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Uma guerra contra o açúcar e o sódio

Publicado em: 5/06/2013

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Por LIGIA TUON, filha de José Carlos e Regina Foto DANIELA DE MORAES, mãe de Lorenzo

Um achocolatado, duas bisnaguinhas com presunto e três bolachas recheadas. O lanche da escola está pronto, mas saiba que seu filho estará levando na lancheira uma quantidade excessiva de sal e açúcar. Se antes de sair de casa ele ainda tiver comido cereal açucarado no café, já terá consumido 878 mg de sódio – quase metade do total recomendado por dia para um adulto – e quatro colheres cheias de açúcar (57,6 g) antes mesmo de almoçar. Esse tipo de dieta, muito comum nos lanches escolares, é pobre em nutrientes e rico em açúcar e sódio. São alimentos que acabam sendo adotados pelas mães por serem considerados práticos para o dia a dia. A luta dos nutricionistas, no entanto, é provar que não é bem assim. “Uma bisnaguinha, por exemplo, pode ser trocada por um pão integral”, ressalta Débora Rosa, filha de Regina e Luiz Felipe e nutricionista especializada em nutrição infantil e materna. “Comer corretamente é uma questão de hábito. Se a criança for acostumada desde cedo com alimentos naturais, as chances de exagerar nos doces depois é menor”, diz Manuela Dias, filha de Suely e Manoel e nutricionista técnica da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

Os conservantes são feitos à base de sódio, por isso estão presentes em produtos prontos.

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Sal por todos os lados
O sal está em exagero nos pratos brasileiros. Pesquisa feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2009 mostra que o consumo de sódio no país por pessoa é de até 5 gramas (5 mil miligramas) diárias – maior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de, no máximo, 2 g (2.000 miligramas) por dia. Para crianças, as quantidades de sal devem ser ainda menores. “De 1 a 3 anos, o consumo seguro é de, no máximo, 1 g (1.000 miligramas) por dia. De 4 a 8 anos, a criança pode comer um pouco mais, 1,2 g (1.200 miligramas) por dia”, aconselha Denise Sekiya, mãe de Isabella e nutricionista do Hospital Samaritano de São Paulo.

Todo alimento industrializado contém sódio na sua composição, já que os conservantes são feitos à base dessa substância. O que significa que suco de caixinha, salsicha, biscoito, refrigerante, pão de queijo congelado e todos os outros tipos de produtos que já vêm prontos ou semiprontostêm sódio em sua composição. “O fabricante quer deixar o produto parecido com o natural e, para isso, precisa usar o sal para conservá-lo”, explica Manuela. “Os níveis de açúcar, calorias e sódio nos refrigerantes são muito elevados, e o sódio está também em corantes usados nas gelatinas e em adoçantes artificiais. Alimentos naturais, portanto, reduzem muito o consumo diário de sódio”, lembra a nutricionista Débora.

De olho nos rótulos
O primeiro passo importante para eliminar excessos é prestar bastante atenção nos rótulos. A variação do teor de sódio para um produto semelhante de diferentes marcas pode ser bem grande. “Um detalhe interessante é que a lista das embalagens está em ordem decrescente de acordo com a quantidade de cada ingrediente, o que facilita na hora de comparar”, afirma Manuela. Outra mudança deve vir dentro de casa. “As pessoas têm o costume, por exemplo, de colocar um saleiro em cima da mesa na hora das refeições, o que leva a um descontrole”, alerta Artur Figueiredo Delgado, pediatra e nutrólogo, filho de José e Jacy. Estudos têm demonstrado que o uso de sal refinado na comida leva a chances de hipertensão na vida adulta, principalmente se o hábito for adquirido na infância. Para o especialista, o destaque entre os campeões de sódio é o macarrão instantâneo. “Misturado com o tempero que vem na embalagem, ele traz a quantidade de sódio máxima que um adulto deveria comer num dia”, revela.

Para melhorar o cardápio brasileiro, o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) assinaram um documento que estabelece metas nacionais para a redução do teor de sódio em alimentos processados no país. “É a terceira etapa do acordo que o Ministério da Saúde firmou para oferecer alimentos industrializados mais saudáveis, e prevenir o desenvolvimento de doenças crônicas na população, sobretudo entre os mais jovens”, conta Denise. O compromisso prevê a redução em temperos, caldos, cereais matinais e margarinas vegetais, e a estimativa é retirar mais de 8 mil toneladas de sódio do mercado brasileiro até 2020.

O doce vilão
O açúcar de mesa, aquele que acrescentamos na comida, é chamado de sacarose. No entanto, há outros que não vemos, como os carboidratos – pães e massas em geral. “O carboidrato é mais difícil de contabilizar, por isso, é bom evitar alimentos açucarados”, aconselha Delgado. A massa da bisnaguinha, por exemplo, é um carboidrato que vira açúcar no corpo. “Esse carboidrato é refinado e, no processo, perde as fibras para ficar mais leve e solúvel. Por isso, prefira carboidratos integrais, que têm uma digestão mais lenta, por causa das fibras, e aumentam a sensação de saciedade”, explica Débora. Mas não são só as bisnaguinhas e os doces os vilões das dietas infantis. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) coletou 95 alimentos industrializados, a maioria consumida com frequência por crianças, e constatou que apenas seis tinham um nível baixo de açúcar. Entre eles, as gelatinas de morango, mas que, por outro lado, têm edulcorantes, o que significa um alto nível de sódio. “Bolos, cereais, achocolatados, queijos, farinha láctea, refrigerantes e até sucos de caixinha devem ser consumidos com moderação ou até evitados”, acrescenta a nutricionista Manuela.

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Os parâmetros para a classificação dos produtos são da FoodAgency Standard (FSA), agência reguladora do Reino Unido, que separa os alimentos de acordo com a presença de açúcar na composição em três categorias: baixo, médio ou alto teor. Em alguns países, as empresas já colocam essa classificação na própria embalagem, para ajudar o consumidor na hora da escolha. Enquanto isso não acontece no Brasil, é preciso redobrar a atenção na hora da compra.

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