinalização, barreiras, acesso restrito a carros, desvio de fluxo e zonas de refúgio de pedestres, promovem a diminuição de velocidade dos veículos, além do aumento da atenção dos motoristas. Programas que visam deixar o trânsito mais calmo são capazes de reduzir em cerca de 11% as lesões letais e não-letais.

Conclusão

Contudo, mais do que o aumento do conhecimento dos perigos que a rua representa, as mudanças de comportamento, as modificações ambientais e o reforço das leis ao que se refere ao controle de velocidade conseguem um sucesso maior em proteger as crianças dos perigos do trânsito. Portanto, no caso especial dos Loteamentos Fechados, as autoridades policiais podem e devem ter acesso e serem chamadas em casos que necessitam o cumprimento da lei.

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