comportamento

A raiva no trabalho

Publicado em: 14/06/2012

Por Ricardo Piovan Ilustração Ricardo Lenta

Imagine o seguinte acontecimento: um colega de trabalho não concorda como você conduz determinada tarefa ou projeto e envia um email discordando de forma agressiva com cópia para o departamento todo, incluindo o seu gerente e o diretor. Quem ainda não passou por esta situação?

Após a leitura deste email, provavelmente, você fica com muita raiva, este sentimento que nos acompanha desde o tempo das cavernas, mas que ainda é muito acionado nos dias de hoje. Lembre-se de que a raiva possui dois lados, o negativo e o positivo e você pode escolher qual deles utilizar.

O lado negativo da raiva é exatamente o embate com um forte desejo de vingança e, provavelmente, você irá clicar no botão “responder a todos” e iniciar uma discussão com seu interlocutor. Acredite caro leitor, nesta ação não está a tal da inteligência emocional. Provavelmente, serão trocadas réplicas e tréplicas deste email e a energia de ambos será utilizada de forma errada sem foco na solução do problema. Infelizmente, existe na nossa cultura a crença de que aquele que fala mais alto é o ganhador da discussão, mas a inteligência emocional demonstra que as coisas não são bem assim.

O lado positivo da raiva é saber canalizar esta energia para a solução do problema e não para a discussão insana do problema. Uma forma simples e assertiva para resolver este processo é simplesmente responder ao seu colega de trabalho, com cópia para todos, que discorda de algumas observações destacadas no email e que irá procurá-lo pessoalmente ou por telefone para resolverem tal assunto e posteriormente informará aos demais as tomadas de decisões. Pronto, aí está a assertividade, energia no local correto, na solução e não no aumento do problema. Tenha certeza que os outros colegas e seus superiores perceberão que a postura que você tomou é assertiva e focada na resolução da adversidade.

Possivelmente, você está pensando agora: “mas Ricardo, eu não agüento, o impulso da resposta agressiva é automático”. Concordo com você, mas a inteligência emocional está em você conter este momento, talvez contanto até dez, ou mesmo até cem, dependendo do caso. Já discutimos sobre o sequestro da amígdala e com certeza, neste momento de fúria a sua amígdala está dando ordens emocionais a você, e, quando você dá um tempo para reflexão, o córtex pré-frontal entra em ação tornando-o mais racional e, consequentemente, assertivo. Outra dica valiosa para este processo é você verbalizar com tranquilidade a este parceiro de trabalho de que as coisas não precisariam chegar a este nível e que ele poderia tê-lo procurado com o problema para juntos encontrarem uma solução. Este feedback pode impedir que outros acontecimentos do mesmo formato se repitam no futuro.

A inteligência emocional não está em não sentir raiva, pois o normal é senti-la, mas na forma de canaliza-la utilizando-a como energia para a solução dos problemas.

Colunista:
Ricardo Piovan  é palestrante e coach organizacional. Autor dos livros Resiliência – Como Superar Pressões e Adversidades no Trabalho e o Livro do Líder Completo

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