Entrevista Exclusiva

Phil Cummins, ativista e tatuador de renome internacional

Publicado em: 13/04/2017

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Phil Cummins trabalha há 20 anos com tatuagem e já ganhou mais de 50 prêmios em festivais do mundo todo. Ele é dono de três estúdios e idealizador do Traditional Tattoo and World Culture Festival. Atualmente, visita os mais diversos países com a namorada Joanna Mlynarczyk, que também é tatuadora, para conhecer novas técnicas e divulgar o trabalho dos dois.

 

Residenciais: O que te levou a se apaixonar por tatuagens?

Phil: Quando eu era criança, eu já achava fascinante as pessoas que tinham tatuagens, era a melhor coisa do mundo. Desde os 12 anos, eu sabia que queria aquilo para mim, mas só com 19 que comecei a me envolver com a prática.

 

Pergunta: Por que você acha que alguém faz uma tatuagem?

Phil: Isso vai de pessoa para pessoa. Sempre há um motivo por trás de uma tatuagem, às vezes é mais uma questão de estilo, mas também pode ter um significado mais profundo e cultural. Mas normalmente as pessoas fazem tatuagens para se sentirem bem e diferentes.

 

Residenciais: Vocês acham que fazer uma tatuagem pode ser visto como um tipo de ritual?

Joanna: Sem dúvidas. Por exemplo, os Maoris da Nova Zelândia usam a tatuagem como um rito de passagem. Quando um homem atinge uma certa idade, ele recebe uma tatuagem que representa sua tribo, sua família e as suas habilidades.

Phil: Mas mesmo hoje em dia também é um pouco assim. Quando você vai fazer a sua primeira tatuagem, é quase algo sagrado. É uma forma de você decidir o seu futuro, de certa forma, deixar a sua marca e de documentar a sua vida.

 

Residenciais: Vocês têm o The Antahkarana, que é um estúdio de tatuagem móvel. Como ele funciona?

Phil: Eu faço tatuagens e participo de festivais há muito tempo e, por isso, acabo conhecendo muitas pessoas, que me convidam para visitar tatuadores do mundo todo. Então, eu e a Joanna resolvemos conhecer alguns desses lugares, como Indonésia, Dinamarca, Austrália, dentre outros. Ficamos uma ou duas semanas, aprendemos novas técnicas e seguimos viagem.

 

Residenciais: O que vocês pensam sobre remoção de tatuagem?

Joanna: Pra mim a coisa mais emocionante da tatuagem é o fato de elas serem definitivas. Você faz boas e más escolhas e tem que conviver com elas. Todas contam uma história, são como memórias. Para mim, a remoção tira um pouco a essência do que é fazer uma tatuagem.

Phil: Eu penso como a Joanna, gosto da ideia da tatuagem ser algo permanente. É algo que me atrai desde criança, porque você não pode se livrar daquilo, tem que ter muita coragem. Eu gosto que a tatuagem te muda para sempre e que não tem como voltar atrás. Mas, se você realmente não quer mais, remover é única opção.

 

Residenciais: Vocês podem contar alguma história de tatuagem que marcou a vida profissional de vocês?

Phil: Quando eu ainda trabalhava no meu primeiro estúdio, um homem chamado Albert veio até mim dizendo que estava com câncer e que queria fazer a maior quantidade de tatuagens possível antes de morrer. Foram dois anos de trabalho até o câncer o levar, mas conseguimos cobrir grande parte das pernas, costas e peito. Ele era um homem incrível, foi um trabalho gratificante.

Joanna: Eu não tatuo há tanto tempo quanto o Phil, mas uma vez fiz uma tatuagem grande em ambas as pernas de uma mulher para cobrir várias cicatrizes de automutilação. Ela dizia que queria dar um fim a esse capítulo da sua vida. Para mim, foi uma bela experiência.

 

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