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Única maneira de ser boa mãe: assumir ser imperfeita

Publicado em: 5/05/2017

Aprenda a se autoavaliar e saiba quais são os oito itens que a farão naturalmente uma boa mãe

 

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Por Kate Kripke

Perfeccionismo. Oh, a pressão que colocamos em nós mesmos para sermos perfeitos! Se não perfeitos, então, pelo menos, bons. A frase “eu me sinto uma péssima mãe” ecoa pelas paredes do meu consultório todos os dias. E continua pairando no ar, mesmo quando as mulheres com quem eu trabalho vão embora. Mas essas palavras, por vezes, também parecem segui-las até a rua, entrar com elas no carro, acompanhá-las até suas casas e lá permanecer, atormentando-as durante a noite. Essa é uma frase muito poderosa.

Mas, o que realmente essa frase quer dizer? O que é, exatamente, uma “boa mãe”? É uma mãe que amamenta seu bebê até que ele tenha dois anos? É a mãe que nunca perde a paciência? A que fica em casa com os filhos? Ou aquela que volta do trabalho, consegue lidar com tudo e ainda é feliz?

Uma boa mãe é a que cozinha em todas as refeições? A que sempre põe os outros à frente de si mesma? É a mãe que está constantemente com um sorriso no rosto, a casa perfeitamente limpa, bolachas caseiras (e orgânicas) na cozinha e as roupas de cama perfumadas e guardadas antes mesmo de alguém notar que estavam sujas? Ou aquela que nunca dá açúcar a seus filhos e não os deixa assistir televisão?

Uma boa mãe é a que consegue manter um casamento feliz, com sexo frequente e encontros românticos, e ainda evita que os filhos briguem entre si? É a mãe que está sempre feliz, nunca triste ou zangada, a que não é ansiosa e parece saber exatamente o que fazer com seu filho em cada estágio do seu desenvolvimento? É aquela cujo bebê nunca chora? Aquela cujos filhos também são felizes?

Eu gostaria de conhecer uma dessas “boas mães”. Ia pedir um autógrafo.

Ao mesmo tempo que essas frases são extremistas, são frases que eu ouço muitas vezes no trabalho. Não é brincadeira, pessoal! A maioria de nós carrega pelo menos uma dessas expectativas conosco quando definimos uma boa mãe. O problema é que, geralmente, essas definições de boa maternidade não são nossas, são da sociedade. Ou das nossas próprias mães. Ou são as definições dos livros em nossa mesa de cabeceira. Do nosso pediatra, vizinho, marido ou da mulher que senta ao nosso lado na aula de música.

Donald Winnicott (1896-1971) um pediatra e psicanalista que, na minha opinião, trabalhou muito bem esse dilema. Ele estudou o desenvolvimento da criança e tem sido um líder no campo da saúde psicológica infantil. Winnicott acreditava que a perfeição não é perfeita. Dialogou e escreveu extensamente sobre o conceito da “mãe boa o suficiente”: uma mãe cujos erros e imperfeições levam à saúde psicológica e ao desenvolvimento social e emocional de seus filhos.

Dessa perspectiva, as mães precisam ser falhas e imperfeitas para que possam ensinar a seus filhos a importância do aperfeiçoamento. Para que eles aprendam a não ter medo de erros e conheçam o valor de aliviar (ou resolver) problemas. Dessa forma, se uma mãe fosse sempre perfeita e nunca cometesse erros, ela não daria a seu filho a oportunidade de aprender a perdoar, pedir desculpas, evoluir com os erros, amar incondicionalmente e ser humano. Em outras palavras, essa criança nunca aprenderá a ser quem ela verdadeiramente é. A imperfeição é uma coisa boa. Ouviu bem?! A imperfeição tem um valor extraordinário, pois é absolutamente fundamental para a evolução e uma característica de uma boa mãe.

Então, com essa definição, eu tenho uma proposta para você:

 

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Sem focar na perfeição, desprezando os radicalismos dos “não deve, “sempre” e nunca”, uma boa mãe deve buscar, do seu próprio jeito, seguir a lista abaixo.

 

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Kate Kripke é  especializada em saúde mental para gravidez. Fundadora do The Postpartum Wellness Center of Boulder – EUA e Coordenadora do Postpartum Support International – EUA

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