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Dor lombar: nova diretriz para o tratamento

Publicado em: 11/03/2017

A American College of Physicians recomenda as formas não invasivas de tratar a dor lombar não-radicular, que afeta milhões de pessoas no mundo

 

lombalgia

 

A American Chiropractic Association (ACA) relata que aproximadamente 31 milhões de pessoas nos EUA sofrem com a dor lombar em um certo ponto de suas vidas. A ACA também diz essa dor é a principal causa de deficiência no mundo todo, bem como uma das razões mais comuns das pessoas perderem o trabalho.

A condição resulta em um número grande de visitas médicas nos Estados Unidos, onde quase 25% da população adulta teve pelo menos um dia de dor lombar nos últimos três meses.

Se a dor dura por menos de quatro semanas, é tida como aguda, se dura de quatro a doze semanas, é considerada subaguda e, se ultrapassa as doze semanas, já é uma dor crônica.

A American College of Physicians (ACP) publicou na revista Annals of Internal Medicine uma diretriz de prática clínica para o tratamento da dor lombar não-radicular, que não é causada por danos na raiz do nervo espinhal.

Uma diretriz baseada em evidências

A diretriz tem como base uma análise de estudos clínicos randomizados e estudos observacionais conduzidos por tratamentos não-invasivos com drogas e tratamentos para a dor lombar sem qualquer tipo de medicamento.

Os resultados avaliados pela ACP incluem uma redução ou até a eliminação completa da dor lombar, melhoria da função motora e qualidade de vida, redução ou eliminação da incapacidade de trabalho e os efeitos secundários das drogas, nos casos de tratamento com medicamentos. O estudo também analisou o número de ocorrência de dor nas costas e o tempo de duração entre elas.

A ACA chegou a essas conclusões a partir de um processo de revisão meticulosa que consiste em várias etapas: uma revisão sistemática das evidências disponíveis; uma deliberação baseada nessa evidência; um resumo das recomendações; classificação da qualidade das evidências; e, por fim, a emissão de recomendações.

A ACP estabeleceu o programa de diretrizes de prática clínica em 1981 e, desde então, tem mantido-as atualizadas. Aquelas recomendações que não receberem atualizações a cada cinco anos são automaticamente consideradas inválidas.

A última vez que publicaram sua diretriz de prática clínica foi no ano de 2007 e, até hoje, algumas das evidências passaram por mudanças. As diretrizes de 2017 incluem avaliações de terapias baseadas na técnica de mindfulness (ou atenção plena), exercícios de controle motor (MCE) e tai chi.

Medicamentos devem ser a “última opção” para tratamento

Os processos clínicos analisados nas diretrizes mostram que o acetaminofeno não reduz a dor quando comparado com um placebo, assim como os esteroides sistêmicos, que também mostraram ser ineficazes no tratamento da dor lombar aguda ou subaguda. Contudo, as provas que sustentam essas afirmações foram consideradas de “baixa qualidade” pela ACP.

O comitê sugere que os pacientes com dor lombar crônica comecem o tratamento com exercícios e terapias livres de medicamentos, além de buscarem formas de intervenção multidisciplinar, acupuntura, terapias mindfulness para reduzir o estresse e atividades de tai chi e yoga.

Outras práticas recomendadas pela ACP nos estágios iniciais da dor lombar crônica incluem MCE (atividade que se concentra na “ativação dos músculos do tronco”) e relaxamento muscular progressivo, incluindo o uso de eletromiografia e biofeedback. Relaxamento à base de biofeedback nada mais é que uma técnica que utiliza dispositivos eletrônicos a fim de medir as funções do corpo, ajudando assim o paciente a ganhar controle quanto à tensão e ao relaxamento muscular.

A ACP também recomenda terapia a laser de baixo nível e manipulação espinhal, bem como terapia cognitivo-comportamental e operante.

O presidente da ACP, Dr. Nitin S. Damle, comenta as recomendações recentemente emitidas: “Para o tratamento da dor lombar crônica, os médicos devem selecionar as terapias que têm o menor número de danos e custos, uma vez que a maioria dos tratamentos não possui vantagens quando comparados uns com os outros. Os médicos devem lembrar seus pacientes de que qualquer uma das terapias físicas recomendadas deve ser administrada por pessoas devidamente treinadas”.

Como próximo passo clínico para pacientes com dor lombar crônica que não respondem bem à terapia não-farmacológica, a ACP recomenda drogas anti-inflamatórias sem esteroides, seguidas de drogas como tramadol ou duloxetina como terapia substituta.

O comitê observa que os médicos devem considerar a prescrição de opióides (substâncias derivadas do ópio) somente para pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos precedentes. O comitê também recomenda que os médicos consultem os pacientes e lhes apresentem os riscos e potenciais benefícios do tratamento com opióides.

Só devem ser prescritos medicamentos se os benefícios superarem notoriamente os riscos.

“Os médicos devem considerar as drogas como uma última opção para o tratamento e utilizá-las apenas em pacientes que não obtiveram sucesso com as outras terapias, já que os medicamentos podem causar problemas, como dependência ou sobredosagem acidental”, acrescenta o Dr. Damle.

Em geral, o Dr. Damle explica que “os médicos devem tranquilizar seus pacientes que a dor lombar aguda e subaguda geralmente melhora ao longo do tempo, independentemente do tratamento”.

“Os médicos devem evitar prescrever testes desnecessários e drogas dispendiosas e potencialmente nocivas, especialmente narcóticos, para esses pacientes”, acrescenta Dr. Damle.

A American College of Physicians (ACP)

A American College of Physicians (ACP) é uma comunidade diversificada de especialistas em medicina interna e subespecialistas unidos por um compromisso com a excelência. Internistas aplicam conhecimento científico e experiência clínica para o diagnóstico, tratamento e cuidados de adultos em todas as circunstâncias, desde a saúde até o caso de doenças mais complexas. Com 148.000 membros em países de todo o mundo, a ACP é a maior sociedade de especialidade médica do mundo. A ACP e os seus membros médicos lideram na educação, no estabelecimento de padrões e na disseminação de conhecimentos para ajudar no avanço da ciência e da prática da medicina interna.

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