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A “Pílula Da Ginástica” nova substância abre caminho para inventá-la

Publicado em: 8/06/2017

Uma nova pesquisa descobriu um composto químico que traz os benefícios do exercício. É evidente que a atividade física é crucial quando se trata de melhorar e manter a saúde. Muitos indivíduos com mobilidade limitada, teriam os benefícios dos exercícios regulares

 

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Por Honor Whiteman – EUA

Pesquisas da Salk Institute for Biological Studies em La Jolla, California, EUA, descobriram um composto químico que pode ativar um gene normalmente estimulado ao fazer exercício.

Ao ativar esse gene – chamado PPAR delta (PPARD) – em camundongos sedentários, os pesquisadores conseguiram imitar os efeitos benéficos da atividade aeróbica, como o aumento da resistência e a queima de gordura.

O autor principal Ronald Evans – do Gene Expression Laboratory at Salk e o Howard Hughes Medical Institute em Chevy Chase, MD – e seus colegas, disseram que suas descobertas avançam para a possibilidade da “pílula do exercício” se tornar uma realidade – isto é, uma droga que pode simular os benefícios do exercício físico.

Evans e seus colegas relataram recentemente suas descobertas no jornal Cell Metabolism. As diretrizes atuais recomendam que adultos participem de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade aeróbica intensiva a cada semana, a fim de melhorar a saúde geral e a forma física.

De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), no entanto, apenas 49% dos adultos nos Estados Unidos atendem a essas recomendações.

Embora grande parte desse fracasso seja reduzido a uma falta de motivação, para alguns indivíduos – como idosos ou pessoas com problemas de mobilidade – estas recomendações de exercícios são simplesmente inatingíveis.

O novo estudo, no entanto, revela que os mecanismos fisiológicos incluem os benefícios da atividade aeróbica e sugere que estes podem ser ativados sem realmente se exercitar.

 

ENCONTRADO GENE QUE GERA RESISTÊNCIA FÍSICA

Em pesquisas anteriores, Evans e seus colegas descobriram que o gene PPARD desempenha um papel na resposta do corpo ao exercício aeróbico.

A equipe descobriu que os ratos que tinham o gene PPARD ativado permanentemente correram maiores distâncias e demonstraram uma maior resistência aeróbica – isto é, a capacidade de manter a atividade aeróbica ativa por períodos mais longos antes de se esgotar. Os roedores também demonstraram resistência ao ganho de peso, bem como uma maior resposta à insulina, que são ambos indicadores de aptidão física.

Além disso, os pesquisadores descobriram um composto químico chamado GW1516 (GW) , que ativa o PPARD em camundongos normais.

No entanto, o composto – administrado nos roedores ao longo de um período de mais de  4 semanas – não impulsionou a resistência, apesar de simular a manutenção do peso e a capacidade de resposta da insulina observada em camundongos com um gene PPARD ativado permanentemente.

 

SUBSTÂNCIA AUMENTOU RESISTÊNCIA EM 70%

Nesse novo estudo, Evans e equipe se propuseram a investigar se doses mais altas de GW,  administradas durante um período mais longo, poderiam aumentar a resistência aeróbica e a aptidão física

Os pesquisadores deram uma dose aumentada de GW para ratos sedentários durante oito semanas e submeteram-os a um teste de esteira. A sua resistência aeróbica foi comparada com a dos camundongos sedentários que não receberam o composto (os controles).

Os pesquisadores descobriram que os ratos que receberam GW conseguiram exercitar-se por cerca de 70% mais que os controles antes de ficarem cansados, foram 270 minutos contra 160 minutos.

A equipe descobriu que ambos os grupos ficaram exaustos quando seus níveis de açúcar no sangue caíram para cerca de 70 miligramas por decilitro. Além de sugerir que níveis baixos de açúcar no sangue desempenham um papel na fadiga induzida pelo exercício, essas pesquisas sugerem que a GW pode proteger contra esse efeito.

Em seguida, os pesquisadores analisaram a expressão do gene nos músculos dos camundongos em resposta à GW.

Eles descobriram que o composto aumentou ou suprimiu a expressão em 975 genes. Eles mostraram um aumento na expressão incluindo aqueles relacionados à decomposição e à queima de gordura.

 

O MOTIVO DOS ATLETAS FICAREM EXAUSTOS

A equipe ficou surpresa ao descobrir que genes suprimidos em resposta a GW incluíam aqueles associados com a quebra de carboidratos para a produção de energia.

Segundo os pesquisadores, isso indica que o caminho da PPARD faz o açúcar parar de ser uma fonte de energia em atividade muscular durante a atividade física, com o intuito de salvar açúcar para o cérebro.

Os pesquisadores explicam que o processo de queima de açúcar é mais rápido que o processo de queima de gordura, já que o corpo tende a usar glicose como fonte de energia primária. No entanto, durante a atividade física, o corpo precisa preservar glicose para ajudar na manutenção da função cerebral.

As novas descobertas sugerem que a trajetória PPARD auxilia no processo, e isso ajuda a explicar por que alguns atletas ficam esgotados – os cérebros deles não estão recebendo glicose o suficiente.

“Esse estudo sugere que a queima de gordura é menos um condutor de resistência que um mecanismo compensatório para conservar glicose”, diz co-autor sênior Michael Downes, do Gene Expression Laboratory at Salk. “PPARD está suprimindo todos os pontos que estão envolvidos no metabolismo do açúcar no músculo assim que pode ser redirecionado para glicose no cérebro, preservando o seu funcionamento”.

 

OS BENEFÍCIOS DO EXERCÍCIO SEM O ESFORÇO FÍSICO

Embora mais estudos são necessários para determinar a segurança e a eficácia da ativação do PPARD em humanos, os pesquisadores acreditam que suas descobertas abrem caminhos para drogas que podem imitar os efeitos da atividade física.

“Exercício ativa o PPARD, mas demonstramos que ele pode ser também ativado sem treinos mecânicos. Significa que você pode melhorar a sua resistência ao nível equivalente a alguém em treinamento, sem todo o esforço físico”

Autor principal Weiwei Fan, Gene Expression Laboratory, Salk Institute

Os pesquisadores estão bem conscientes de que suas descobertas poderiam ser exploradas por atletas que desejam aumentar a sua resistência aeróbica, mas eles dizem que também poderiam trazer benefícios para os indivíduos que são incapazes de exercer atividade física, reduzindo seu risco de doenças crônicas associadas à falta de exercícios.

“O exercício é valioso para uma enorme gama de problemas de saúde”, diz Evans. “Com o resultado dessa pesquisa, podemos imaginar o que uma terapia com essas possibilidades poderia trazer de benefícios para a saúde das pessoas incluindo a cura de inúmeros males. O maior potencial desta descoberta é que ela pode ter aplicações ilimitadas”.

Honor Whiteman. Jornalista da equipe do MNT, MEDICAL NEWS TODAY – EUA. Suas publicações são isentas de qualquer financiamento de empresas, instituições ou interesses comerciais.

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