bem estar

FORTALECER MÚSCULOS MELHORA O RACIOCÍNIO

Publicado em: 9/12/2016

Comprovado, mesmo entre idosos, a prática de musculação intensa reduz comprometimento cognitivo

 

idoso5

 

Por Ana Sandoiu – MNT

Um estudo da University of Sydney, na Austrália, descobriu que melhorar gradualmente a força muscular, através de atividades físicas, como o levantamento de peso, faz desenvolver a função cognitiva.

O estudo foi feito em colaboração com o Centre for Healthy Brain Ageing (CheBA) da University of New South Wales e University of Adelaine. Os resultados foram publicados no Journal of American Geriatrics.

O estudo foi realizado baseado em uma pesquisa através do método SMART (Study od Mental and Resistenca Training), realizado em pacientes com comprometimento cognitivo leve (CCL), entre 55 e 68 anos. Pacientes com CCL têm um risco maior em desenvolver demência e a doença de Alzheimer.

Os resultados são particularmente significativos, dada a elevada incidência dessas doenças entre a população mais velha. De acordo com o Relatório Mundial de Alzheimer de 2016, 47 milhões de pessoas em todo o mundo têm demência, número que deve triplicar até 2050. Só nos Estados Unidos, a taxa prevista é de 13,8 milhões.

Devido ao alto custo de cuidados para pacientes com demência, o Relatório Mundial de Alzheimer recomenda que se vá além do tratamento profissional, sugerindo uma abordagem completa, que se concentra na melhoria da qualidade de vida para as pessoas que vivem com essa condição.

Levando isso em consideração, uma relação entre o treinamento físico e uma melhora na função intelectual pode ser um passo positivo.

PROGRAMA DE LEVANTAMENTO DE PESO MELHORA A COGNIÇÃO

O estudo analisou treinamentos progressivos de resistência – como o levantamento de peso – e o funcionamento do cérebro.

A pesquisa examinou 100 idosos que vivem com “comprometimento cognitivo leve”, CCL, ou seja, pacientes mais velhos que têm dificuldades cognitivas perceptíveis, mas não suficientemente significativas para interferir em suas atividades diárias.

Oitenta por cento dos pacientes diagnosticados com CCL desenvolvem a doença de Alzheimer após aproximadamente 6 anos.

Para o estudo, os pacientes foram divididos em quatro grupos e a cada um foi atribuída uma série de atividades as quais continham uma combinação de exercício de resistência – incluindo o levantamento de peso. Para o grupo placebo, foram ministradas atividades de alongamento sentado. As atividades também incluíram treinamento cognitivo computadorizado e seu equivalente placebo.

As atividades de treinamento cognitivo e placebo não produziram melhorias cognitivas. No entanto, a pesquisa demonstrou uma relação proporcional entre a melhora da função cerebral e força muscular.

“O que encontramos nesse estudo de acompanhamento é que a melhora na função cognitiva estava relacionada com os ganhos de força muscular, quanto mais fortes as pessoas se tornavam, maior o benefício para o cérebro”, explica Dr. Yorgi Mavros.

Pesquisas anteriores mostraram uma ligação positiva entre o exercício físico e a função cognitiva, mas o SMART, estudo liderado pelo Dr. Mavros, fornece mais informações quanto ao tipo, à qualidade e à frequência de exercícios necessários para se obter os benefícios cognitivos completos.

Durante o experimento, os participantes fizeram sessões de levantamento de peso duas vezes por semana durante 6 meses, com o objetivo de atingir pelo menos 80% da sua força máxima. Atingida essa porcentagem, vinha a segunda fase do experimento, na qual os pesos iam aumentando gradualmente à medida que os participantes se fortaleciam, com o intuito de permanecer com o nível de força nos 80%.

“Quanto mais pudermos fazer com que as pessoas façam exercícios de resistência, como o levantamento de peso, mais provável é que tenhamos uma população mais saudável. A questão, no entanto, é se certificar de que você está fazendo isso com frequência, pelo menos duas vezes por semana, e em alta intensidade, para que você maximize seus ganhos de força. Isto lhe dará o máximo benefício para o seu cérebro”, ressalta Dr. Mavros.

Essa foi a primeira vez que um estudo mostrou uma relação causal entre o aumento da força muscular e uma melhora na função cerebral em pacientes com mais de 55 anos de idade que têm CCL.

ATUAÇÃO DO EXERCÍCIO NA FUNÇÃO COGNITIVA

A ideia é que praticar exercício ajuda indiretamente na prevenção da doença de Alzheimer e também reduz as chances de comprometimento cognitivo. Isso porque os exercícios físicos ajudam nos processos fisiológicos, como a glicorregulação e a saúde cardiovascular. E, quando esses processos não estão em bom funcionamento, o risco de desenvolver Alzheimer ou de comprometer a função cognitivo aumenta.

Exercícios também melhoram outros processos cognitivos, tais como atenção seletiva, planejamento, organização e a função multitarefa.

Alguns estudos também sugeriram uma conexão entre um aumento no tamanho de certas áreas cerebrais e o treinamento físico.

Com a idade, o hipocampo (uma estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro) costuma reduzir de tamanho, o que leva ao comprometimento cognitivo. Porém, o exercício aeróbico mostrou resultar em um aumento de 2% no tamanho do hipocampo anterior, melhorando a memória espacial do indivíduo.

No início deste ano, uma equipe de pesquisadores, que incluía o Dr. Mavros, lançou um teste semelhante, no qual perceberam uma melhora cognitiva após a prática de levantamento de peso.

Usando ressonância magnética funcional (FMRI), os pesquisadores analisaram as alterações no cérebro após 6 meses de treinamento de resistência progressivo e treinamento cognitivo computadorizado em adultos. Eles descobriram que o treinamento de resistência progressiva, como o levantamento de peso “melhorou significativamente a cognição global”.

Os autores desse estudo ressaltaram que ainda não está claro se o treinamento físico por si só interrompe os efeitos degenerativos da velhice, ou se ele impulsiona alguns outros mecanismos que colaboram com a cognição.

Embora a força muscular pareça estar claramente relacionada com o comprometimento cognitivo, o mecanismo por trás dele ainda não é totalmente compreensível.

No futuro, Mavros e sua equipe esperam desvendar esse problema, conectando o aumento no tamanho do cérebro com a força muscular e a melhoria cognitiva.

“O próximo passo agora é determinar se os aumentos na força muscular também estão relacionados com os aumentos que vimos no tamanho do cérebro. Além disso, queremos encontrar o que liga a força muscular, o crescimento cerebral e o desempenho cognitivo, e determinar a melhor maneira de prescrever exercícios para maximizar esses efeitos”, afirma autora sênior Profª. Maria Fiatarone Singh.

Autor principal Dr. Yorgi Mavros e autora sênior Profª. Maria Fiatarone Singh, da University of Sydney.

 

Comentários

Powered by Facebook Comments