arquitetura e construção

A casa-jardim-tropical para convívio de três gerações

Publicado em: 5/05/2017

Projeto com prêmios internacionais reinterpreta a tradicional casa de luxo moderna e cria ambientes distintos para cada geração de moradores em um verdadeiro santuário tropical

 

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Por Marc Szeligowski

Selecionamos um projeto arquitetônico residencial, da tropical Singapura, feito pelo premiadíssimo escritório CHANG ARCHITECTS, que nos inspira pela sua inovação e conceito. Vencedor do 2016 Houses Awards, ele traz novas possibilidades para as casas de luxo e cria um ambiente de bom convívio entre os integrantes da família, além de ter um intenso contato com a natureza.

 

CORNWALL GARDENS

Localizada no Cornwall Gardens, em uma área residencial nobre chamada “Good Class Area Bungalow (GCBA)” in Singapura este premiadíssimo projeto apresenta formas inovadoras de se reinterpretar a tradicional casa de luxo moderna. O projeto busca maneiras de relembrar a alegria que é viver em uma região tropical, facilitar a vida conjunta em um cenário contemporâneo e interligar em uma só casa espaços sociais independentes pensados para cada membro de uma família de três gerações.

Segundo o cliente, o plano era que seus pais, quando se aposentassem, se mudassem para a casa, que tem 1.494 metros quadrados. E, quem sabe, seus três filhos, quando crescerem, também criassem suas famílias no local. Aberta e com verde para todo lado, a ideia era fazer um paraíso para a família. Até a cor do acabamento exigida pelo cliente também tinha esse intuito, a preferência era por tons naturais escuros, uma vez que eles ficam em sintonia com a natureza, além de não refletirem o sol ofuscante da região.

Em resposta aos pedidos do cliente e à estrutura do terreno, o plano original em forma de “L” foi estendido para um “U”, com espaços reorganizados para atender as necessidades da família. O objetivo é gerar uma sensação de privacidade entre as diferentes gerações e também com relação aos vizinhos. Mas, ao mesmo tempo, trazer coesão e senso de comunidade para todos que moram lá.

O terreno irregular apresentou dificuldades na hora de fazer uma casa para três gerações. No entanto, durante o processo de design, isso acabou se tornando inspiração, levando a uma série de vazios e fendas no projeto, que facilitaram a entrada de luz natural, tornaram o ambiente mais arejado e possibilitaram o cultivo de uma variedade maior de vegetação.

De frente para a rua Cornwall Gardens, a fachada leste é um retângulo de dois andares com aberturas para a rua. Ela é composta por troncos de carvão vegetal, que auxiliam na acústica e servem como barreira à poluição do ar, além de, como acreditam no Oriente, esse material produzir a chamada “qi”, que simboliza fortuna.

Do lado de fora, a estrutura foi feita a fim de intensificar o contato com a natureza, ou seja, a família e o meio ambiente compartilhando o mesmo espaço. Plantas e aquários estão espalhados pelo projeto, refrescando e deixando o ambiente mais agradável.

No hall de entrada, há uma parede vazada que imita uma cachoeira, assim, os visitantes são recebidos ao prazeroso som da água caindo.

Devido ao terreno em declive, os cômodos acabaram um tanto semelhantes a cavernas, o que facilitou a implantação de árvores. No projeto, essa era a intenção, fazer uma “cobertura verde” cheia de plantas em cascata, emoldurando a parte onde fica a piscina. É aí também que é feita a captação da água da chuva, para reutilizá-la na irrigação.

Os espaços internos ficam mais para cima, já a parte externa é contornada por uma varanda, que interliga plantas e telas de metal. Essa cobertura vazada permite uma interação com o interior, que fica parcialmente visível, além de possibilitar que as plantas cresçam em abundância, para além do espaço da varanda. Podendo ser apreciadas tanto por quem está fora, quanto por quem está dentro da residência.

 

Model

 

As varandas verdes fluem em uma ponte de pés de maracujá, que termina na mesma tela de aço, preenchendo as duas extremidades do “U”, com 16 m de comprimento e 6 m de altura. As vinhas verticais servem como sombra durante o pôr do sol, além de dar um pouco mais de privacidade à casa.

Enquanto a alta tecnologia e a produção em massa definem o setor imobiliário atual, esse é um lugar que celebra o artesanato. Sem deixar de atender os interesses dos membros da família. O acabamento das paredes é feito em diferentes texturas e com a utilização de troncos, onde estão gravados símbolos antigos da família. A porta principal, acompanhando o estilo das toras de carvão, é feita em ferro, já os corrimãos que levam ao convés foram pensados para combinar com as vinhas.

Alguns materiais e objetos da antiga casa foram mantidos e reutilizados na nova residência. A madeira foi reciclada para o chão e armários, velhas lâmpadas, janela e as portas também foram mantidas a fim de conservar as memórias do passado.

O resultado da casa excedeu as expectativas da família. Eles ficaram muito satisfeitos com os aspectos funcionais e estéticos, bem como com a energia e a emoção que o lugar traz. Os avós já se mudaram para lá e, agora, vivem com eles. A avó, que sofre de demência, está alegre e tem se comunicado com mais frequência. O lugar tornou-se um ponto de encontro para os parentes mais distantes.

A casa mostrou alternativas para redefinir a boa vida no luxuoso bairro moderno, deixando para trás os padrões tradicionais. Do mármore para o rústico, do reluzente para o artesanal. No entanto, as qualidades se mantêm, assim como os ideais da “vida de luxo”. A construção somente sugere novas formas de se ter uma boa vida, tanto no sentido físico, quanto no espiritual, a partir do momento que o contato com a natureza é intensificado.

Ela valoriza a família, além de refletir o espírito explorador e inovador do cliente, do arquiteto e do engenheiro. Demonstra o potencial que uma casa de família de multi-gerações (muito valorizada no Oriente, mas muitas vezes também buscada no Brasil), atendendo diferentes necessidades e desejos em um único cenário tropical e contemporâneo.

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