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Para evitar surpresas na conta bancária, planeje gastos com filho

Publicado em: 13/04/2012

Por Vanessa Correia

A pequena Valentina, de um ano e quatro meses, ainda não sabe, mas tem sua educação universitária garantida. Seus pais, Rodrigo e Maria Augusta, poupam R$ 1,2 mil por mês para custodiar as despesas com a universidade. “Eu e minha mulher começamos a poupar desde o nascimento da Valentina. Mas devíamos ter iniciado antes”, avalia Rodrigo Antonangelo, sócio da agência de marketing digital Dynamo.

A preocupação de Antonangelo é justificável. De acordo com levantamento do Instituto Nacional de Vendas e Trading Marketing (Invent), considerando um padrão de vida enquadrado como classe A, os pais gastam cerca de R$ 2,02 milhões com um filho, do nascimento aos 23 anos. Somente com o ensino superior, o montante despendido é de R$ 115,2 mil.

“Todo casal que decide constituir família precisa se planejar financeiramente. Isso é necessário considerando que educação de qualidade custa caro”, destaca Régis Braga, professor de finanças pessoais do Insper.

Os pais de Valentina se planejaram para ter entre US$ 100 mil e US$ 150 mil ao final do ensino médio da filha. “Com esse valor, ela poderá estudar em uma universidade no exterior”, exemplifica Antonangelo. A preocupação dele não é puramente financeira. “Independente do curso ou universidade que a Valentina escolher, o importante é ela ter esse colchão que lhe dará segurança na tomada de decisão.”

Para fazer o tempo trabalhar favoravelmente aos gastos projetados, a escolha da aplicação financeira em que os recursos iniciais serão aportados para formação de poupança é relevante. Antonangelo pensou nisso. “Considerando que a mensalidade de uma universidade gira em torno de R$ 1,5 mil, optamos por produtos que corrijam o montante investido de forma que, na época de utilizá-lo, cubra o valor exigido por mês”, explica o pai da Valentina, que junta lotes mensais da poupança e os aplica em papéis do Tesouro Nacional.

Contudo, o professor de finanças pessoais do Insper diz que os pais que se programa cedo podem ser mais arrojados na escolha da aplicação, considerando que o horizonte de resgate dos recursos é de longo prazo. “Até os oito anos, os pais podem manter os recursos alocados em ativos de risco. A partir de então, anualmente, podem reduzir em 10% a exposição em renda variável de forma a ter, aos 18 anos, 100% alocados em renda fixa”, sugere.

Essa é uma forma de iniciar a jornada de poupança com menos capital. Afinal, se for considerado apenas o rendimento de caderneta, os pais já devem ter o filho com consideráveis R$ 504 mil na poupança, segundo cálculos do professor da escola de economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP), Samy Dana.

Se a preocupação for apenas o ensino superior — cerca de R$ 115,2 mil —, os valores mensais variam conforme o início das aplicações. Se a economia for feita assim que o filho nasce, bastam R$ 825 mensais. Se tiver início quando o filho completar cinco anos, o montante é de R$ 972 e aos 10, R$ 1.279. O valor mensal sobe para R$ 2.227 se a economia só começar aos 15 anos do filho. “Quanto antes os pais começarem a economizar, melhor será”, destaca Dana.

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