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O paraíso perdido

Publicado em: 10/11/2011

Por Lúcia Anderson Fotos Marcos Leandro Amaury

Yunnan significa “sob as nuvens”. Yunnan é também o nome da província mais bonita de toda a China. A fama faz sentido. Grandes planícies, montanhas, céu azul como eu nunca tinha visto e ar puro (uma raridade naquele país) fazem de Yunnan parte de parada obrigatória em qualquer viagem ao Império do Meio.

A cidade da primavera sem fim

A capital chama-se Kunming, mas é conhecida mesmo pelo singelo apelido de a cidade da primavera sem fim por seu constante clima agradável e sua farta vegetação. O ar da capital de Yunnan é considerado o melhor entre todas as capitais do país. Em Yunnan, as cidades mais famosas são Dali, Lijiang e Shangri-lá. Eu fui para as duas últimas e gostei muito, mas me apaixonei mesmo por Shangri-lá.

Horizonte Perdido

Shangri-lá é um lugar descrito no livro “O Horizonte Perdido” do autor britânico James Hilton, como um vale místico, de beleza única, ar puro e céu extremamente azul. O termo Shangri-lá virou sinônimo de “Paraíso na Terra” e de um lugar isolado do mundo e onde todas as pessoas são felizes e quase imortais, vivendo anos além do tempo de vida normal e só muito lentamente envelhecimento na aparência. A palavra também evoca a imagem de exotismo de Oriente.

Diversas cidades mundo afora quiseram pegar o título de Shangri-lá, mas, em 2001, o governo chinês, em uma bela jogada de marketing para aumentar o turismo na região, mudou o nome da cidade de Zhongdian, no norte de Yunnan, perto do Tibete, para Shangri-lá. Deu certo.

Céu e a lua no coração

Shangri-lá, ou Xiānggélǐlā em chinês, significa o céu e a lua no coração, em tibetano. Fica a 3200 metros acima do mar, quase na divisa da província de Yunnan e do Tibete. É um pouco difícil chegar à cidade. Primeiro é preciso pegar um trem de 12 horas da capital, Kunming, até Lijiang. De lá, mais 5 horas de ônibus por estradas sinuosas. Mas vale a pena. O lugar é realmente belíssimo e um paraíso perdido.

Montanhas, pastagens e muito verde circundam a cidade.

Como quase todas as cidades antigas da China, há um centro antigo com ruas de pedras onde carros são proibidos e com muitas lojinhas e restaurantes típicos. O lugar também serve como ponto de partida ou chegada para quem vai ou acaba de voltar do Tibete. Conheci diversos viajantes que passaram por Lhasa, a capital tibetana. Outro passeio imperdível.

Apesar de Shangri-lá ser uma cidade turística, não há tantas coisas assim para se fazer, mas aí é que está o mais interessante. A cidade não tem aquela loucura das cidades turísticas da China: todas entupidas de gente, com filas em absolutamente todos os lugares, centros comerciais etc.

Paz e silêncio

O melhor a se fazer para aproveitar tudo que Shangri-lá tem a oferecer é alugar uma bicicleta e pegar um mapa. O rio Napa e as pastagens ao redor dele ficam a cerca de dez quilômetros da cidade. Em pouco mais de uma hora, é possível chegar ao lugar pedalando. Paz. Silêncio. Céu azul. É tudo que quem mora em cidade grande precisa. E de quebra, você ainda pode ver tibetanos andando de um lado para o outro. Todos com roupinha típica. Muito lindo!

Os tibetanos são extremamente simpáticos. Como há pouquíssimas pessoas nas ruas, quando se vê alguém é natural parar e conversar um pouquinho. Seja para pedir informação, seja só para cumprimentar mesmo. Todos os tibetanos com que conversei ofereceram para que eu conhecesse a casa deles e fosse tomar chá de manteiga, uma bebida muito consumida nas altas altitudes da China.

Culinária e echarpes

A culinária da região é muito rica em gordura (para suportar o frio e as altas altitudes) e come-se muito carne de iaque, uma espécie de bovino com longa pelagem encontrado na região do Himalaia. Os tibetanos usam o animal para quase tudo: fazem queijos e tomam seu leite, comem a carne e usam a tração para o transporte.

Em Shangri-lá, é muito comum macarrão com iaque, bolinho recheado de carne de iaque e arroz frito com a carne do animal. Vegetais, legumes e frutas são caros e raros de se encontrar na região. Além disso, por toda a cidade há pessoas fazendo lindas echarpes no tear. Cores vivas entrelaçadas foram uma peça muito bonita. Pode-se comprar uma echarpe feita à mão por cerca de R$ 20.

Lijiang: lojinhas e centro histórico

As cidades mais turísticas de Yunnan são Dali e Lijiang. Ambas têm um centrinho histórico cheio de lojinhas e restaurantes e rios que cortam a cidade por todos os lados. Chegar a Lijiang é mais fácil do que parece. Há dois meios: pegar um avião diretamente de Kunming, capital provincial, ou de trem-leito. Recomendo o trem.

A viagem de 12 horas é muito confortável e você ainda tem a chance de ver como os chineses viajam. Uma cama em um vagão leito sai por menos de R$ 60. Aventura! Em Lijiang, uma das melhores coisas é andar pelo centro histórico e se perder nas vielas da cidade. Mas, infelizmente, a cidade é lotada de turistas. Principalmente chineses. Grupos e mais grupos enchem cada cantinho do lugar.

O passeio mais bonito que fiz na cidade foi no Black Dragon Pool. Um parque com um belíssimo lago, pontes em estilo antigo e pequenos templos. Lindo, lindo, lindo. Passei a tarde inteira lá (com milhares de turistas chineses), mas valeu a pena. Agora você já sabe: em seu próximo passeio à China, coloque Yunnan em seu roteiro. E boa viagem!

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