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CHIANTI RISERVA, UM VINHO DE GUARDA?

Publicado em: 13/07/2016

Um dos mais conhecidos vinhos do mundo, exibe uma nova e bem-vinda característica: pode ser um vinho de longa guarda

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Por Arthur Azevedo

Quando se fala em Chianti é inevitável não se lembrar dos tradicionais Chianti com base de palha, os Chianti Fiasco, que são perfeitos adornos para as indefectíveis cantinas italianas que se espalham por todo o Brasil.

A história do Chianti Fiasco tem origem nas primeiras garrafas de vidro produzidas para envasar o vinho, que eram sopradas e, portanto, tinham fundo redondo e por consequência não paravam em pé. A base de palha era feita à mão e se constituiu num apoio perfeito para o vidro redondo.

Isso é passado e nos dias de hoje os melhores Chiantis são vinhos modernos e elegantes, que exibem a inequívoca impressão digital do terroir da Toscana, em cujas colinas nos arredores de Florença, Siena, Arezzo, Pistoia e Prato estão plantadas as videiras de Sangiovese, a uva predominante em todos os Chianti, com porcentagens que variam de 70 a 100%. Outras uvas podem ser usadas, como Canaiolo, Colorino, Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, entre outras, inclusive brancas.

Atualmente são individualizadas sete subzonas de Chianti, a saber: Rùfina, Colli Fiorentini, Colli Senesi, Coline Pisane, Colli Aretini, Montalbano e Montespertoli, cada uma delas mostrando características peculiares, mas sem jamais perder a essência, o toque inconfundível do terroir da Toscana, moldado em solos muito particulares como o galestro, o alberese e o argiloso, puros ou em mesclas muito bem definidas, como é mais comum encontrar.

O clima da Toscana, com seus verões quentes e secos, colabora decisivamente para a perfeita maturação da Sangiovese, a mais plantada das varietais autóctones italianas e base de vinhos espetaculares, além do Chianti, tais como o Brunello di Montalcino e o Vino Nobile de Montepulciano.

Chianti Riserva um vinho de guarda?

Para responder essa intrigante questão o Consorzio del Vino Chianti promoveu, na 20ª edição da Expovinis, uma degustação de Chianti Riserva (vinhos com pelo menos 2 anos de amadurecimento na vinícola, geralmente em barricas e tonéis de carvalho de diferentes tamanhos e procedências), em safras que variavam de 2001 a 2013, de produtores conceituados de Chianti, com composição que ia desde Sangiovese 100% até exemplares que tinham Syrah em sua fórmula.

Várias conclusões puderam ser extraídas dessa histórica, e inédita no Brasil, principalmente no que diz respeito à longevidade dos Chianti Riserva. Todas as amostras, sem exceção, se mostraram muito vivas, com muito boa fruta e a maioria delas ainda com taninos muito perceptíveis, fato constatado pela ligeira adstringência, ou sensação de secura, no final de boca.

Uma característica comum a todos os vinhos degustados foi o delicioso perfil aromático, com notas de cereja perfeitamente maduras e delicados toques florais. A marcante acidez também deu o ar da graça em todas as amostras, sendo parte importante da história, pois graças a ela, juntamente com os taninos e com o álcool, os vinhos resistiram bravamente ao tempo, como foi o caso dos Chianti Riserva das safras 2003 e 2001.

Impressionante foi constatar que todos os vinhos ainda tinham respeitáveis níveis de fruta, fato que também contribuiu para os sabores agradáveis que permearam toda a degustação.

Perfeitos para a combinação com comida, os ecléticos vinhos de Chianti são ótima companhia para uma ampla gama de pratos, desde os indefectíveis pratos de massas com molho de tomate, carnes, pizzas clássicas, sanduiches de frios nobres e pratos típicos da Toscana, como a Bisteca Fiorentina, a Papa al Pomodoro e a Trippa ala Fiorentina.

Aos poucos o Chianti, em seus diversos estilos, volta a ocupar um lugar de honra entre os vinhos italianos no Brasil, graças à sua excepcional qualidade, aromas instigantes e sabores deliciosos. E lembre-se, os grandes Chianti Riserva vão se beneficiar, e muito, com algum tempo de guarda em adegas climatizadas.

 

 

 

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