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Corpo em movimento, saúde em equilibrio

Publicado em: 7/06/2013

Por Suzana Albuquerque

A Revista Residenciais esteve com o professor Ivaldo Bertazzo, que nos recebeu na sede da Escola do Movimento – Método Ivaldo Bertazzo,  localizada na região de Perdizes,  em São Paulo. Atuando há vários anos na área, Ivaldo é muito reconhecido por seu trabalho de reeducação corporal, principalmente com pessoas comuns, educadores, artistas e outros profissionais de várias áreas. Simpático e cheio de energia, Ivaldo é uma pessoa com grande carisma. Generoso, revelou com exclusividade, aos nossos leitores, alguns cuidados básicos e necessários para o melhor funcionamento do corpo.

Priscila Prade

Além de promover cursos para educadores físicos, Ivaldo Bertazzo já publicou dois livros sobre reeducação do movimento: “Corpo Vivo” e “Cérebro Ativo”. Foto: Priscila Prade

Ivaldo considera fundamental ter consciência do próprio corpo, e reintroduzir o ritmo no nosso dia a dia, em busca de combater o desequilíbrio que há entre o uso do intelecto e o uso do corpo.

“No cotidiano nós temos um uso intelectual imenso, que precisa de uma sensação temporal e rítmica no corpo. A perda do ritmo é nociva para a respiração e circulação, e a ausência dessa mobilidade rítmica estressa muito o intelecto. O intelecto precisa de ritmos e sensações motoras muito diferentes. O pensamento precisa disso para se restaurar”. E o melhor a fazer é prestar atenção aos corretos movimentos corporais e cotidianos que fazemos com o corpo. “A perda de ritmo causa má circulação, má drenagem nas pernas, problemas de desequilíbrio da válvula mitral, de batimentos cardíacos, respirações insuficientes”, comenta o professor.

Ivaldo - Milla Petrillo

Ivaldo Bertazzo – Foto: Milla Petrillo

Mas não basta só se movimentar. Ivaldo reconhece que com a vida agitada de hoje, e com tantas academias por aí, as pessoas estão fazendo mais exercícios. Segundo o mestre, o que falta ainda é uma consciência corporal que está ligada a um problema educacional. “É preciso informar. Assim como todo mundo sabe como é importante escovar os dentes pra não criar tártaro, deveria saber que precisamos dessa relação ritmo temporal a cada meia hora, quarenta minutos. Falta o entendimento dessa necessidade”, revela.

Cultura de corpo
Segundo Ivaldo, o corpo está a serviço do psiquismo e do intelecto, e tem um grande potencial que é funcionar automaticamente. “Essa habilidade é um potencial que outras espécies não têm. Como as pessoas funcionam no piloto automático, nunca reciclam o software. Então elas precisam reciclar ou reparar, e dar um upgrade no software”, brinca Ivaldo, referindo-se ao fato das pessoas não buscarem diferentes experiências motoras e sensações corporais, que ele define como “cultura de corpo”. “As pessoas não põem isso como propósito de bem estar, e vão envelhecer tremendo, com doença de pânico, incertas nas distâncias, e cada vez mais medrosas com os seus gestos. Esse medo fragiliza o psiquismo. O medo é físico”, afirma.

O professor ilustra que o corpo tem vigas de sustentação para permitir um funcionamento, e atenta sobre a importância do uso que se faz do mesmo.

Fotos Marcia Alves

“As pessoas têm que se preparar para o seu envelhecimento, porque elas vão viver mais”, afirma o professor. Foto: Marcia Alves

“Têm pessoas que não devem fazer tanto abdominal. Outros não devem fazer tanto exercício com os braços. Tomar certos cuidados decorrentes do desenho da pessoa é importante, porque cada tipologia tem coisas bem desenvolvidas e coisas menos desenvolvidas. É preciso respeitar o seu tipo físico, para não insistir em exercícios padrões, e que podem ampliar suas patologias. Uma pessoa que faz academia, mas de forma errada, é melhor nem fazer. Vai caminhar na rua! É necessária uma direção precisa. Um olhar clínico”.

