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Não curti

Publicado em: 14/07/2012

Por Isabela Reis Fotos Ricardo Lenta

Por incrível que pareça, muita gente gosta de privacidade nas redes sociais. Por isso, preferem não aceitar convites de estranhos. Até aí tudo bem. O problema aparece quando você não está disposto a manter uma relação de amizade na internet com pessoas conhecidas, como, por exemplo, colegas de trabalho, amigos da faculdade etc. Porém, como recusar um convite sem ofender? Nessas horas é importante encontrar uma maneira de ser educado, mas também não passar por cima de suas vontades.

Portanto, o essencial é transportar a etiqueta convencional para o mundo virtual. “A etiqueta também pode ser chamada de ética dos pequenos detalhes. Assim sendo, o que vale para a vida real, vale para a virtual. Respeitar para ser respeitado e tratar o outro como gostaria de ser tratado são conceitos básicos de etiqueta que valem tanto no ambiente online quanto offline”, diz Janaína Depiné, consultora de etiqueta.

Além disso, os cuidados na rede devem ser redobrados. “A internet funciona como um megafone em praça pública. Tudo que se fala é amplificado. Mais ainda: pode ser reproduzido e muitas vezes fica registrado em sites de busca, deixando um rastro digital da trajetória de uma pessoa na web”, explica o estrategista em marketing na internet, Gabriel Rossi.

Tomar a decisão de recusar ou não um convite depende da rede social. No Twitter, por exemplo, a quantidade de seguidores é sinônimo de popularidade. Se a sua conta não for protegida qualquer um poderá segui-lo, portanto não se preocupe. Se perceber que alguém inconveniente está trazendo problemas, simplesmente bloqueie, sem medo.

Já no Facebook a questão não é quantidade, mas qualidade. Como é uma rede que favorece uma maior exposição não se deve deixar informações disponíveis a qualquer um. O ideal é aceitar apenas aqueles a quem conhece ou tem interesse em conhecer melhor. “Afinal, a partir do momento em que você aceitar um anônimo ou pessoa distante, eles terão acesso as suas postagens, fotos e comentários. Se o sujeito não é íntimo porque deixar participar da sua intimidade?”, comenta Janaína.

A estudante universitária Marina Gimenes tem extrema dificuldade em recusar algum conhecido nas redes sociais. “Penso que é falta de educação. E mesmo não querendo que aquela pessoa tenha acesso às minhas informações mais íntimas postadas na rede, acabo aceitando o convite”, revela. Ela diz ainda que considera a recusa como uma ofensa e se coloca no lugar de quem pretende ser seu amigo na rede. “Não costumo enviar convites de amizade para pessoas que não tenho intimidade, mas se enviasse e fosse recusado acho que ficaria um pouco magoada”.

Os especialistas, no entanto, afirmam que, como as redes sociais são ferramentas de comunicação muito às claras, a regra é simples. Seguimos quem tem um conteúdo que nos interessa. Portanto, não é uma questão pessoal, mas de estratégia no uso da rede. Sendo assim, não seguir não ofende.

Beatriz Von Zuben, também estudante universitária, resolve muito bem a questão. Ela faz um rígido controle no momento de aceitar convites de amizade nas redes sociais, e recusa, sem traumas, pessoas que não são de seu interesse. “Recuso a proposta de amizade, porque, apesar de conhecidas, não tenho mais contato. São apenas pessoas conhecidas. Não tenho obrigação de nada”, afirma.

Mas, se você preferir aceitar o convite à dica é recorrer às ferramentas de privacidade de cada rede. No Facebook, por exemplo, é possível separar os contatos por listas e determinar o que os membros de cada uma poderá ver do perfil e das atualizações. Essa seria uma alternativa para garantir a discrição, não ser mal educado e ao mesmo tempo não se expor para pessoas que não gostaria. “Na prática, o internauta pode manter o contato para não ser indelicado, mas restringir tudo que é visto”, analisa Gabriel Rossi.

A etiqueta no meio virtual

Apesar de todo este cuidado na hora de adicionar amigos, os especialistas advertem que é preciso ficar atento com o que se publica nas redes sociais, para não se expor tanto para aqueles que mantêm contato, mesmo sendo familiares ou amigos íntimos. Pode ser comprometedor.

São muitas as regras a serem seguidas, mas as básicas são essenciais, como evitar postar conteúdo em excesso. Não é recomendável compartilhar tudo o que gosta o tempo todo. Frequentemente essa ação lota a timeline dos usuários e torna sua presença inconveniente nas redes. O ideal é ter uma média de três postagens por hora. Mais do que isso denota que você tem tempo ocioso demais.

Também é importante ter cuidado com conteúdos irrelevantes, como postar informações sobre o que você está comendo, se está na academia ou na rua, fotos de pratos de comidas, de bebidas etc. As pessoas buscam se relacionar virtualmente com perfis que agreguem algum tipo de conteúdo. Aproveite essas ferramentas especialmente para defender seus ideais, divulgar trabalhos ou visão de mundo.

Mesmo que seu público seja composto na maioria de amigos e familiares, sempre é um risco à sua segurança revelar detalhes da intimidade. Cuidado também para não ser marqueteiro demais. Ficar supervalorizando seus feitos como se você fosse à pessoa mais bem sucedida do mundo soa falso. Ninguém se dá bem todos os dias e ponto final. Portanto, se valorize com moderação.

Além disso, tenha critério na postagem de fotos pessoais e cuidado para não prejudicar sua imagem, postando fotos íntimas, em trajes de banho ou de praia, com bebidas ou na farra. Lembre-se que se seus amigos estão vendo isso, seu chefe e cliente também.

Outra dica que vale a pena é não tratar a rede social como terapia. Se a sua vida é um mar de problemas é hora de pedir ajuda. Procure um terapeuta, amplie o círculo de amizades, mas nem pense em lamentar dia após dia sobre as suas lamúrias na internet. Gente baixo astral cansa.

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