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Fondue: um desafio para o vinho

Publicado em: 8/06/2017

O inverno é uma estação do ano em que as pessoas estão mais propensas a consumir alimentos mais calóricos, geralmente em ambientes mais aconchegantes. Dentro deste contexto, os fondues assumem um importante papel, pois além de serem deliciosos, permitem longas conversas ao redor da simpática panelinha, proporcionando bons momentos para os participantes.

 

fondue de carne

 

Por Arthur Azevedo

Uma das dúvidas mais comuns com relação a esta deliciosa invenção dos suíços, é  qual seria o melhor vinho para acompanhar o ritual. Para se obter a resposta a esta complexa questão, temos que recorrer aos princípios básicos da harmonização enogastronômica, ou seja, a combinação de vinho e comida.

Primeiro, temos que fazer uma distinção entre os principais tipos de fondues: de queijo, carne ou chocolate. Os primeiros, mais tradicionais, são preparados com diversos tipos de queijo, fundidos lentamente em fogo brando, dando como resultado uma massa deliciosa e muito saborosa. A principal característica do fondue de queijo é a untuosidade, proporcionada pela gordura do queijo, que acaba revestindo a língua e dificultando a apreciação de vinhos tintos, especialmente os mais tânicos e de baixa acidez, bastante comuns nos dias de hoje. Neste caso, as opções mais interessante são os espumantes e os vinhos brancos de acidez mais elevada e bom corpo, que têm estrutura suficiente para enfrentar a textura do fondue e frescor para compensar o elevado teor de gordura e untuosidade do prato. Boa escolha seria uma Cava Brut, um espumante clássico da Espanha, produzido com as uvas Macabeo, Parrelada e Xare-lo, que geralmente tem boa estrutura, acidez refrescante e delicados aromas de frutas secas e tostado. Se a opção for pelo vinho branco, a escolha poderia ser um chardonnay da Austrália, fermentado em barrica, em sua melhor forma costuma apresentar aromas de frutas maduras, entremeadas a baunilha e manteiga, sabor intenso e muito elegante. Outras opções seriam os modernos vinhos brancos do Alentejo ou da Bairrada, baseados em uvas como Arinto, Antão Vaz e Bical. A Espanha poderia contribuir com seus intensos brancos, elaborados com as uvas Albaríño (de Rias Baixas) e Verdejo (de Rueda). Ainda na seara dos brancos, não se esqueça dos elegantes Bordeaux Brancos, geralmente cortes de Sémillon e Sauvignon Blanc e dos sofisticados brancos alemães, produzidos com a nobre Riesling, em diferentes versões. Como se vê, opções não faltam.

No entanto, se você for daqueles que não abre mão dos tintos, prefira os de maior acidez e menos taninos, como os Pinot Noir do Novo Mundo ou os tintos de Cabernet Franc do Vale Loire, aromáticos e de boa acidez. Boa pedida seriam os novos e frutados tintos da Espanha, produzidos com uvas muito interessantes como a Monastrell e a Garnacha, em regiões como Jumilla ou Campo de Borja. Mais atual, impossível. Ainda na Espanha, um Rioja tradicional, com alguns anos de adega, não faria feio nesta harmonização. Em Portugal, dê uma chance para os frutados e saborosos tintos da Península de Setúbal, macios e com taninos sutis.

Já o fondue de carne pede vinhos tintos mais estruturados e com taninos maduros, plenos de frutas maduras, como por exemplo: Shiraz da Austrália, Malbec argentino, Cabernet Sauvignon do Chile ou Merlot brasileiro. Ainda na ala dos tintos, lembre-se dos sofisticados vinhos à base de Touriga Nacional, de Portugal; dos intensos e potentes Ribera del Duero e Priorato da Espanha e dos super-toscanos da Itália. Os complexos Cabernet Sauvignon do Napa Valley também certamente serão boa escolta para o fondue de carne.

Por fim, vamos ao fondue de chocolate, onde as frutas conferem ao prato grande diversidade de sensações. Aqui é imperativo um vinho fortificado e doce. Boas opções seriam um bom Porto LBV, ou um Madeira Malmsey ou ainda um delicioso e doce Jerez Pedro Ximenez

Boa diversão !!! E não se esqueça da lareira e de escolher bem as companhias.

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