Tarefas cotidianas ajudam
“As pessoas têm que se preparar para o seu envelhecimento, porque elas vão viver mais”, alerta Bertazzo e diz que as pessoas devem prestar atenção redobrada nos cuidados com o corpo. “Os índices de artroses, lesões e inflamações estão maiores, e que tiram o conforto. Como o meu corpo vai suportar meu envelhecimento? A gente espera que seja do melhor jeito”, enfatiza.

Ivaldo apresenta algumas pequenas tarefas cotidianas, mas que fazem uma diferença enorme para o bom funcionamento do corpo. “É fundamental perder tempo se escovando no banho, e ter um banquinho para apoiar e escovar a perna, quadril, coxa, que fica muito tempo amassado, sentado. Circulação e respiração se resolvem numa escovada no banho, e no jeito de se enxugar”, conta o professor, que recomenda passar a toalha por traz das costas, ao se enxugar, como se estivesse dançando um twist.

Ivaldo Bertazzo - Gal Oppido

Segundo Ivaldo, o corpo está a serviço do psiquismo e do intelecto, que precisa de ritmos e sensações motoras diferentes para se restaurar. Foto: Gal Oppido

“Em algum momento da sua semana você também deve ir para a cozinha, trabalhar manualmente, ou arrumar o quarto, ou passar uma roupa. Essas sensações mais sutis. Olhar e ação são muito importantes para ajudar, inclusive, na digitação”.

Bertazzo destaca que andar de bicicleta também é fundamental, pois faz a pessoa “lutar” com o osso e manter o equilíbrio. “A cidade tem pouco urbanismo saudável e estrutura para andar de bicicleta. Mas a bicicleta ajuda muito no combate ao envelhecimento do equilíbrio”.

E para os preguiçosos que não gostam de subir escadas, mesmo que sejam poucos lances, atenção ao rígido professor: “Se você tem que subir até dois andares, não pegue o elevador. Vá pela escada. Um pouco que você sobe de escada por dia, sem pressa, sem bater no degrau, faz um bem absurdo. Ao subirem dois lances de escada, as pessoas reclamam do cansaço. A gente que entende, acha bom, pois sabe que vai sair mais secreção do corpo”, comenta o mestre.

Método Bertazzo
O professor molda o curso conforme a necessidade dos alunos. Treina educadores físicos, em que aborda tudo sobre o movimento, e tem cursos específicos para quem fica muito tempo sentado, por exemplo, com exercícios voltados para a região dos quadris, para melhorar a postura. E quando o assunto é criança, ele se empolga: “Você pode direcionar o trabalho psicomotor mais para o arte educador, professor de escola, para ele saber reconhecer se a deficiência cognitiva do aluno é postural, se é desconforto com o corpo, o que traz dificuldade na escrita. O nosso sonho é ter o professor educador de sala de aula aprendendo os conceitos de psicomotricidade. Não para ele se tornar um terapeuta, mas para ter um olhar sobre o corpo do aluno”, diz. Quando Ivaldo oferece o curso, dirige mais os exercícios para entender como ampliar a concentração de uma criança, como diminuir a hiperatividade dela, como ajudá-la a ter respiração, foco de olhar e bem estar na carteira.

“É muito bom o reconhecimento do meu trabalho. Por isso que eu me detenho em ensinar professores, ensinar a educadores. Trago a experiência de 35 anos, com diferentes situações de alunos, e casos de problemas muito distintos”.

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Além de promover cursos para educadores físicos, Ivaldo Bertazzo já publicou dois livros sobre reeducação do movimento: “Corpo Vivo” e “Cérebro Ativo”. Repletos de image, ambos mostram o passo a passo de cada exercício, elaborado em função do famoso método que leva seu nome, e que é utilizado há mais de 30 anos. “Uso de uma linguagem simples, de modo que um leigo, que nunca teve experiência corporal, possa entender o exercício e fazer.” Bertazzo comenta que o próximo livro abordará os estímulos a pele, ao osso e ao músculo. “Esse é para encerrar!”, diz empolgado.

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