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É verão, é tempo de rosés

Publicado em: 13/03/2017

Cada vez mais apreciados pelos brasileiros, os vinhos rosés finalmente conquistam um lugar de destaque no mercado brasileiro

 

Rose da Provence - foto Francois Millo

 

Por Arthur Azevedo

O verão vai chegando ao fim, mas as altas temperaturas parecem que não foram avisadas desse fato, uma vez que estamos vivenciando uma época de recordes sobre recordes de temperatura, em todo o Brasil.

Nesses momentos sempre fica a dúvida se o verão é época de se beber bons vinhos, seja somente para refrescar ou para harmonizar com as delicadas e saborosas comidas da estação. A resposta? Claro que é, sempre é tempo de se beber bons vinhos…

A escolha óbvia recairia sobre os espumantes e os brancos, sem nenhuma dúvida adequados para a estação mais quente do ano, e também para as épocas de frio, uma vez que estes vinhos têm lugar garantido à mesa durante todo o ano.

Mas hoje a ideia é falar de rosé, esse delicado e delicioso, vinho, que tem aromas e sabores de uva tinta, com pouca estrutura e corpo leve, como os mais sutis vinhos brancos.

Existem duas maneiras de se elabor vinhos rosés, a sangria e a pressurage, métodos que se bem empregados produzem ótimos exemplares, mas de caráter bastante diferente.

É importante conhecer o que cada método tem a oferecer e também as particularidades dos vinhos a que dão origem. Para tanto, vamos fazer um breve passeio pelos dois métodos.

O rosé por sangria é o mais antigo e o mais tradicional, e também o mais simples de se produzir. Vamos partir de uvas tintas, que serão colhidas em sua plena maturidade, levadas à vinícola, selecionadas, desengaçadas (ou seja – é feita a separação dos bagos da uva da estrutura do cacho, que é conhecido por engaço), esmagadas e colocadas em um tanque para fermentar.

Na casca das uvas estão a cor, o aroma e o sabor, e no caso do rosé por sangria o segredo consiste em extrair aromas e sabores, com pouca extração de cor. A limitação do método é exatamente esta: como extrair bons aromas e sabores, sem extrair a cor, uma vez que o contato da casca com o líquido acontece durante boa parte do processo. Há ainda o risco de se extrair os taninos da uva tinta, dando ao rosé um toque amargo e algo adstringente, nada agradáveis.

Uma vez que o enólogo decida que esse contato da casca com o líquido produziu os efeitos desejados, se faz a sangria do tanque, ou seja, a transferência do líquido levemente colorido para um tanque limpo, onde se dá a fermentação alcoólica e se produz o vinho rosé.

Modernamente, o método de escolha para a produção dos melhores rosés é a pressurage, método no qual as uvas, colhidas, selecionadas e desengaçadas da mesma maneira anteriormente descritas, são colocadas numa prensa pneumática, e não em um tanque, em baixa temperatura. A prensagem é feita muito lentamente e o que se obtém é um suco de uva tinta (o mosto do rosé) de cor muito delicada, com ótimos aromas e sabores, e sem o risco de se extrair os indesejáveis taninos amargos e adstringentes.

O melhor exemplo dos rosés de pressurage são os clássicos rosés da Provence, delicados e deliciosos, hoje facilmente encontrados no Brasil, além de vinhos de outras procedências inclusive brasileiros, produzidos com o método.

Do que vimos, fica a dica para o consumidor para prestar atenção na cor dos vinhos rosés – lembre-se, as garrafas são transparentes. Prefira os rosés mais claros e com tons de salmão, são os melhores. E não se esqueça de verificar a safra. Rosés são vinhos delicados e devem ser consumidos muito jovens, de preferência no mesmo ano da produção (os brasileiros e do hemisfério sul) ou até um ano depois da safra (os europeus e do hemisfério norte).

Aproveitem…

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