comportamento

Felicidade também é genética

Publicado em: 9/08/2016

Um gigantesco estudo científico, com a participação de 140 centros de pesquisa, em 17 países, localizou variantes genéticas associadas à felicidade

 

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Por Meike Bartels e Alexis Frazier-Wood

Um estudo científico multinacional, envolvendo mais de 190 pesquisadores, em 140 centros de pesquisa, em 17 países, localizou variantes genéticas associadas à felicidade e outras características. É um dos maiores estudos já publicados de genes envolvidos no comportamento humano.

Os investigadores localizaram variantes genéticas associadas ao bem estar subjetivo, ou seja, o quão feliz uma pessoa pensa ou sente sobre a sua vida.

No jornal Científico Nature, a equipe internacional, responsável pelo estudo, descreve como analisou dados genômicos de centenas de milhares de pessoas, para encontrar variantes genéticas associadas não só em relação aos nossos sentimentos de bem estar, como também em relação à depressão e neurose.

Um dos pesquisadores, Alexis Frazier-Wood, professor assistente de pediatria e nutrição no Baylor College of Medicine, em Houston, TX, diz:

“Nós detectamos três variantes genéticas associadas com o bem estar subjetivo:  quão feliz uma pessoa pensa ou sente sobre a sua vida?. E encontramos também dois genes que abrigam variantes associadas a sintomas depressivos e onze genes, onde a variação foi associada com o neuroticismo (caracteristica da personalidade que leva a tendências pessimistas podendo conduzir à neuroses). “

A equipe descobriu ainda, que as variantes de genes, estão ligadas principalmente ao sistema nervoso central e aos tecidos das glandulas supra renais ou pâncreas.

Para o estudo, a equipe realizou uma análise-meta, que reuniu dados genômicos de muitos outros estudos – e usou ferramentas estatísticas avançadas que possibilitaram simular agrupamento de um universo de 298.000 pessoas estudadas.

Cada vez mais, estudos de genes, demonstram que podem ajudar a entender predisposições em nosso organismo.

Estudos anteriores já sugeriram que as diferenças individuais, em felicidade e bem estar, podem estar ligadas as diferenças das genéticas entre as pessoas. Evidencias demonstram dentro da àrea médica, que o bem estar é um fator na saude fisica e mental, por isso o tema, descobrir as causas da felicidade vem crescendo. E como a genética vem ocupando cada vez mais os estudos científicos na àrea de saúde, entrou também neste importante tema.

No entanto, os pesquisadores alertam que obviamente os genes não são toda a história,  quando se trata de determinar como as pessoas pensam e sentem sobre suas vidas. Eles explicam que o meio ambiente, interage com os genes, e portanto serão também sempre muito importantes.

Mas, os pesquisadores observam que, estudar os genes, pode nos ajudar a começar a entender o motivo pelo qual, algumas pessoas podem ser biologicamente predispostas a desenvolver estes sintomas, e esta informação sem dúvida é valiosa.

Os pesquisadores vão mais longe, acreditam que estas descobertas que já estão disponíveis, sedimentarão novos degraus para novos estudos, rumo a compreender o que causa diferenças de felicidade. Eles vêem essa descoberta, que já é revolucionária, como apenas o início, e acreditam que as variantes que foram localizadas são apenas uma pequena fração do que está à espera de ser conhecido.

“A sobreposição genética com sintomas depressivos que temos encontrado, é também um avanço. Isso mostra que a investigação sobre a felicidade, também pode oferecer novos conhecimentos sobre as causas de um dos maiores desafios médicos do nosso tempo: depressão”.

Prof. Meike Bartels, VU University Amsterdam

Prof. Alexis Frazier-Wood, Baylor College of Medicine, Houston, Tx

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