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Nova Zelândia, um país de vinhos surpreendentes

Publicado em: 6/02/2017

Pouco conhecidos pela maioria dos consumidores, os vinhos da Nova Zelândia vêm aos poucos conquistando os brasileiros, surpreendendo-os pela alta qualidade que apresentam

 

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Por Arthur Azevedo

A Nova Zelândia, país de paisagens cinematográficas – quem assistiu a saga O Senhor dos Anéis, totalmente filmada no país sabe do que estamos falando – é um integrante do seleto clube dos produtores de alta gama do assim chamado Novo Mundo dos vinhos.

A história do vinho na Nova Zelândia começou em 1819 com a chegada das primeiras vinhas no Norte da Ilha Norte, em Northland. Apesar disso, o reconhecimento internacional só se deu a partir de 1986, quando os primeiros exemplares de Sauvignon Blanc, de excepcional qualidade, encantaram o mundo. O primeiro vinho com tal reconhecimento foi o Cloudy Bay, à época elaborado pelo genial Kevin Judd, que hoje tem seu próprio projeto, o Greywacke, cujos vinhos estão disponíveis no mercado brasileiro.

Constituído por duas ilhas, a Ilha Norte e a Ilha Sul, o país tem clima frio predominante, com exceção de alguns raros locais como a Ilha de Waihiki, situada próxima à Auckland e áreas mais continentais em Hawke’s Bay, onde se consegue produzir ótimos vinhos tintos baseados em Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah.

No restante do país, predominam largamente as uvas brancas, especialmente a Sauvignon Blanc e a Chardonnay, devidamente acompanhadas pelas uvas aromáticas como Riesling e Gewurztraminer; e as tintas de clima frio, em especial a Pinot Noir, que tem sua máxima expressão em Martinborough, área de produção situada no Sul da Ilha Norte.

Em termos de expressão, a grande estrela da Nova Zelândia é a Sauvignon Blanc, uva francesa que encontrou no país um terroir (microclima) ideal para se desenvolver, dando origem a vinhos de raro frescor e exuberantes aromas, que remetem às frutas cítricas, maracujá, notas herbáceas e paladar notável pela sua acidez, bom corpo, longa persistência e retro olfato focado e delicioso.

A região da Nova Zelândia que melhor produz a Sauvignon Blanc é Marlborough, no Norte da Ilha Sul, cujas condições de solo e clima propiciam as melhores condições para o cultivo da uva emblemática do país.

Quando o assunto são as uvas tintas, o destaque absoluto é a Pinot Noir, a uva de difícil cultivo e vinificação desafia os mais talentosos enólogos. Natural da Borgonha, na França, a Pinot Noir encontrou excelentes áreas para ser cultivada na Nova Zelândia, em particular em Martinborough, no Sul da Ilha Norte e em Central Otago, próximo à Queenstown, esta última, a região vinícola mais ao Sul do mundo e de uma beleza de tirar o fôlego.

Vale destacar que, enquanto a Sauvignon Blanc da Nova Zelândia surpreendeu o mundo pelo ineditismo, uma vez que foi inicialmente vinificada sem madeira, algo praticamente inédito à época, o que acabou destacando a pureza da fruta e a acidez cristalina e refrescante. A Pinot Noir trilhou o caminho inverso, sendo conhecida pela sua semelhança impressionante com seus pares da Borgonha, especialmente nos vinhos com passagem por barricas de carvalho francês.

Em síntese, poderíamos dizer que pelas suas belezas naturais e pela excepcional qualidade de seus vinhos, a Nova Zelândia é um país que merece estar nas considerações de pessoas de bom gosto para uma viagem enoturística inesquecível.

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