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Os novos vinhos oceânicos do Chile

Publicado em: 30/09/2011

Por Arthur Azevedo, em Santiago

Tendência irreversível entre os jovens enólogos do Chile, a busca por novas e diferenciadas regiões de plantio têm sido a responsável direta pela descoberta de áreas até então inexploradas, que têm dado origem a vinhos de extraordinária qualidade e destacado caráter.

Dentre estas novas áreas, destacam-se as localizadas nas proximidades do Oceano Pacífico, que se beneficiam com a brisa fria que sopra do mar, resfriado pela Corrente de Humbolt, que caprichosamente se desloca desde a Antártica, criando um microclima único, que propicia o plantio de uvas brancas, tais como Sauvignon Blanc e Chardonnay, e de tintas de clima frio, em particular a personalíssima Pinot Noir, uma das grandes estrelas do portfólio chileno nos últimos anos.

Em visita ao Chile, estivemos no novíssimo projeto do conceituado produtor MontGras, muito conhecido dos brasileiros pelos excelentes tintos produzidos em Colchágua, em especial, no impressionante vinhedo Ninquén e no Maipo, próximo à pequena cidade de Linderos, origem do Intriga, um espetacular vinho de Cabernet Sauvignon.

Este projeto, denominado Amaral, foi implantado em 2006 no coração do Vale de Leyda, perto de San Antonio, com o único propósito de produzir vinhos brancos de categoria premium. Para conduzir o projeto, a MontGras designou o jovem e entusiasta enólogo Jaime de La Cerda, que se entregou de corpo e alma a descobrir os segredos do solo dos 650 hectares de terras onde estão plantadas as videiras de Sauvignon Blanc e Chardonnay, assim como da Pinot Noir.

Dos estudos do solo, foi possível descobrir diferentes composições e origens, especialmente os depósitos de aluvião do Rio Maipo, caracterizados pela imensa quantidade de pedras e os solos de granito originados da Cordilheira da Costa. Cada um destes terrenos confere diferentes características aos vinhos, dando ao enólogo ampla possibilidade de produzir vinhos de raro frescor e elegância.

E isso é exatamente o que se encontra nos dois vinhos já disponíveis no mercado brasileiro do Projeto Amaral. O primeiro deles é um puríssimo Amaral Sauvignon Blanc, fermentado em aço inoxidável, com uso de gelo seco para proteger o vinho contra a oxidação, preservando integralmente os delicados aromas e sabores da varietal. O resultado é um vinho fresco e saboroso, com muita fruta e ótima persistência, companhia perfeita para frutos do mar, em especial os do Pacífico, de sabor inigualável. Seu companheiro é o Amaral Wild Fermented Chardonnay, também fermentado em aço inoxidável, mas com leveduras naturais, com as quais o vinho permanece em contato por 9 a 10 meses. Intenso e elegante, o Amaral Chardonnay tem bom volume de boca, ótima fruta e destacada persistência.

Os vinhos do Projeto Amaral, assim como a linha completa da MontGras, são trazidos ao Brasil pela Bruck Importadora, de São Paulo, e pelo Angeloni, de Santa Catarina. Mais informações em www.amaralwines.cl .

Arthur Azevedo é diretor da Associação Brasileira de Sommeliers-SP, editor da revista Wine Style e do website artwine www.artwine.com.br

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