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Artrite tem idade?

Publicado em: 9/04/2013

Por Nathália Donegá Ilustração Ana Paula Barros

 

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Dores articulares, inchaço, perda de mobilidade, vermelhidão e aquecimento das regiões das articulações. Estes são alguns dos sintomas da artrite, classificada como qualquer inflamação que ataque uma determinada articulação, e que pode afetar tanto os mais velhos, quanto os mais jovens.

De acordo com o membro da Sociedade Paulista de Reumatologia e professor da Puccamp (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Rubens Bonfiglioli, existem várias doenças reumáticas que apresentam a artrite em seu quadro.

Cristiano Zerbini, reumatologista do Hospital Sírio Libanês, afirma que a artrite pode ser infecciosa, gota ou reumatóide. A última é a mais comum e, segundo o profissional, não tem causa definida, surgindo a partir de uma alteração no sistema imunológico. Rubens explica que as causas da artrite são variadas. “Pode ser por doenças auto-imunes, isto é, condições em que os pacientes desenvolvem uma reação contra o seu próprio organismo, condições infecciosas, condições metabólicas, causas degenerativas que surgem com o avanço da idade, entre outras.”, exemplifica.

O membro da Sociedade Paulista de Reumatologia alerta que a artrite pode ser evitada dependendo da doença causadora. “Deve ser avaliado se a pessoa tem familiares portadores de alguma doença que apresente artrite. Exercícios físicos e acompanhamento médico especializado também ajudam”, comenta Rubens. Já o reumatologista do Hospital Sírio Libanês afirma que, no caso da artrite reumatóide, não há maneiras de se prevenir. “Não há prevenção para a artrite reumatóide, pois não sabemos as causas desta doença. No caso das outras, podemos evitar, como a gota, que é causada por elevações de ácido úrico no sangue. Podemos avaliar o paciente e solicitar algumas mudanças na alimentação”, diz Zerbini.

Mércia Brandão tem 47 anos e é professora. Ela foi diagnosticada com artrite há 15 anos, os lugares mais afetados são os joelhos, pés e mãos. A professora diz que o começo da doença foi bastante difícil, assim como o tratamento que foi marcado por fases de queda de cabelo e ganho de peso. “Hoje tomo medicação que combate a dor, a insônia, a ansiedade e os processos inflamatórios recorrentes”, comenta a professora. As dores recorrentes começaram quando a professora tinha apenas 27 anos. No início os médicos diziam que as dores eram causadas por falta de exercícios físicos. Mércia buscou aulas de jazz, mas não conseguia dançar por conta das dores. “Enfim, conversando com uma amiga que descreveu os sintomas dela, fui encaminhada para a mesma médica e consegui tratamento, que aliviou muito as dores constantes”, comenta a professora.

Artrite juvenil
É importante ressaltar que esses sintomas também podem aparecer em jovens. Rubens Bonfiglioli explica que pessoas de qualquer idade podem ter doenças reumáticas que apresentem artrite. Entre os exemplos de casos em jovens, existem a Artrite Idiopática Juvenil, que atinge exclusivamente pessoas com até 16 anos, o Lupus Eritematoso Sistemico, que acomete mulheres entre 15 e 35 anos, e a Espondilite Anquilosante que ataca mais homens ente 20 a 50 anos.

Cristiano separa a artrite reumatóide em dois tipos: a juvenil, que se manifesta até os 16 anos, e a adulto, sofrida após os 16. Mas ele lembra que a maior incidência da doença é observada na fase adulta. “Quando há casos em crianças, os principais sintomas são inchaço nos joelhos e mãos, e normalmente elas são encaminhadas para o ortopedista, que examina o caso e encaminha para um reumatologista”, explica. Já a artrose, chamada hoje de osteoartrite, é uma doença que pode apresentar artrite e envolve pessoas mais velhas, acima dos 50 anos.

Tratamento
De acordo com o professor da Puccamp, Rubens Bonfiglioli, o tratamento para a atrite é variado. “Pode englobar desde simples anti-inflamatórios, corticóides, quimioterapia, agentes que bloqueiam as respostas inflamatórias atuais, chamados de drogas biológicas”.

Apesar de o tratamento aliviar as dores, a professora Mércia tem seu próprio estilo de vida em função da artrite. “Há muitas coisas que não posso fazer: pular corda, andar de bicicleta, usar salto, tudo que sempre adorei. Meus programas têm que ser adequados aos meus horários”. Por ter mais dores pela manhã, ela acorda às 4h para levantar às 5h e fazer movimentos para facilitar a movimentação. Além disso, ela não anda rápido, não dirige e não pega filas, pois estas tarefas pioram suas dores. De acordo com Cristiano, as dores que Mércia sentem pela manhã são chamadas de rigidez matinal, e podem persistir de 1 até 3 horas. Outro sintoma comum da artrite reumatóide são as dores de forma simétrica, ocorrendo dos dois lados do corpo, e atingindo tanto as pequenas quanto as grandes articulações.

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