bem estar

Em pé de guerra com a saúde

Publicado em: 11/12/2012

Por Nathália Donegá Fotos Marcela Godoy

Você já parou para pensar quanto tempo do seu dia você passa sentado? Não. Então, é bom começar a fazer as contas, pois ficar muito tempo em frente à televisão ou trabalhando longas horas com o computador ligado pode afetar seriamente a sua saúde.

A Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu que a cada hora que uma pessoa passa sentada, depois dos 25 anos, reduz a expectativa de vida em 21 minutos.

Jacob Veermant, responsável por conduzir os estudos, concluiu que um adulto, que passa seis horas diárias sentado, vive quase cinco anos a menos que uma pessoa que não passa este tempo todo sentada. A previsão se aplica mesmo àqueles que fazem exercícios regularmente.

Outro estudo sobre o tema, publicado no jornal científico “Diabetologia”, da Associação Europeia de Estudo em Diabetes, revisou 18 pesquisas que levavam em consideração o período em que a pessoa permanece sentada em frente à TV ou no trabalho. O resultado apontou que um adulto passa entre 50% e 70% de seu dia sentado, e as pessoas que passam mais de sete horas diárias sentadas têm um aumento de 112% no risco de desenvolver diabetes, 147% no risco de doenças cardiovasculares e 49% no risco de morrer prematuramente mesmo que se exercitem regularmente.

Alexandre Oliveira, professor de Educação Física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que o problema de permanecer muitas horas sentado implica em menos tempo gasto em atividades físicas. “Quando falo de atividades físicas não me refiro somente àquelas estruturadas como exercícios físicos, mas também a tarefas como lavar o carro, passear com o cachorro, limpar a casa, entre outras. Ou seja, quanto mais tempo passamos sentados, menor será nosso gasto energético.” Isso significa que a relação entre gasto energético e doenças metabólicas é bastante estudada, portanto, quanto menos gasto energético, mais doenças metabólicas o indivíduo pode desenvolver.

Marcos Tambascia, professor de Endocrinologia da Unicamp, concorda e é enfático ao afirmar que o problema não é o fato de ficar sentado, e sim o sedentarismo. “Pessoas que trabalham sentadas são obviamente mais sedentárias que os trabalhadores braçais”, explica. Segundo ele, o estudo quantificou o tempo do sedentarismo com a média de perda de anos de vida.

Afinal, o sedentarismo está associado ao ganho de peso e à obesidade. “Particularmente à obesidade visceral, ou seja, o acúmulo de gordura dentro do abdome está associado com uma condição metabólica conhecida com o nome de resistência à insulina. Isso significa que a insulina, hormônio que controla os níveis de glicose no sangue, tem seu efeito muito reduzido.”

O sedentarismo está diretamente ligado à obesidade e ao aparecimento de diabetes tipo 2, que se associa com a hipertensão arterial e o aumento dos níveis de colesterol e triglicérides no sangue. Essa associação de fatores de risco cardiovasculares é a razão do infarto do miocárdio, a principal causa de mortes hoje no mundo.

Televisão e hábitos nada saudáveis

Quando estamos sentados há uma redução do nosso metabolismo corporal, pelo fato dessa posição resultar em pouco gasto energético, pois poucos músculos trabalham quando estamos nesta situação. Mas este não é o único problema. Permanecer sentad diante da televisão é um agravante por conta do hábito de muitas pessoas comerem o famosos “snacks”, como os salgadinhos, que são ricos em gordura saturada e açúcar, agravando o risco de doenças cardiovasculares e diabetes. “Quando a pessoa se alimenta na frente da televisão temos outro problema, pois esse tipo de hábito leva o individuo
a ingerir mais alimento durante suas refeições, uma vez que a televisão pode reduzir a sensação de saciedade”, completa Marcos Tambascia.

A movimentação do corpo possui relação positiva com a manutenção da saúde. “Movimentar-se significa manter em atividade os músculos esqueléticos e todos os sistemas fisiológicos, trabalhando de forma otimizada para gerar o movimento.” O professor acrescenta que as atividades cotidianas, chamadas de atividades físicas não estruturadas, ajudam na prevenção de doenças crônicas, e as atividades físicas estruturadas, como o exercício físico, não só previne o desenvolvimento de doenças, como também funciona como forma de tratamento para elas.

“O exercício físico é capaz de promover aumento da sensibilidade à ação do hormônio insulina, o que ajuda na redução de medicação em paciente com diabetes tipo 2”, explica Alexandre Oliveira. A atividade física também ajuda na redução da pressão arterial, previne formas de câncer, reduz o colesterol ruim e aumenta o bom. O ideal é se exercitar um pouco todos os dias. “O melhor a se fazer é tentar praticar atividades físicas regularmente, 250 minutos por semana, preferencialmente 50 minutos por dia, divididos em atividades aeróbicas, como caminhada, corrida, bicicleta e natação, e
neuromusculares, como musculação e pilates”, orienta o professor.

Já as pessoas que trabalham em pé acabam se movimentando com mais frequência, afastando o sedentarismo mais facilmente. A atividade física programada, como a musculação, é extremamente importante, mas atualmente a atividade não programada, que consiste em andar, subir escadas, está mais valorizada. “Manter-se mais ativo nas atividades diárias também é essencial para a prevenção dos fatores de risco cardiovasculares”, observa o endocrinologista.

COMO PROLONGAR A VIDA
Pratique pelo menos 50 minutos de atividades físicas por dia
Evite escadas rolantes e elevador
Diminua sua carga à frente da televisão e do computador
Evite comer snacks
Realize tarefas como lavar o carro, passear com cachorro, aparar o jardim, limpar a casa etc

OS NÚMEROS DO SEDENTARISMO
O adulto passa entre 50% e 70% de seu dia sentado:
112% mais riscos de desenvolver diabetes
147% mais riscos de doenças cardiovasculares
49% mais riscos de morrer prematuramente

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