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Alzheimer: Seria o fim desse Mal?

Publicado em: 8/03/2013

Por Nathália Donegá  Fotos

Especialistas da área de Neurologia comentam sobre o desenvolvimento de vacinas contra o Mal de Alzheimer, uma doença neurodegenerativa caracterizada pelo progressivo declínio das funções intelectuais, de forma a reduzir as capacidades sociais e funcionais alterando, com isso, o comportamento e personalidade das pessoas idosas.

Atualmente a doença atinge 25% das pessoas com mais de 85 anos e, com o aumento da longevidade mundial, os números tornam-se preocupantes: uma em cada 200 pessoas serão diagnosticadas com o Alzheimer. Apenas no Brasil, há mais de um milhão de pessoas que sofrem desse mal, e terão suas vidas completamente afetadas. Recentemente, pesquisadores de universidades internacionais iniciaram pesquisas para desenvolver uma vacina com o objetivo de extinguir o Mal de Alzheimer do planeta, e duas equipes se destacaram apresentando avanços concretos. Uma delas faz parte da Universidade Laval, de Québec, Canadá. A outra é do Centro de Pesquisa Biomédica EuroEspes.

A boa notícia é que as descobertas são promissoras para um futuro não muito distante. Últimos relatórios apontam que os estudos já foram feitos em camundongos, e que o próximo passo seria a realização de testes em seres humanos.

O pesquisador do Laboratório de Neuroimagem da Unicamp, Marcio Balthazar, explica que o Mal de Alzheimer é uma doença cerebral, que causa a morte dos neurônios responsáveis por processar informações como aquelas relacionadas à memória, orientação e capacidade de tomar decisões. O pesquisador completa dizendo que também é comum o surgimento de distúrbios neuropsiquiátricos como agitação, depressão, alucinações e delírios.

O Mal de Alzheimer é considerado incurável, pois ainda não foram descobertos medicamentos eficazes capazes de deter ou modificar o processo de evolução da doença. Um dos motivos para essa dificuldade é que a doença possui muitas causas diferentes, tornando o processo de identificação de cura complexo e incerto. O neurologista e coordenador do ambulatório de Esclerose Múltipla do HC,  Benito Damasceno, observa que o mal começa a se manifestar normalmente por volta dos 65 anos. Em casos mais raros, os sintomas começam aos 40.

Tratamento, vacinas e prevenção
De acordo com Marcio, existem quatro tipos de medicamentos aprovados para o tratamento de Mal de Alzheimer. “Três são para as fases leve e moderada, disponíveis na rede pública, mesmo sendo de alto custo. Já para as fases moderada a avançada existem outras drogas.”, explica. Benito Damasceno revela também que o tratamento atual apenas tenta melhorar os sintomas, sem influir na evolução ou piora da doença. Cada medicamento procura tratar um sintoma específico. Quando há alterações no comportamento, por exemplo, são indicados tipos de remédios para conter essas alterações, já os sinais de depressão são tratados de outra forma.

Quanto às vacinas, Benito lembra que as primeiras trouxeram alguns avanços, mas nada muito significativo. Damasceno relata também existem estudos nos quais as vacinas para o Mal de Alzheimer são testadas em humanos, mas ainda não foram concluídos e, por isso, não possuem eficácia comprovada. Marcio Balthazar afirma que as novas vacinas, principalmente as que estimulam as defesas naturais do cérebro, são promissoras, mas não acredita que seja a cura para a doença.

Enquanto as pesquisas não chegam ao seu ápice, o Mal de Alzheimer pode ser prevenido com a adoção de um estilo de vida saudável, atividades intelectuais, prática de atividades físicas regulares e controle dos chamados fatores de risco, como hipertensão, diabete, obesidade e o hábito de fumar.

O papel da família
Uma coisa é certa: quanto antes o tratamento começar, melhor. É importante que os familiares fiquem atentos às mudanças de comportamento dos idosos e compreendam que os problemas relacionados à memória, percepção, linguagem e raciocínio acontecem por conta das lesões nas regiões do cérebro responsáveis por estas funções mentais. “O paciente não quer intencionalmente e planejadamente fazer as coisas erradamente. Os familiares devem procurar saber sobre a doença. Existem livretos de instruções para cuidadores.”, observa Benito.

É fundamental também que a família estimule e ajude o paciente na realização de atividades físicas e mentais. O paciente deve manter as atividades de sua vida, ainda que de maneira supervisionada. O cuidador também deve procurar ajuda médica, pois é comum o surgimento de sintomas de depressão e ansiedade.

O avô de Victória Capelatto sofre da doença de Alzheimer desde os 79 anos, ela relata que ele não toma nenhum tipo de medicamento. “No começo, ele só piorava com os remédios, tinha várias alucinações. O medicamento é como uma droga mesmo. Hoje ele fica melhor sem os remédios. É claro que esconde objetos e fala coisas que não são verdade, mas ele está bem”, conta. Apesar das controvérsias sobre a vacina, Victória afirma que optaria por vacinar o avô.

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