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Tatuagem: a revolução do feio para o belo!?

Publicado em: 13/04/2017

Outrora marca das feras e bestas, hoje a marcadas belas e dos cool. Temos de encarar esse tema

 

Por Graça Antonini

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Não adianta negar, a tatuagem já é quase uma epidemia no mundo ocidental. Essa tinta escorre mais e mais em todas as classes sociais, em várias idades, em todas as famílias. Não dá mais para evitar, temos de discutir o tema em casa. Buscamos pesquisas, a palavra de comportamentalistas e entrevistamos um dos maiores tatuadores e ativista do mundo, Phil Cummins, para entender, opinar e avaliar esse fenômeno mundial, que já nos bate à porta.

A tatuagem existe há milhares de anos, desde os homens pré-históricos, mulheres egípcias e escravos. Mas a marginalidade disseminou essa técnica: piratas, bandidos, aventureiros desqualificados, ou seja, a escória.

Hoje, paradoxalmente, a tatuagem passa por um espetacular processo de purificação, redenção e quase que uma angelização. Até os jovens de fino trato entregam-se para a implacável e eterna agulha.

Atualmente, segundo Viren Swami, um psicólogo da University of Westminster, associar a prática da tatuagem a somente certos grupos sociais é um mito, a tatuagem é comum nos mais diversos tipos de personalidade, até mesmo entre os mais velhos.

 

Mas o que leva alguém a se tatuar ?

Uma pesquisa feita na Alemanha, em 2012, diz que uma a cada cinco pessoas tem pelo menos algum tipo de desenho no corpo e que, na maioria das vezes, são sujeitos mais extrovertidos e com necessidade de se sentir únicos. A psicóloga e psicanalista Fátima de Freitas cita um professor da University of Massachusetts, chamado Kirby Farrel, para explicar a ambiguidade por trás da tatuagem. Há quem a faça para pertencer a um grupo e há quem a use para se diferenciar das outras pessoas. Farrel comenta que ela pode ser uma forma de aceitação, especialmente entre os adolescentes. A tatuagem possibilita que você seja igual e, ao mesmo tempo, mantenha a sua singularidade.

Já os psicanalistas Mario e Diana Corso apontam a tatuagem como uma forma de não esquecer algo ou alguém. É comum as pessoas buscarem em símbolos a força necessária para lidar com momentos difíceis, como a perda de um ente querido. Assim como Freud notou que os que mais sofriam com a guerra eram aqueles que não carregavam consigo marcas visíveis, a tatuagem também pode ser uma forma de eternizar, de vestir aquilo na pele a fim de assimilar e amenizar a dor.

Mas também ela pode ser simplesmente uma forma de se enfeitar. Hoje em dia, expor a pele é algo mais comum, e a tatuagem é uma maneira de se mostrar e de se sentir bem consigo mesmo. Segundo um estudo feito pelo The Harris Poll, rabiscar o corpo está diretamente ligado à autoestima. Dos entrevistados que têm tatuagem, 30% se sentem mais sexy, 25% mais rebeldes e 8% se acham mais inteligentes.

 

Ainda , o preconceito social gera arrependimento

Embora 86% daqueles que fazem tatuagem não se arrependam depois, o receio ainda existe. Um exemplo claro é a dificuldade que os tatuados por vezes têm de encontrar um trabalho, uma vez que muitos continuam a ver com maus olhos as gravuras na pele. É por esse e outros motivos que, assim como subiu o número de pessoas que se tatuam, também aumentou a busca pela remoção a laser.

De acordo com um relatório da IBISWorld, o processo de remoção de tatuagem cresceu 440% dos últimos dez anos, nos Estados Unidos. Em entrevista ao Estadão, a Dra. Adriana Benito, médica-chefe da Pró-Corpo Estética Avançada, explica que o laser consegue eliminar o desenho quebrando a tinta em micropartículas, que são eliminadas pelo corpo. Dessa forma, com o passar das sessões, a tatuagem vai sumindo.

No entanto, é um processo demorado, são necessárias de 4 a 12 sessões com intervalos de 60 dias. Segundo a Dra. Benito, a dor costuma ser a mesma ou até maior à de fazer a tatuagem. Além disso, a remoção custa caro e pode causar mudanças na coloração da pele, deixando marcas.

 

Pesquisas : prós e contras

Quanto à questão da saúde, há tanto estudos positivos quanto negativos que envolvem a prática da tatuagem. A Revista Exame, por exemplo, publicou um relatório da Comissão Europeia que revela que a maioria das tintas utilizadas para fazer tatuagem não são fabricadas para o contato com a pele e podem causar danos, ainda mais se expostas a raios ultravioletas e a laser. De acordo com a Comissão, embora apenas 5% tenha chance de ter infecção após fazer uma tatuagem, os problemas podem vir a aparecer até décadas mais tarde.

Por outro lado, um estudo da University of Alabama descobriu que, a cada novo desenho na pele, o corpo melhora a sua resistência, favorecendo o sistema imunológico da pessoa. Dessa maneira, a pesquisa aponta que aqueles com mais de uma tatuagem costumam ter menos chances de desenvolver infecções e novas doenças.

Corpo para chamar de seu

Seja para ajudar a superar questões do passado, para imortalizar sentimentos ou melhorar a autoestima, a decisão de fazer uma tatuagem deve ser puramente pessoal. Os comportamentalistas Mario e Diana Corso dizem que marcar o corpo pode ser uma maneira de resistência e de mostrar uma identidade. Decidir o que fazer com o próprio ser reforça a ideia de que você é o seu próprio dono. A tatuagem, ao contrário do nosso nome e mesmo da nossa genética, que nos são dados, é algo que depende de uma escolha pessoal. Tatuar-se é uma forma de estampar a sua personalidade e de deixar que os outros vejam quem você é e quem você quer ser.

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