comportamento

Pesquisas da neurociência revelam: Seus cérebros se transformam

Publicado em: 8/05/2015

Muitas coisas realmente mudam para novas mães, algumas das mudanças mais fortes são emocionais. Mas as pesquisas e estudos médicos mostram cada vez mais que estas alterações são também imensamente neurológicas.

 

Portrait of mother and baby kissing, laughing and hugging

 

 

 

Por Adrienne Lafrance

 

Até mesmo antes de uma mulher dar a luz, a gravidez mexe com cada estrutura de seu cérebro, segundo o que vários neurologistas me contam. Depois de milênios de anos observando mudanças de comportamento em novas mães, cientistas, apenas recentemente, começaram a ligar o modo como uma mulher age com o que está acontecendo no seu córtex pré-frontal, mesencéfalo, lobos parietais e outros lugares. A massa cinzenta fica mais concentrada. A atividade cerebral aumenta em regiões que controlam empatia, ansiedade e interação social. No nível mais básico, essas mudanças causadas por um mar de hormônios durante a gravidez e no período pós-parto, ajudam a atrair a nova mãe ao seu bebê. Em outras palavras, os sentimentos maternais de amor dominante, proteção feroz e constante preocupação começam com reações no cérebro.

Cientistas encontram diferenças na atividade do cérebro entre mulheres olhando fotos de seus próprios bebês versus bebês desconhecidos. (Sociedade de Neurociência – EUA).

Há muitas regiões interconectadas do cérebro que ajudam a conduzir comportamentos e humores maternos.

Um particularmente interessante para pesquisadores é o neurônio em forma de amêndoa conhecido como amígdala, que ajuda a processar a memória e ocasiona reações como medo, ansiedade e agressão. Num cérebro normal, a atividade da amígdala cresce nas semanas e meses depois de dar a luz. Cientistas acreditam que esse crescimento está correlacionado a como uma nova mãe se comporta: uma amígdala aumentada a torna hipersensível às necessidades de seu bebê e um coquetel de hormônios, que encontram mais receptores numa amígdala aumentada, ajuda a criar um feedback positivo que motiva os comportamentos das mães. Apenas ao olhar para seus bebês, o centro de recompensa do cérebro materno é acionado, segundo pesquisas científicas. Esse circuito de cérebro materno influencia o jeito excessivamente meloso de uma mãe falar com seu bebê, o quão atenciosa ela é, e até a afeição que sente por seu filho. Não é surpreendente, portanto, que danos à amígdala estão associados com níveis mais altos de depressão em mães.

A atividade da amígdala está, também, associada com os fortes sentimentos de uma mãe em relação a seu próprio bebê em contrapartida com outros bebês. Num estudo de 2011 sobre reações da amígdala em novas mães, mulheres relatam que se sentiam melhores ao olhar fotos de seus próprios bebês sorridentes comparadas às fotos de bebês também sorridentes, mas desconhecidos, e sua atividade cerebral refletiu essa discrepância. Cientistas gravaram respostas mais fortes do cérebro – na amígdala, no tálamo e em outros lugares – entre mães que olhavam fotos de seus próprios bebês.

Grande parte do que acontece na amígdala de uma nova mãe tem a ver com a corrente de hormônios. A região tem uma alta concentração de receptores para hormônios como ocitocina, que surge durante a gravidez.

“Vemos mudanças em ambos o nível hormonal e de atividade cerebral”, me contou a pesquisadora de cérebro Ruth Feldman em um e-mail. “O nível de ocitocina materna – o sistema responsável pelo vínculo entre a mãe e o bebê em todas as espécies mamíferas – crescem dramaticamente durante a gravidez e no pós-parto e, quanto mais uma mãe está envolvida nos cuidados com a criança, maior o nível de ocitocina”.

 

PARA O CÉREBRO, SER MÃE É SE APAIXONAR

O que cientistas sabem, segundo Feldman, é que tornar-se mãe assemelha-se – ao menos para o cérebro – com se apaixonar. O que ajuda a explicar como muitas novas mães descrevem o sentimento de conhecer seus novos bebês. No nível cerebral, a região que fica especialmente sensibilizada é toda àquela que envolve cuidados e saliência social – a amígdala – além da região de dopamina, o que incentiva a priorização da criança. “Na nossa pesquisa, descobrimos que períodos de interação social envolvem mudanças nos circuitos de afeição”, diz Feldman. “Mostramos que durante os primeiros meses de “se apaixonar” algumas mudanças similares acontecem entre parceiros românticos.”

O gráfico abaixo comprava que áreas semelhantes e próximas são estimuladas igualmente nos cérebros de novas mães e de apaixonados.

 

Reprodução parcial autorizada de reportagem da The Atlantic – EUA.

 

 

 

 

Comentários

Powered by Facebook Comments