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Continuidade nos estudos entra no currículo dos executivos

Publicado em: 11/12/2011

Por Claudia Bredarioli

Terminar uma faculdade já não representa necessariamente o fim da vida acadêmica no Brasil. Se há alguns anos a conclusão do ensino superior era privilégio de poucos no país, hoje cumprir essa etapa já não parece suficiente para a formação profissional e, principalmente, para buscar as melhores vagas no mercado de trabalho. Como resultados desse cenário, são cada vez mais crescentes o número e a variedade da oferta de cursos de pós-graduação que se espalham por todo o país. “Hoje a economia demanda educação. Todas as áreas se tornam globais e isso acirra ainda mais a concorrência entre os profissionais”, diz Santiago Iñiguez de Onzoño, presidente do IE — uma das principais escolas de negócios da Espanha.

“Minha percepção é que o Brasil tem todas as condições para formar profissionais de alta qualidade. Tem também necessidade disso, especialmente agora que o desemprego no país praticamente não existe mais.” Neste sentido, o aperfeiçoamento dos brasileiros via pós-graduação vem em todos os níveis, seja nos cursos definidos como strictu senso (que são formados por mestrados e doutorados) ou nos chamados lato sensu, que são as especializações.

Em dezembro de 2010, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), divulgou um panorama positivo para os cursos de mestrado (acadêmico e profissional) e de doutorado de todo o país. Foram analisados 2.718 programas — 20% mais que no levantamento anterior — e a qualidade deles melhorou. A maior parte (33,9%) obteve nota 4 em uma escala que vai de 1 (pior) a 7 (melhor). O crescimento dos considerados excelentes e com qualidade de nível internacional, que recebem nota 6 ou 7, foi de 35,4% (de um total de 321). No ano passado, segundo dados do Censo da Educação do Ministério da Educação (MEC), foram registradas 173.408 matrículas em cursos de pós-graduação no país.

A maioria busca cursos de especialização, que, inclusive, também podem ser ministrados por instituições que ofereçam ensino à distância. De acordo com o MEC, o Brasil possui mais de 8.866 cursos deste tipo, sendo a maior parte (89,5%) ministrada em Instituições de Ensino Superior (IES) particulares, segundo os dados mais recentes, de 2007.

A região Sudeste concentra o maior número de cursos ofertados (4.955), seguida por Centro-Oeste e Nordeste (1.232 e 1.224 cursos, respectivamente). Todas as Instituições de Ensino Superior existentes no Brasil podem oferecer cursos de pós-graduação, que somam 2.314, já que eles independem de qualquer tipo de autorização, reconhecimento ou renovação de reconhecimento do MEC. Aquém do necessário, mas, mesmo que seja positivo o registro crescimento em quantidade e qualidade na oferta de cursos de pós-graduação, o cenário ainda está longe do que se esperaria de uma nação em crescimento pujante como é o caso do Brasil.

Calcula-se que o país teria de formar ao menos 20 mil doutores por ano. No ano passado, contudo, apenas 12 mil pós-graduandos receberam o título de doutor e 41 mil, o de mestre — e, apesar de estar abaixo da expectativa, esses números mostram que o país dobrou a quantidade de formados em doutorado em 10 anos. O investimento em pesquisa também ficou aquém do esperado. A previsão era de que somassem ao menos 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas não ultrapassaram de 1,25% em 2010.

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